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Traders da Polymarket lucram em meio à turbulência na Venezuela

Anchal Verma
Escrito por Anchal Verma
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Polymarket, plataforma de previsões baseada em blockchain, voltou a ampliar os limites do trading orientado por eventos ao abrir mercados que permitem aos usuários especular sobre conflito militar e colapso político na Venezuela. As listagens — que incluem mercados sobre envolvimento militar dos Estados Unidos e a remoção do presidente Nicolás Maduro — ganharam tração à medida que as tensões aumentaram e foram ativamente negociadas no período que antecedeu a operação dos EUA. O movimento reacendeu o debate sobre se apostas em conflitos armados deveriam ou não ser permitidas em mercados públicos de previsão.

Lançada em 2020, a Polymarket permite que usuários apostem em resultados “sim” ou “não” de eventos do mundo real. No início de novembro de 2025, a plataforma também listou um mercado que possibilitava apostas sobre a probabilidade de um confronto militar entre Índia e Paquistão antes de 2026. O mercado foi ao ar pouco depois do atentado com carro-bomba próximo ao Forte Vermelho, em Délhi, em 10 de novembro de 2025, que deixou ao menos 13 mortos e mais de 20 feridos.

Traders apostam milhões na Venezuela

Os traders da Polymarket movimentaram milhões de dólares em mercados relacionados à Venezuela, especialmente aqueles ligados à saída de Maduro do poder e ao envolvimento militar dos Estados Unidos. Diversos mercados que previam se Maduro deixaria o cargo até prazos específicos registraram mudanças dramáticas, com probabilidades implícitas saltando de percentuais de um dígito para mais de 99% em poucas horas após a operação se tornar pública.

Mercados atrelados a um eventual engajamento militar entre EUA e Venezuela passaram a ser negociados com probabilidade próxima da certeza, refletindo a forte convicção dos traders de que algum tipo de ação já ocorreu ou será formalmente reconhecida. Os volumes negociados nesses mercados variaram de aproximadamente US$ 926 mil a quase US$ 3 milhões, evidenciando a profundidade de capital e liquidez alocadas.

(Fonte: Polymarket)

Em contraste, cenários de escalada mais extrema — como uma invasão formal dos Estados Unidos ou uma declaração oficial de guerra — continuaram a ser negociados com probabilidades relativamente baixas, geralmente entre 2% e 9%. Já mercados auxiliares relacionados a apreensões marítimas, operações de interdição de drogas e atividades de navegação ligadas à Venezuela apresentaram probabilidades moderadas, na faixa de 50% a 66%, indicando a expectativa de ações contínuas, porém controladas.

Alguns pesquisadores afirmam que esses mercados frequentemente refletem mais o sentimento especulativo do que previsões com base concreta. “Quando as pessoas começam a apostar em guerras, perdemos de vista o custo humano desses conflitos”, afirmou Ananay Jain, especialista em políticas públicas e direito dos jogos da Grant Thornton Bharat LLP, em entrevista anterior à SiGMA News. “Esses mercados podem parecer uma forma de quantificar probabilidades, mas, na prática, monetizam o medo. A questão legal acaba sendo secundária em relação à moral: um conflito deveria mesmo ser reduzido a um evento negociável?”

(Fonte: Polymarket)

Uma aposta de US$ 30 mil vira um ganho de US$ 400 mil

O escrutínio se intensificou após a revelação de que uma conta recém-criada na Polymarket realizou apostas expressivas sobre a saída de Maduro pouco antes da operação dos EUA. No fim de dezembro de 2025, a conta investiu mais de US$ 30 mil em mercados que previam que Maduro deixaria o cargo até 31 de janeiro de 2026, quando a probabilidade implícita era considerada extremamente baixa.

Quando as forças norte-americanas capturaram Maduro e sua esposa em sua residência, no sábado, o trader obteve um retorno líquido de US$ 436.759,61 — um lucro superior a US$ 400 mil em menos de uma semana. O resultado representou uma valorização de mais de 1.200% sobre o valor inicialmente apostado.

O empreendedor e investidor Joe Pompliano comentou o caso nas redes sociais, afirmando que “o uso de informação privilegiada não só é permitido em mercados de previsão; ele é incentivado”. A declaração se espalhou rapidamente, enquanto críticos passaram a questionar se plataformas desse tipo conseguem operar de forma justa durante eventos geopolíticos sensíveis.

A conta havia sido criada menos de uma semana antes da captura de Maduro e parecia negociar exclusivamente mercados relacionados à sua remoção do poder e a ações militares dos EUA contra a Venezuela. Várias apostas foram feitas dentro de um intervalo de 24 horas antes da prisão, intensificando as especulações sobre um possível acesso a informações não públicas.

No momento em que as apostas foram realizadas, a Polymarket atribuía apenas 5,5% de probabilidade à captura de Maduro até 31 de janeiro. Já a plataforma concorrente Kalshi estimava em cerca de 7% as chances de o presidente deixar o cargo antes de fevereiro. Essas probabilidades tão baixas chamaram atenção diante da precisão do posicionamento e do timing do trader.

O episódio alimentou preocupações mais amplas sobre o uso de informação privilegiada e a assimetria informacional em mercados de previsão. Analistas e comentaristas online destacaram comportamentos atípicos on-chain, incluindo compras concentradas feitas por carteiras recém-criadas e focadas exclusivamente em mercados relacionados à Venezuela.

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