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25 milhões de brasileiros apostam ativamente no Brasil, diz estudo 

Julia Moura
Escrito por Julia Moura

O Brasil entrou em 2025 mostrando que o universo das apostas deixou de ser tendência para se tornar um fenômeno de verdade. Os dados mais recentes divulgados pela Pay4Fun, a pedido ao Ministério da Fazenda pela Lei de Acesso à Informação, confirmam aquilo que as próprias plataformas já sentiam no dia a dia. O país hoje possui 25 milhões de apostadores ativos, um número capaz de lotar mais de 300 estádios do Maracanã ao mesmo tempo. 

Mas não é só a quantidade de apostadores que chama atenção. Esses números ajudam a desenhar o primeiro retrato preciso da era regulatória brasileira, que ainda está em fase de ajustes, mas já movimenta valores capazes de alterar prioridades, redefinir orçamentos públicos e levantar debates sociais importantes. 

O perfil do apostador brasileiro 

Do total registrado entre janeiro e setembro de 2025, 68,3% dos apostadores são homens e 31,7% são mulheres. Embora os dados por faixa etária ainda não tenham sido divulgados (a Secretaria de Prêmios e Apostas disse que o detalhamento exigiria tratamento adicional fora do prazo legal) especialistas apontam que a participação feminina cresce mais e mais a cada ano que passa, principalmente em modalidades como bingo online, cassino ao vivo e jogos de estratégia. 

A ausência dos dados por idade, porém, não impede que o cenário geral do setor seja claro, o apostador brasileiro não faz mais parte aquele estereótipo clássico de “jogador ocasional de futebol”. Ele está conectado, é multitela, pesquisa odds, segue tipsters, usa ferramentas de análise e tem acesso a um mercado que deixou de ser marginal para ocupar manchetes, órgãos públicos, eventos e até debates políticos. 

R$ 27,7 bilhões de GGR 

Se a base de usuários impressiona, o volume financeiro movimentado causa um impacto ainda maior. Apenas no período da pesquisa, as operadoras autorizadas somaram R$ 27,7 bilhões em GGR (Gross Gaming Revenue), o indicador que calcula a receita das empresas após o pagamento dos prêmios. Sobre esse montante, a alíquota federal de 12% garantiu ao governo R$ 3,327 bilhões. Para um mercado recém-regulamentado, esse número mostra uma capacidade quase imediata de arrecadação, algo raro em setores que passam por tantas transições estruturais. 

E o mais relevante é que esse dinheiro já está circulando dentro de áreas consideradas prioritárias para o Estado. Apesar de as apostas serem frequentemente associadas ao universo esportivo, a dimensão da fatia destinada ao setor ainda chama atenção. R$ 1,22 bilhão foi direto para programas e iniciativas ligadas ao esporte. O turismo aparece logo atrás, com R$ 953 milhões, um sinal de que o governo quer fortalecer indústrias que têm efeito multiplicador sobre emprego, eventos e fluxo internacional. Outros setores receberam valores menores, mas relevantes. Veja abaixo: 

  • Segurança Pública: R$ 461,7 milhões 
  • Seguridade Social: R$ 347,3 milhões 
  • Educação: R$ 342,1 milhões 
  • Saúde: R$ 34,5 milhões 
  • Sociedade Civil: R$ 16,9 milhões 
  • FUNAPOL: R$ 18,3 milhões 
  • ABDI: R$ 13,6 milhões 

O valor destinado à saúde foi relativamente baixo e levantou algumas críticas entre os especialistas do setor, ainda mais quando consideramos que o próprio governo já reconhece os potenciais impactos sociais relacionados ao vício em jogos, um tema que tem sido muito discutido desde que o iGaming começou crescer exponencialmente no Brasil. 

O setor é lucrativo, movimenta a economia e ganha cada vez mais espaço na vida do brasileiro, isso é fato. Mas existe um outro lado da moeda, estudos apontam que os problemas relacionados às apostas, como o vício, o endividamento e questões de saúde mental, podem custar quase R$ 40 bilhões por ano ao país quando se consideram atendimentos médicos, perda de produtividade, insegurança habitacional e até impactos em criminalidade. Ou seja, ganha-se de um lado, perde-se de outro. 

Regulação em construção 

A chegada da regulamentação não foi exatamente suave. Nos primeiros meses do novo sistema, as plataformas sofreram uma queda considerável nas transações, mais de 70% em janeiro e mais de 90% em fevereiro, segundo dados oficiais divulgados anteriormente sobre o comportamento do mercado. Foi uma espécie de choque regulatório, bancos, operadoras, provedores e gateways tiveram que se adaptar simultaneamente, em um prazo apertado, com regras novas, checagens mais rígidas e atenção redobrada da SPA. A partir de março, porém, o setor começou a se reequilibrar, e os números de agora mostram que o reajuste funcionou. 

Mas, se de um lado o setor legal avança, do outro o mercado clandestino ainda se mantém vivo e plenamente ativo. Muitas plataformas sem a licença federal continuam atraindo apostadores com bônus agressivos, ausência de tributação e sistemas mais flexíveis. Estudos publicados recentemente indicam que, em determinados períodos de 2025, o volume movimentado por sites ilegais chegou a se igualar ao das plataformas reguladas, porém, sem a obrigação de pagar os devidos tributos. 

Esse é um problema que afeta tanto a arrecadação dos tributos, quanto a credibilidade do setor. E, claro, coloca o consumidor em risco, sem garantias, sem segurança jurídica e sem suporte adequado. 

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