Duas investigações federais envolvendo a plataforma de previsões baseada em criptoativos Polymarket foram oficialmente encerradas, marcando uma mudança na forma como os reguladores dos Estados Unidos vêm lidando com empresas do setor sob a administração do presidente Donald Trump. Segundo a Bloomberg, tanto o Departamento de Justiça (DoJ) quanto a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) decidiram encerrar os processos envolvendo a empresa.
As investigações haviam sido abertas durante o governo Biden e se concentravam em dois pontos principais: se a Polymarket permitia que usuários dos EUA fizessem apostas em desacordo com as restrições regulatórias e se facilitava negociações não autorizadas relacionadas à eleição presidencial de 2024.
Investigações iniciadas sob Biden miravam apostas e eleições
O encerramento dos processos reflete uma guinada mais ampla na política regulatória do país. Sob Biden, o DoJ e a CFTC conduziram apurações separadas para investigar se a plataforma estava permitindo apostas em eventos políticos e do mundo real por usuários americanos, apesar de um acordo anterior que exigia o bloqueio de acesso a esses usuários.
Segundo a Bloomberg, neste mês, ambas as agências informaram à Polymarket que as investigações estavam oficialmente concluídas. Nem os representantes da empresa nem os órgãos reguladores comentaram publicamente.
Operação do FBI e pressão legal
As investigações ganharam força após as eleições de novembro de 2024. Uma semana depois do pleito, agentes do FBI invadiram a cobertura de Shayne Coplan, CEO da Polymarket, de 27 anos, em Nova York. Durante a operação, realizada de madrugada, o celular de Coplan foi apreendido — episódio que gerou fortes reações na comunidade cripto.
Coplan se manifestou publicamente, classificando a ação como uma “última tentativa desesperada” de perseguir empresas consideradas contrárias ao governo Biden. A suspeita era de que a Polymarket ainda permitia apostas de usuários dos EUA por meio de redes privadas virtuais (VPNs), mesmo tendo se comprometido anteriormente a impedir esse tipo de acesso.
Histórico regulatório da Polymarket
Em janeiro de 2022, a Polymarket já havia fechado um acordo com a CFTC. O órgão, que regula plataformas de previsão com contratos vinculados a eventos — semelhantes a derivativos —, acusava a empresa de operar sem o devido registro. Na época, a Polymarket aceitou restringir o acesso de usuários baseados nos Estados Unidos.
A investigação mais recente da CFTC focava justamente em apurar se a plataforma estava cumprindo esse compromisso. Paralelamente, promotores do DoJ em Manhattan também analisavam possíveis violações relacionadas à atividade de usuários americanos.
Governo Trump adota postura mais aberta ao setor cripto
O arquivamento dos processos ocorre em um momento em que a Casa Branca, sob Trump, adota uma postura mais favorável ao setor cripto. O governo apoia uma série de propostas legislativas para fortalecer os ativos digitais, e o Congresso deve votar nesta semana novas regras que podem redefinir o cenário regulatório das criptomoedas nos EUA.
O período, apelidado informalmente de “Semana Cripto” em Washington, foi recebido com entusiasmo por empresas do setor. A mudança de tom também impulsionou o preço do Bitcoin, que atingiu níveis recordes.
Polymarket avalia retorno ao mercado americano
Com o fim das investigações, a Polymarket avalia maneiras de voltar a operar legalmente nos Estados Unidos. Entre as possibilidades estão o registro junto à CFTC como mercado de contratos designado ou a aquisição de uma empresa já licenciada pelo órgão.
Enquanto isso, a Polymarket continua sua expansão global e reportou um volume de negociações de aproximadamente US$ 2,6 bilhões em novembro de 2024. O crescimento da plataforma no mercado de previsões também atraiu investidores de peso. Um dos principais apoiadores é o Founders Fund, fundo liderado pelo bilionário Peter Thiel.
Influência crescente do setor
Recentemente, a Polymarket firmou parceria com a plataforma X, de Elon Musk, e com sua empresa de inteligência artificial, a xAI. O acordo busca integrar previsões de eventos diretamente na rede social, ampliando a visibilidade da plataforma de apostas.
Enquanto isso, a divisão cripto da Andreessen Horowitz (a16z) também tem ganhado espaço em Washington. Brian Quintenz, ex-comissário da CFTC e atual conselheiro da Kalshi — concorrente direta da Polymarket — foi indicado para presidir a CFTC sob Trump. A nomeação indica que os mercados de previsão devem receber atenção especial na agenda regulatória dos próximos anos.




