A MGM Resorts começou 2026 mostrando um cenário de transição importante dentro da companhia. Embora os resultados consolidados do primeiro trimestre indiquem pressão em algumas operações físicas, especialmente em Las Vegas, o braço digital da empresa continua acelerando e se tornando cada vez mais relevante para o grupo. O relatório financeiro divulgado pela companhia mostra uma MGM menos dependente exclusivamente dos resorts tradicionais e cada vez mais posicionada em operações online, iGaming e apostas esportivas digitais.
No consolidado, a receita líquida da MGM Resorts atingiu US$ 4,45 bilhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 4 por cento em comparação com os US$ 4,27 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O desempenho foi impulsionado principalmente pelas operações da MGM China, MGM Digital e pela melhora operacional da BetMGM na América do Norte.
Apesar do crescimento da receita, a lucratividade apresentou pressão. O lucro líquido atribuível à MGM Resorts caiu para US$ 125 milhões, abaixo dos US$ 148 milhões registrados no primeiro trimestre do ano anterior. O EBITDA ajustado consolidado também recuou, passando de US$ 637 milhões para US$ 580 milhões no período. O lucro diluído por ação caiu de US$ 0,51 para US$ 0,48, enquanto o lucro ajustado por ação recuou de US$ 0,69 para US$ 0,49.
Receita e lucro da MGM Resorts no Q1 2026
| Indicador | Q1 2026 | Q1 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita líquida consolidada | US$ 4,45 bilhões | US$ 4,27 bilhões | +4% |
| Lucro líquido atribuível à MGM | US$ 125 milhões | US$ 149 milhões | -16% |
| EBITDA ajustado consolidado | US$ 580 milhões | US$ 637 milhões | -9% |
| Lucro diluído por ação | US$ 0,48 | US$ 0,51 | -6% |
| Lucro ajustado por ação | US$ 0,49 | US$ 0,69 | -29% |
Segundo Bill Hornbuckle, CEO da MGM Resorts, a empresa vê sinais positivos principalmente nos resorts de Las Vegas, que voltaram a apresentar crescimento anual de receita pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2024. Ele destacou que o desempenho mensal melhorou gradualmente ao longo do trimestre, especialmente em março, impulsionado por reservas corporativas, convenções e promoções recém-lançadas pela companhia.
Para contextualizar o momento atual do mercado de cassinos em Las Vegas, os dados recentes do Nevada Gaming Control Board mostram que, embora a receita com jogos tenha permanecido relativamente estável em 2025, o número total de visitantes caiu 7,5 por cento, chegando a 38,5 milhões de pessoas, no menor nível desde 2021. A taxa de ocupação hoteleira também recuou para 80,3 por cento, enquanto tarifas médias e diárias ocupadas apresentaram queda.
A receita líquida dos resorts da Las Vegas Strip ficou praticamente estável em US$ 2,18 bilhões, um pouco acima dos US$ 2,17 bilhões do ano anterior. Porém, o EBITDAR ajustado do segmento caiu 8 por cento, passando de US$ 811 milhões para US$ 749 milhões.
Dentro dessa divisão, a receita de cassino caiu 5 por cento, ficando em US$ 513 milhões. O volume apostado em jogos de mesa (“table games drop”) caiu 3 por cento, para US$ 1,46 bilhão, enquanto a receita efetiva dos jogos de mesa caiu 1 por cento, totalizando US$ 399 milhões. A taxa de retenção (“table games win por cento”) ficou em 27,3 por cento, levemente acima dos 26,7 por cento do ano anterior.
Nos slots, o volume apostado permaneceu praticamente estável em US$ 5,69 bilhões, mas a receita caiu, passando de US$ 545 milhões para US$ 539 milhões. A taxa de retenção das máquinas caiu de 9,6 por cento para 9,5 por cento.
Os indicadores hoteleiros também mostraram desaceleração. A ocupação média caiu de 94 por cento para 92 por cento, enquanto a receita por quarto disponível (RevPAR) recuou 2 por cento, ficando em US$ 238. A diária média permaneceu estável em US$ 257. A receita de quartos praticamente não mudou, permanecendo em US$ 751 milhões.
