Ainda que menos pessoas estejam frequentando cassinos nos Estados Unidos, os números mostram que o setor continua firme e forte como sempre. As receitas continuam estáveis, isso porque os jogadores têm gastado mais em suas visitas.
Segundo um relatório da Jefferies Equity Research, em agosto de 2025 os cassinos norte-americanos registraram uma queda de 5,4% no número de visitantes em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Esse dado faz parte de uma tendência de redução de tráfego que vem desde antes da pandemia. Em agosto de 2025, a visitação ficou 17,5% abaixo dos níveis de agosto de 2019. Apesar disso, uma queda menos grave foi registrada em julho, de cerca de 10,1% em comparação com julho do ano anterior, e é vista como uma exceção pelos analistas.
Receitas mantidas
Embora menos pessoas estejam frequentando os cassinos, as receitas brutas de jogos (gross gaming revenue) não sofreram qualquer alteração. O motivo principal é que quem vai ao cassino está gastando mais por visita. A Jefferies também destacou no relatório algumas melhorias operacionais que ajudam a compensar a menor visitação.
Como podemos ver, o setor está passando por uma fase de ajuste no pós-pandemia, onde volume de visitantes ainda não retomou completamente como era antes, mas a lucratividade é mantida por outros fatores.
Mas nem todos os mercados estão se comportando da mesma maneira. Alguns estados têm superado os níveis pré-Covid em visitação. Outros estão tentando evitar o prejuízo das fortes quedas em seus números. Veja um resumo dos principais casos dos EUA:
- Pensilvânia: registrou em agosto de 2025 uma receita de jogo de US$ 582,3 milhões, a segunda maior da história mensal do estado. Em comparação com agosto de 2019, o tráfego/visitação no estado estava 18,8% acima desse nível pré-pandemia.
- Illinois: Illinois sofreu grandes quedas comparado a agosto de 2019. O estado estava cerca de 19,6% abaixo dos níveis de visitação pré-pandemia.
- Atlantic City / Nova Jersey: a visitação está cerca de 20,7% abaixo dos níveis de agosto de 2019.
- Black Hawk, Colorado: A cidade de Black Hawk registrou um aumento de aproximadamente 5% no tráfego/visitação em agosto, em comparação ao ano anterior. Parte desse crescimento é atribuída à abertura da propriedade do Monarch Casino Resorts, em 2022.
O analista David Katz, da Jefferies, comenta que os cassinos regionais tendem a estar em posição mais favorável para crescimento no curto prazo do que Las Vegas, principalmente porque o tráfego na Strip permanece com expectativas modestas até que aconteça alguma aceleração no fim de 2025.
Entre as empresas que parecem estar mais bem preparadas para esse cenário estão as principais:
- Penn Entertainment: com remodelações em Illinois e Ohio.
- Churchill Downs: expansão com novas propriedades em Kentucky, Virgínia e New Hampshire.
Cenário geral e perspectivas
O setor de cassinos vive hoje algo como uma “nova normalidade” pós-Covid. A visitação está abaixo dos níveis de 2019 em muitos mercados. Porém, as receitas estão se sustentando por meio da mudança de comportamento dos jogadores, que estão gastando mais e novos empreendimentos e reformas.
Las Vegas, que costuma servir como referência, está sendo comparada desfavoravelmente com mercados regionais, que em muitos casos estão performando melhor e até se recuperando mais rapidamente. Para Las Vegas, é esperado que alguma aceleração aconteça apenas no final de 2025, segundo Katz, ligado a movimentações (“group slate”) de eventos, aumento de turismo e possivelmente promoções que estimulem a volta de visitantes.
Então, ainda que haja motivo para preocupação com a queda na visitação aos cassinos nos Estados Unidos, os dados mais recentes indicam que o setor não está em uma crise catastrófica. As receitas continuam relativamente fortes, apoiadas por mudanças estratégicas dos operadores, que investem em reformas, novas propriedades e na captação de públicos mais dispostos a gastar mais por visita.



