Skip to content

A oportunidade da África de liderar a regulamentação do setor de jogos de forma diferente

Garance Limouzy
Escrito por Garance Limouzy
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A indústria de jogos na África vive um momento de forte expansão, mas a regulamentação pode ser o fator decisivo para consolidar a credibilidade do setor no longo prazo. O continente agora tem a oportunidade de construir confiança antes que o crescimento avance mais rápido do que a capacidade de supervisão regulatória. Recentemente, a African iGaming Alliance (AiA) compartilhou sua visão para o mercado por meio das redes sociais: “Não ser o maior. Nem o mais barulhento. Mas o mais confiável.”

A organização descreveu um mercado no qual os jogadores estejam protegidos, os governos obtenham receitas sustentáveis e a inovação opere dentro de regras claras. A Alliance também destacou a importância de estruturas voltadas ao jogo responsável e à segurança para investidores no longo prazo. “A África possui uma vantagem que muitos mercados maduros já perderam: a chance de construir um modelo mais inteligente desde o início”, afirmou a entidade.

Construindo uma regulamentação moderna desde o começo

Diversos mercados africanos ainda operam sob estruturas regulatórias ultrapassadas para o setor de apostas e gaming, criando lacunas em fiscalização e proteção ao consumidor. No entanto, esse atraso agora oferece aos reguladores uma oportunidade maior de modernizar seus modelos de maneira mais eficiente.

“Não estamos presos a sistemas antigos. Podemos dar um salto direto para uma regulamentação moderna que equilibre crescimento, integridade e segurança do consumidor. A verdadeira oportunidade não é copiar outros mercados. É liderar de forma diferente”, afirmou a AiA em sua publicação.

Representantes da indústria acreditam que identidade e localização serão fatores centrais nessa transformação. Markus H., fundador da BRANDING.BET, apoiou o posicionamento da Alliance após a publicação. “Se a África vai liderar de forma diferente, identidade será mais importante do que nunca”, comentou Markus.

Em várias regiões do continente, alguns mercados já demonstram como regulamentações modernas podem estimular o crescimento da indústria ao mesmo tempo em que fortalecem a proteção aos consumidores. África do Sul e Quênia, por exemplo, vêm implementando reformas e iniciativas voltadas ao aumento da supervisão, melhoria da conformidade regulatória e criação de ambientes de gaming mais sustentáveis.

Quênia aposta em estabilidade de longo prazo

O Quênia introduziu recentemente mudanças regulatórias relevantes por meio do Gambling Control Act 2025. A nova legislação substituiu o antigo Betting, Lotteries and Gaming Act de 1966, após décadas de crescimento da indústria.

O novo marco regulatório passou a conceder licenças de três anos, automaticamente renováveis para operadores de apostas e gaming. Segundo a Gambling Regulatory Authority do Quênia, as mudanças têm como objetivo melhorar a governança, a rastreabilidade das receitas e a supervisão de compliance. Períodos mais longos de licenciamento também oferecem maior previsibilidade operacional para empresas do setor que investem em infraestrutura e sistemas de jogo responsável.

África do Sul busca equilíbrio entre inovação e proteção

A África do Sul segue demonstrando como a inovação regional pode caminhar junto de uma supervisão nacional mais robusta. O Western Cape Gambling and Racing Board tornou-se um dos principais modelos regulatórios do continente.

Segundo reportagens anteriores da SiGMA News, em 2025 a região de Western Cape respondeu por 31% do mercado de gaming online sul-africano, gerando receitas de ZAR 18,79 bilhões (US$ 1,08 bilhão) em apostas.

O sistema de “licença sob demanda” da província permite que operadores de apostas online atuem sem a necessidade de pontos físicos de atendimento. Essa abordagem acompanha a mudança no comportamento dos consumidores em direção às plataformas digitais de jogos de azar.

Em nível nacional, o National Gambling Board da África do Sul aumentou a fiscalização sobre publicidade de apostas e campanhas com influenciadores voltadas ao público jovem. O regulador também passou a trabalhar em conjunto com órgãos de comunicação e provedores de internet para combater operadores offshore não licenciados.

Colaboração substitui confrontos

Os reguladores africanos parecem cada vez mais focados em uma supervisão coordenada, em vez de ações isoladas de fiscalização. Essa mudança ficou evidente durante o primeiro fórum da African Lotteries and Gaming Association (ALGA).

Representantes de 23 países africanos participaram de debates sobre jogo responsável e desafios regulatórios compartilhados. “O gambling já gera empregos e sustenta meios de subsistência, e isso exige um ambiente regulatório alinhado às realidades do continente”, afirmou Sebina Hlapolosa, presidente da ALGA.

Enquanto isso, a African Gaming Regulators Association segue defendendo a criação de regulamentações padronizadas que apoiem a inovação tecnológica sem comprometer a integridade do mercado.

A mensagem da AiA foi direta: se os reguladores africanos conseguirem proteger os jogadores, combater operadores ilegais e fortalecer práticas de jogo responsável, a regulamentação poderá se tornar o principal diferencial competitivo da África na indústria global de jogos.

Vá além de apenas observar o mercado. Suba ao palco, participe como palestrante na SiGMA, compartilhe sua visão e construa conexões relevantes que ajudarão a moldar o futuro do iGaming.