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Entrevista especial: Fecoljuegos analisa o mercado de jogos colombiano, agora acima de 45 bilhões

Caro Vallejo
Escrito por Caro Vallejo
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

O setor de jogos na Colômbia já é uma indústria madura e formal, com forte geração de empregos, investimentos e uma contribuição essencial para o financiamento do sistema público de saúde. Em 2024, o segmento de apostas transferiu mais de COP 1 bilhão para o sistema de saúde subsidiado, reforçando seu papel estratégico na economia colombiana. O país se consolidou como referência em legislação moderna, capaz de estimular a formalização e o desenvolvimento sustentável do setor — e seu potencial de expansão em toda a América Latina é significativo. Essas são as avaliações de Evert Montero Cárdenas (imagem destacada), presidente da Fecoljuegos e primeiro presidente da Federação Internacional de Autoridades de Jogos para a América Latina (FIJA), em entrevista exclusiva à SiGMA News.

Dimensão do mercado colombiano de jogos

A indústria colombiana de jogos é consolidada, formal e estruturada, com impacto direto na geração de empregos, na atração de investimentos e no financiamento da saúde pública. Em 2024, mais de COP 1 bilhão foi destinado do setor online ao sistema de saúde subsidiado — número que chega perto de COP 1,5 bilhão ao incluir operações presenciais. Cassinos e salas de bingo representam cerca de 36% dessa arrecadação, com mais de 3.500 locais autorizados e mais de 100 mil máquinas legalmente operadas. No entanto, embora o faturamento bruto do setor se aproxime de COP 45 bilhões, o resultado operacional efetivo mal chega a COP 2,9 bilhões — reflexo de uma carga tributária real próxima a 66%, incluindo IVA e direitos de exploração. Segundo Montero, “esse modelo tributário está corroendo a sustentabilidade das empresas formais e reduzindo a competitividade do mercado legal frente às ofertas ilegais.”

Segmentos que mais crescem no mercado colombiano

Enquanto o mercado online enfrenta uma queda de quase 30% na receita devido ao peso tributário, o canal presencial — cassinos, salas de bingo e máquinas eletrônicas — mostra um crescimento moderado, porém consistente, entre 1% e 3% em 2024. Esse segmento permanece resiliente, gerando empregos formais e atraindo turismo, embora também sofra pressão da tributação excessiva e da competição ilegal. Montero reforça que não deve haver antagonismo entre os canais físico e online, já que “ambos fazem parte do mesmo ecossistema regulado.” No entanto, ele alerta que o online — que foi o motor da modernização do setor — está sendo sufocado por decisões tributárias antitécnicas e restrições comerciais. Com faturamento bruto próximo de COP 45 bilhões, o resultado operacional final permanece na casa dos COP 2,9 bilhões.

Lacunas estruturais apontadas pela Fecoljuegos

Persistem defasagens estruturais que afetam a competitividade e a conformidade do setor. Montero defende a adoção de um sistema unificado e direto, baseado na receita real (GGR), para garantir sustentabilidade e competitividade, já que essa defasagem fiscal decorre de uma estrutura tributária que não corresponde à capacidade real de geração de receita do setor. A lacuna na legalidade fica evidente na regulamentação insuficiente dos jogos ilegais, tanto presenciais quanto online, o que compromete a arrecadação e prejudica a formalidade.

Além disso, uma lacuna na percepção pública mantém o estigma histórico associado ao setor. Por fim, há também uma defasagem tecnológica, refletida na ausência de um marco regulatório flexível que considere a convergência entre operações físicas e digitais — enquanto “o jogador já vive experiências híbridas.”

O papel pioneiro da Colômbia na regulação online na América Latina

A Colômbia foi o primeiro país da América Latina a implementar uma regulamentação completa para jogos online, permitindo a operação legal de apostas esportivas e jogos pela internet desde 2016, por meio de licenças emitidas pela Coljuegos. Segundo Montero, essa decisão foi “corajosa, visionária e tecnicamente sólida”, pois direcionou a demanda para o ambiente legal, garantiu receita para o Estado e fortaleceu a proteção ao consumidor. O modelo regulatório colombiano tornou-se uma referência regional, estabelecendo padrões modernos para a indústria de jogos e mantendo um crescimento constante entre 2016 e 2024, impulsionado por uma infraestrutura tecnológica robusta voltada à rastreabilidade e ao controle fiscal.

As lições da Colômbia para a próxima onda regulatória

Montero destaca cinco lições centrais para orientar a evolução regulatória na Colômbia — e servir de guia para outros países:

  • Omnichannel: “O futuro do jogo legal é omnicanal” — integrando operações físicas e digitais sob um mesmo marco regulatório.
  • Dados e rastreabilidade: Interconexão em tempo real com o regulador, fortalecida por análises avançadas e inteligência artificial.
  • Certificações técnicas: Manutenção de padrões de auditoria sólidos, incorporando tecnologias emergentes sem elevar custos.
  • Supervisão inteligente: Fiscalização baseada em evidências, indicadores de risco e diálogo permanente entre operadores e reguladores.
  • Visão regional: A Colômbia deve atualizar continuamente seu modelo para manter a liderança global em regulação, governança digital e cooperação.

Prioridades para uma nova regulação: omnichannel, pagamentos e certificações

Permitir a operação omnichannel deve ser o principal objetivo de um novo marco regulatório, garantindo que os operadores possam gerenciar ofertas online e presenciais sob as mesmas licenças e restrições — incluindo requisitos de KYC e AML. Além disso, é fundamental utilizar inteligência artificial e fortalecer a colaboração institucional para aprimorar o uso de dados e a rastreabilidade de pagamentos, assegurando mais transparência e controle. Por fim, é indispensável atualizar as certificações técnicas para incorporar tecnologias emergentes, como blockchain, experiências híbridas de jogo e IA generativa, sem criar novas barreiras de entrada. Esses pilares podem formar uma regulamentação suficientemente flexível para preservar a integridade do setor sem travar a inovação.

Representando a Fecoljuegos, Montero conclui que o mercado de jogos da Colômbia é sólido e possui um potencial significativo. No entanto, ele alerta que a carga tributária e a insuficiência de mecanismos eficazes de combate à ilegalidade online colocam em risco a sustentabilidade do setor. Por isso, destaca à SiGMA News que uma atualização regulatória é urgente para proteger o jogo legal e promover um ecossistema competitivo e sustentável, capaz de beneficiar o país e o sistema de saúde pública.

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