O setor de blockchain está passando por transformações profundas — mudanças que estão redefinindo não só empresas e economias, mas também a forma como interagimos no mundo digital. Embora persista a ideia de que esse é um universo predominantemente masculino, os dados mais recentes mostram uma realidade diferente. Um relatório de 2023 do Boston Consulting Group (BCG) em parceria com o People of Crypto Lab revelou que as mulheres já ocupam quase 25% dos cargos executivos nas principais empresas de Web3, com estimativas indicando que esse número ultrapassará os 30% até 2026.
Durante a Philippine Blockchain Week 2025, o painel “Chain Queens: Comandando o Universo Blockchain” reuniu mulheres que estão moldando o futuro do setor. Participaram da conversa Olga Yaroshevsky (diretora geral da AIBC), Ida Mok (presidente da Women in Blockchain Alliance), Laura Inamedinova (gestora de ecossistemas de inovação da Gate.io), Chantel Elloway (fundadora e presidente da CEPR), Aya De Quiroz (fundadora da Azintafy) e Emmy Delfin, representante do Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação das Filipinas (DICT).

Superando barreiras e desafiando estereótipos
Embora cada participante tenha seguido um caminho distinto até o blockchain, muitas relataram experiências semelhantes com discriminação sutil ao longo da trajetória. Laura Inamedinova contou que, em eventos de networking, muitas vezes era confundida com acompanhante de outros convidados — e não reconhecida como especialista técnica.
“Finjo ser nova na área. Depois da quarta pergunta técnica, percebem que sei muito mais do que imaginaram,” relatou, mostrando como transforma o preconceito em oportunidade.
Ida Mok, que retornou ao mercado após um período como mãe em tempo integral, enfrentou desconfianças sobre sua capacidade, mesmo com formação jurídica.
“Tive que combater a suposição de que eu havia ‘desligado meu cérebro’,” comentou.
Já Olga Yaroshevsky compartilhou uma perspectiva mais positiva desde que entrou no universo blockchain, em 2018, destacando o apoio da comunidade como um sinal da crescente inclusão no setor.
Incentivando mais mulheres a entrar na tecnologia
As participantes do painel reforçaram que habilidades de outras áreas — como direito, recursos humanos e marketing — são altamente aplicáveis ao ecossistema Web3. Mok ressaltou que a vontade de aprender é o diferencial mais valioso para quem deseja ingressar no setor.
“As mulheres não precisam ser empoderadas. Nós já somos poderosas — o que precisamos é apoiar umas às outras,” afirmou Yaroshevsky, destacando a importância da comunidade acima de iniciativas segregadas por gênero.
Inamedinova, por sua vez, enfatizou o potencial de crescimento profissional no setor: “Seja tão boa que as empresas façam questão de contratar você.”
E o futuro da liderança feminina no blockchain?
Olhando para 2026, as painelistas preveem uma transição do apoio com base em gênero para o reconhecimento por mérito. Mok explicou que, com a maturação do setor, o desempenho profissional será cada vez mais valorizado: “Você não será mais apoiada apenas por ser mulher. Vai ser apoiada porque é excelente no que faz — e isso é algo positivo.”
Yaroshevsky também demonstrou otimismo, afirmando que a representatividade de gênero tende a se tornar irrelevante com o tempo, à medida que a natureza descentralizada do setor promove igualdade de forma orgânica: “Cripto, IA e tecnologia são, por essência, ambientes neutros em relação ao gênero. Conforme tudo evolui, acredito que a diversidade se tornará norma — não exceção.”
Conselhos para quem está começando
Emmy Delfin incentivou as mulheres a superarem o medo inicial, usando ferramentas acessíveis para aprender, como eventos do setor e recursos online. O consenso entre as painelistas foi claro: comparecer, perguntar e se envolver são passos fundamentais para uma carreira de sucesso na tecnologia.
“A todas as mulheres, meu conselho é: explorem as oportunidades na tecnologia sem medo. A maior barreira, muitas vezes, somos nós mesmas. Por isso, enfrentem a insegurança e se conectem conosco. Estamos aqui para orientar e apoiar quem deseja fazer parte dessa indústria dinâmica,” disse Delfin.
Aya De Quiroz, que migrou do esporte para a tecnologia aos 17 anos, aconselhou outras mulheres a se prepararem para encontrar resistência, mas a manterem o foco no desenvolvimento das próprias habilidades:
“Buscar conhecimento com coragem e sem vergonha define o ritmo da jornada.”
À medida que as indústrias de blockchain e tecnologia continuam a evoluir, uma mensagem se destacou entre todas as falas: o futuro se constrói com comunidade, troca de experiências e aprendizado contínuo.
Chantel Elloway resumiu perfeitamente o espírito do painel durante o Philippine Blockchain Week 2025: “Não somos moldadas pela tecnologia — nós é que a moldamos. E o mais bonito é que, ao aparecer, aprender e agregar valor, já estamos transformando esse jogo. Comunidade é tudo. E juntas, estamos definindo o futuro da tecnologia.”