Enquanto Las Vegas apresentou estabilidade com pressão sobre margens, as operações regionais da MGM nos Estados Unidos tiveram crescimento moderado. A receita líquida desse segmento subiu 2 por cento, chegando a US$ 918 milhões, contra US$ 900 milhões no ano anterior. Ainda assim, o EBITDAR ajustado caiu 7 por cento, de US$ 279 milhões para US$ 259 milhões.
Os cassinos regionais mostraram melhora em vários indicadores operacionais. A receita de cassino subiu 2 por cento, para US$ 684 milhões. O volume apostado em jogos de mesa aumentou 6 por cento, chegando a US$ 1 bilhão, enquanto a receita dos jogos de mesa cresceu 5 por cento, totalizando US$ 205 milhões. As slots também avançaram, o handle subiu 1 por cento, para US$ 6,61 bilhões, e a receita das máquinas cresceu 3 por cento, chegando a US$ 668 milhões.
A MGM China foi novamente um dos grandes destaques do trimestre. A operação registrou receita líquida de US$ 1,12 bilhão, crescimento de 9 por cento em relação ao ano anterior. O desempenho foi puxado principalmente pelos jogos de mesa no piso principal dos cassinos. O volume apostado (“main floor table games drop”) cresceu 10 por cento, alcançando US$ 3,97 bilhões, enquanto a receita efetiva desses jogos avançou 18 por cento, para US$ 1,07 bilhão. A taxa de retenção subiu de 25,2 por cento para 27,1 por cento.
Mesmo com o forte crescimento da receita na China, o EBITDAR ajustado da divisão caiu 4 por cento, passando de US$ 286 milhões para US$ 273 milhões. Parte dessa pressão veio do novo acordo de licenciamento de marca entre MGM Resorts e MGM China. As despesas relacionadas ao contrato de branding aumentaram de US$ 18 milhões para US$ 41 milhões no trimestre.
Mas o maior destaque estratégico do trimestre segue sendo o digital. A MGM Digital, divisão que engloba a LeoVegas e outras subsidiárias de jogos online fora da joint venture BetMGM, registrou um crescimento extremamente forte. A receita líquida saltou 43 por cento, passando de US$ 128 milhões para US$ 183 milhões. Ao mesmo tempo, o prejuízo operacional diminuiu de US$ 34 milhões para US$ 26 milhões, indicando melhora significativa na eficiência operacional da divisão.
A empresa destacou explicitamente no relatório que as operações digitais seguem sendo um dos principais motores de crescimento do grupo. Isso mostra como a MGM está cada vez mais diversificando sua receita para além dos resorts físicos e ampliando presença em mercados regulados de iGaming e apostas online.
A BetMGM também apresentou evolução importante no trimestre. A participação da MGM Resorts nos resultados da joint venture passou de prejuízo operacional de US$ 15,2 milhões no primeiro trimestre de 2025 para lucro operacional de US$ 7,3 milhões no primeiro trimestre de 2026.
A BetMGM está deixando de priorizar crescimento baseado apenas em aquisição agressiva de usuários e promoções pesadas, focando agora em rentabilidade e eficiência. Em resultados divulgados anteriormente pela própria BetMGM, a companhia já havia mostrado crescimento de receita por usuário e melhora de margens, especialmente no iGaming, que continua sendo o principal motor financeiro da operação.
Outro ponto importante é que a MGM Resorts citou diretamente o Brasil em seu relatório corporativo. A empresa afirmou que sua subsidiária LV Lion Holding opera apostas esportivas e iGaming em diversas jurisdições da Europa e também no mercado brasileiro.
Além do crescimento operacional, a MGM também realizou movimentos relevantes de capital no trimestre. Em abril, a companhia concluiu a venda das operações do MGM Northfield Park por US$ 546 milhões. Segundo Jonathan Halkyard, CFO da empresa, a transação fortalece a liquidez do grupo e permite maior retorno de capital aos acionistas.
A MGM recomprou aproximadamente 2 milhões de ações durante o trimestre, em uma operação total de US$ 90 milhões. Após essas recompras, ainda restavam cerca de US$ 1,5 bilhão disponíveis no atual programa de recompra de ações da companhia.
No balanço patrimonial, a empresa encerrou março de 2026 com US$ 2,29 bilhões em caixa e equivalentes de caixa, acima dos US$ 2,06 bilhões registrados no fim de 2025. A dívida de longo prazo ficou em US$ 6,4 bilhões.
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