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Novas regras da UKGC elevam multas baseadas na GGY para 15%

David Gravel
Escrito por David Gravel

A Comissão de Apostas do Reino Unido (UKGC) acaba de romper com o passado. Em uma das maiores reformulações de seu sistema de multas em quase uma década, o órgão regulador está deixando de lado as advertências vagas e finalmente oferecendo aos operadores algo concreto para interpretar. A partir de 10 de outubro de 2025, operadores licenciados que violarem suas obrigações poderão enfrentar sanções financeiras significativas. Nos casos mais graves, as multas poderão ultrapassar 15% da Receita Bruta de Jogos (GGY), conforme comunicado oficial da Comissão. Nada de bolas de cristal ou recados cifrados — a UKGC quer punições que falem por si, com números claros que conectem diretamente a infração ao impacto financeiro.

O anúncio, publicado no site da própria Comissão, veio após uma ampla consulta pública iniciada no fim de 2023, que recebeu 29 respostas formais de líderes do setor, especialistas jurídicos e defensores dos direitos dos consumidores. O novo modelo funciona como uma escada: sete etapas a seguir, cinco níveis de gravidade e nenhuma dúvida sobre até onde a queda pode chegar. A partir de agora, a gravidade da violação será calculada com base na GGY do operador durante o período de descumprimento — substituindo a ambiguidade por uma metodologia financeira estruturada.

Embora a Comissão apresente a mudança como um avanço necessário em transparência, muitos operadores agora se veem diante de um verdadeiro campo minado de consequências financeiras, operacionais e reputacionais enquanto tentam se adaptar às novas regras.

As principais mudanças do modelo estruturado de penalidades incluem:

No centro dessa mudança está a transição do achismo para um processo estruturado em sete etapas. Uma fórmula de penalidade simples substitui agora decisões vagas e avaliadas caso a caso. Os principais pontos do modelo de penalidade estruturada incluem:

  • Devolução dos lucros obtidos por meio de condutas em desacordo com as regras
  • Escala de cinco níveis de gravidade, proporcional à GGY do operador durante o período da infração
  • Ajustes variáveis com base em fatores agravantes e atenuantes, como ocultação ou envolvimento da gestão
  • Acréscimo de efeito dissuasivo para garantir que a multa supere qualquer benefício financeiro da infração
  • Descontos por resolução antecipada para operadores que colaborarem prontamente com investigações
  • Avaliação de capacidade financeira para evitar penalidades desproporcionais a operadores de menor porte
  • Verificação final de proporcionalidade para assegurar que a penalidade seja justa e razoável

As penalidades de nível 5 começarão em 10% da GGY, podendo ultrapassar os 15% nos casos mais graves. Em comparação, as diretrizes anteriores — atualizadas pela última vez em 2021 — não apresentavam parâmetros financeiros claros baseados na GGY.

Operadores de loterias sociais, jogos beneficentes ou detentores de licenças pessoais estão isentos das multas baseadas em GGY. Para esses casos, será aplicada uma fórmula de cálculo distinta, considerada mais adequada aos seus modelos de negócio.

De reclamações à clareza — mas será suficiente?

A atualização da UKGC é, em parte, uma resposta às críticas recorrentes da indústria. Entre agosto de 2021 e julho de 2023, quase metade das empresas penalizadas contestaram não a culpa, mas a falta de clareza nos cálculos e a lógica por trás das decisões. O novo processo pretende resolver isso com critérios públicos e lógica passo a passo. Mas, mesmo com mais transparência, ainda há margem para subjetividade.

Especialistas jurídicos alertam que a escala de cinco níveis — que vai de 0,99% da GGY para infrações leves até 15% ou mais para as mais graves — ainda pode ser alvo de interpretações distintas.

Fatores como prejuízo ao consumidor, tentativa de ocultar a violação e envolvimento da alta gestão continuam sujeitos a julgamento subjetivo. Com a GGY no centro do novo modelo, mesmo pequenas infrações podem acarretar multas milionárias para operadores de grande porte.

