Regulação baseada em dados é fundamental para o crescimento do iGaming na África, afirma NLGRB
A indústria de jogos da África, que segue em rápida expansão, precisa de uma regulamentação mais inteligente, maior cooperação entre países e um uso mais amplo da inteligência artificial (IA) para sustentar seu crescimento e preservar a confiança do público. Essa é a avaliação de Dennis Mudene Ngabirano, CEO do Conselho Regulador de Loterias e Jogos de Uganda (National Lotteries and Gaming Regulatory Board – NLGRB).
Falando à SiGMA News, Ngabirano afirmou que os reguladores precisam ir além dos modelos tradicionais de fiscalização e adotar mecanismos de supervisão baseados em tecnologia para acompanhar um setor cada vez mais digitalizado. Seus comentários surgem em um momento de forte expansão do iGaming no continente africano. Segundo o Relatório de Mercado SiGMA África 2026, baseado em dados da plataforma de inteligência de mercado Blask referentes ao período entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, os mercados regulamentados representam aproximadamente entre 85% e 90% do engajamento mensurável e entre 80% e 85% da receita estimada em toda a África.
A África do Sul continua sendo o maior mercado regulamentado de jogos do continente, registrando um pico de índice de engajamento em torno de 90,7 milhões e receita mensal superior a US$ 215 milhões. Nigéria, Tanzânia, Quênia e Uganda também figuram entre as principais jurisdições regulamentadas da região.
Ngabirano acredita que os reguladores podem incentivar a inovação sem comprometer a supervisão ao direcionar recursos para as áreas que apresentam maiores riscos. “A adoção de uma regulação baseada em risco nos ajudará a equilibrar a indústria de jogos”, afirmou. “É preciso concentrar os esforços nos operadores de alto risco, permitindo que os operadores com menor risco ou que já estejam em conformidade atuem com menos barreiras.”
Segundo ele, essa abordagem favorece a sustentabilidade de longo prazo e permite que os reguladores concentrem seus esforços nos desafios mais urgentes. “Basicamente, você promove a sustentabilidade da indústria de jogos e garante que as atenções estejam voltadas para os problemas mais relevantes.”
Uganda combate operadores ilegais por meio do rastreamento de pagamentos
Os operadores online ilegais e as redes de máquinas caça-níqueis sem licença continuam entre os maiores desafios enfrentados pelos reguladores africanos. Em Uganda, Ngabirano afirmou que as autoridades desenvolveram estratégias de fiscalização focadas no monitoramento financeiro e na cooperação entre diferentes órgãos governamentais.
“O que fazemos é seguir o dinheiro”, explicou.
Como praticamente todas as transações de jogos online em Uganda são realizadas por meio de serviços de dinheiro móvel (mobile money), os reguladores conseguem identificar agregadores de pagamento vinculados a operadores ilegais. “Quando identificamos uma empresa online ilegal, realizamos uma transação e seguimos o fluxo do dinheiro.”
O órgão regulador trabalha em conjunto com a Comissão de Comunicações de Uganda, o Banco de Uganda e os provedores de serviços de mobile money para bloquear plataformas irregulares.
O desafio vai além do ambiente online. Segundo Ngabirano, operadores ilegais de caça-níqueis frequentemente importam equipamentos de jogo declarados como peças de reposição e posteriormente realizam a montagem local das máquinas.
Para combater essa prática, o regulador atua em parceria com a Autoridade Tributária de Uganda e com a Polícia Nacional para interceptar equipamentos e apreender máquinas ilegais já em operação.
“Até o momento, já confiscamos mais de 7 mil equipamentos de jogo ilegais”, revelou. As máquinas apreendidas são posteriormente destruídas em parceria com a National Enterprise Corporation.
“Nosso foco é colaborar com outras agências governamentais e instituições que possam nos apoiar na fiscalização dessas empresas.”
IA deve transformar a regulamentação de reativa para proativa
Ngabirano afirmou que os reguladores africanos precisam abraçar a inteligência artificial e ferramentas avançadas de análise de dados para acompanhar a rápida digitalização da indústria. “Não há debate sobre a necessidade de aproveitarmos a IA e todas essas tecnologias disruptivas para regular a indústria de jogos.”
De acordo com o Relatório de Mercado da SiGMA Africa, a África Oriental consolidou-se como um dos principais polos de jogos do continente. Tanzânia, Quênia e Uganda figuram entre os mercados africanos de maior destaque tanto em engajamento quanto em receita, impulsionados principalmente pelo comportamento de apostas centrado em dispositivos móveis.
Para Ngabirano, os reguladores precisam utilizar as mesmas ferramentas tecnológicas empregadas pelos operadores.
“Esta é uma indústria impulsionada por tecnologia da informação e comunicação”, afirmou. “Os operadores utilizam sistemas para oferecer seus serviços e, como reguladores, também precisamos adotar sistemas e tecnologias que nos permitam monitorar o setor em tempo real.”
Segundo ele, uma supervisão baseada em dados permitirá que as autoridades tomem decisões mais rápidas e bem fundamentadas. “Precisamos deixar para trás a regulamentação reativa e avançar para uma regulamentação proativa.”
Uganda já começou a implementar sistemas com recursos de inteligência artificial para fortalecer as iniciativas de jogo responsável. “Já estamos implementando algumas plataformas habilitadas por IA que nos ajudam a compreender o comportamento dos jogadores”, explicou Ngabirano.
“Essas informações orientam nossos controles de jogo responsável.”
Regulador defende maior alinhamento regulatório em toda a África
Ngabirano também pediu que os reguladores africanos avancem na adoção de padrões comuns nas áreas técnica e de jogo responsável, com o objetivo de aumentar a transparência e atrair mais investimentos para o setor. “Precisamos concordar com a adoção de padrões semelhantes”, afirmou.
“Especialmente em padrões técnicos, padrões operacionais da indústria de jogos e padrões de jogo responsável.”
Para Ngabirano, a harmonização regulatória e uma fiscalização apoiada por tecnologia serão fatores decisivos para que os países africanos capturem mais valor econômico sem comprometer a confiança da sociedade.
“Precisamos focar na automação dos sistemas que nos ajudam a regular o setor”, concluiu. “Precisamos de tecnologias que nos permitam monitorar a indústria em tempo real e tomar decisões fundamentadas em dados.”
De 15 a 17 de fevereiro de 2027, a SiGMA Africa reunirá reguladores, operadores, afiliados e investidores para três dias de networking, inovação e debates que ajudarão a definir os rumos da indústria. Junte-se aos profissionais que estão moldando o futuro do setor de jogos na África.