O desconto por resolução antecipada pode aliviar parte da pressão, mas, para empresas menores, o custo de conformidade necessário para evitar uma penalidade pode ser inacessível.

Foco na capacidade financeira e tendências regulatórias mais amplas

O foco da UKGC na capacidade financeira vai além do sistema de multas. A Comissão está atualmente testando verificações de risco financeiro, com o objetivo de avaliar a vulnerabilidade dos clientes de forma proporcional. Esse tema foi abordado em uma reportagem recente da SiGMA News, que detalha o piloto das verificações de acessibilidade e como ele se cruza com os sistemas dos operadores.

Tanto na proteção do consumidor quanto na aplicação de penalidades, o órgão regulador está adotando modelos ponderados por risco. Na prática, isso exige que os operadores desenvolvam novas capacidades analíticas — não só para estimar o gasto do jogador, mas também para prever o nível de exposição a penalidades conforme a gravidade de cada infração.

Esse modelo, embora racional em teoria, impõe grandes desafios a empresas de pequeno e médio porte, já pressionadas por custos com white labels, integrações tecnológicas e exigências regulatórias.

A implementação se aproxima — o sistema está pronto?

A nova estrutura de penalidades entra em vigor em 10 de outubro de 2025, dando aos operadores apenas três meses para se preparar. Mas colocar em prática o modelo de sete etapas da UKGC exigirá:

  • Monitoramento em tempo real da GGY durante o período da infração
  • Ferramentas avançadas de modelagem de risco jurídico
  • Protocolos internos para classificar a gravidade das infrações
  • Coordenação entre áreas para assegurar conformidade
  • Treinamento contínuo das equipes

Muitos sistemas legados simplesmente não foram projetados para operar com esse nível de detalhamento. Operadores que ainda dependem de equipes isoladas de compliance ou planilhas básicas terão uma curva de aprendizagem íngreme. Empresas de RegTech podem se beneficiar da demanda, mas também precisarão agir rápido para apoiar os novos requisitos.

Outro ponto de atenção é a própria capacidade da Comissão. Para que o modelo funcione de forma eficaz, o time interno de fiscalização da UKGC precisará aplicar os critérios de forma coerente e uniforme.

Qualquer inconsistência nas decisões pode comprometer a transparência que a reforma busca alcançar.

Reputação, risco e a reconstrução da confiança pública

Apesar dos desafios, a nova abordagem tem um potencial positivo evidente. Multas mais firmes e previsíveis podem ajudar a restaurar a credibilidade do ambiente regulatório do Reino Unido, num momento em que a pressão política por responsabilidade social é intensa e as falhas de grandes marcas seguem sob escrutínio constante da mídia.

Ao vincular penalidades diretamente à receita e publicar uma escala de gravidade, a UKGC está construindo um sistema que responsabiliza quem causa danos e valoriza quem atua com responsabilidade. Isso representa um ganho reputacional — não apenas para o órgão regulador, mas também para os operadores dispostos a se adaptar.Ainda assim, como mostramos em uma análise recente da SiGMA News sobre a estratégia de dados da UKGC, essa mudança regulatória mais ampla depende de uma infraestrutura confiável e da cooperação entre os agentes do setor.

Dissuasão ou perigo? O que esperar do futuro

Com a aproximação de outubro, os operadores enfrentam uma questão delicada: as novas regras promoverão uma fiscalização mais justa e coerente — ou apenas aumentarão o risco de penalizações severas?

A resposta provavelmente dependerá do equilíbrio que o setor conseguir alcançar entre investimentos em prevenção e o temor das punições. O que já está claro, porém, é que a era da fiscalização vaga e subjetiva chegou ao fim.

Com a GGY agora integrada à fórmula de cálculo e penalidades de 15% deixando de ser mera hipótese, o setor de apostas do Reino Unido precisa evoluir — não apenas para cumprir as regras, mas para continuar existindo.

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