Novos dados da Associação Americana de Jogos (American Gaming Association – AGA) mostram que quase metade de toda a publicidade de cassinos online nos Estados Unidos é veiculada por operadores offshore ou plataformas de jogos de prêmios (ou sweepstakes). Essas empresas estão investindo pesado em canais digitais específicos e mirando estados com regulamentação mais branda.
Operadores offshore dominam YouTube e Reddit
Entre janeiro e maio de 2025, segundo o levantamento, “metade dos anúncios de cassinos online visualizados pelos consumidores nos EUA vem de operadores offshore ou de jogos de prêmios” — marcas que atuam fora do regime de licenciamento norte-americano, mas que já competem (e, em alguns casos, superam) os operadores legais no ambiente digital.
O relatório aponta que os cassinos licenciados respondem por 50,91% das impressões publicitárias, enquanto os 49,09% restantes são ocupados por operadores offshore ou de jogos de prêmios, como Chumba Casino, McLuck e Pulsz.com.

Esses operadores ilegais não apenas estão presentes, como atuam de forma estratégica. A AGA destaca que “sites offshore e de sweepstakes concentram seus anúncios principalmente em canais como YouTube e Reddit, ao contrário dos operadores licenciados, que diversificam sua presença nas plataformas”.
Os dados revelam que o YouTube concentra cerca de 65% de todo o investimento publicitário de cassinos de prêmios, com Reddit, Facebook e TikTok aparecendo muito atrás. A tática parece eficaz: o YouTube lidera com quase 1,4 bilhão de impressões, seguido de longe pelo Reddit e pelo Facebook.
Essa segmentação não é aleatória. O relatório afirma que “cassinos offshore e de prêmios miram consumidores em estados onde não há ações de fiscalização ou proibição dessas práticas”. Plataformas como Chumba, Pulsz e McLuck investem justamente onde a aplicação da lei é mais frágil.


Operadores licenciados concentram esforços em estados regulados e diversificam a mídia
Por outro lado, empresas legalizadas como FanDuel, DraftKings e BetMGM seguem uma estratégia completamente diferente. Elas distribuem seus investimentos publicitários por várias plataformas e focam exclusivamente em estados onde o jogo online é regulamentado.
Segundo a AGA, esses operadores priorizam plataformas de streaming OTT (serviços transmitidos pela internet que dispensam TV a cabo ou via satélite), que recebem quase 30% do orçamento, seguidas pelo Facebook (cerca de 17%) e pelo YouTube (aproximadamente 14%).
O Facebook lidera em impressões para operadores legais, com mais de 1,4 bilhão de visualizações, seguido por Instagram, X (antigo Twitter) e YouTube — um sinal de uma estratégia de mídia mais ampla e equilibrada.
A associação reforça: “os cassinos online legalizados mantêm uma abordagem mais balanceada”, com FanDuel, BetMGM e DraftKings distribuindo seus investimentos em pelo menos sete plataformas diferentes. Nenhum deles depende exclusivamente de YouTube ou Reddit.
Mapas apresentados no relatório mostram que os operadores legais concentram sua publicidade quase exclusivamente em estados regulamentados, como exigido pelas leis locais. FanDuel, DraftKings e BetMGM mantêm suas campanhas apenas onde há estrutura legal clara para apostas online.
Cresce a preocupação entre os reguladores
O aumento da presença de cassinos offshore e de prêmios no ecossistema publicitário norte-americano acendeu um alerta entre os reguladores. Essas plataformas driblam o licenciamento ao explorar brechas legais, especialmente por meio de modelos baseados em sorteios promocionais.
Chumba e McLuck, por exemplo, respondem por 20% e 16% do investimento total em anúncios, respectivamente — uma desvantagem para os operadores que atuam de forma regulada.
Um gráfico do relatório mostra com clareza: Pulsz e McLuck destinam mais de 90% de seus orçamentos publicitários ao YouTube, reforçando a percepção de que a estratégia visa saturar a atenção do consumidor justamente onde a regulação é mais frouxa.
À medida que o cenário digital evolui, os dados da AGA expõem com clareza um setor dividido entre quem segue as regras e quem opta por evitá-las.

AGA pede regras mais rígidas para diferenciar jogos de prêmios regulados
A AGA faz um alerta direto: “cassinos de prêmios exploram lacunas legais para operar fora da fiscalização, sem oferecer proteção ao consumidor, práticas de jogo responsável ou qualquer tipo de prestação de contas”.
Apesar de se posicionarem como uma alternativa aos jogos online tradicionais, 59% dos entrevistados afirmaram que jogar nessas plataformas “definitivamente é uma forma de jogo”, enquanto outros 31% disseram que “provavelmente é”.
Uma pesquisa encomendada pela associação revelou que 65% dos usuários de jogos de prêmios jogam para ganhar dinheiro real ou prêmios, quase o mesmo percentual (67%) dos jogadores em plataformas de iGaming regulado.
E o comportamento de consumo também reforça essa semelhança: 80% dos usuários de jogos de prêmios disseram gastar dinheiro mensalmente, contra 50% entre os usuários de apps sociais de cassino gratuitos.
“Mesmo operando fora do mercado regulado, os cassinos de prêmios se apresentam de forma semelhante aos operadores licenciados”, conclui o relatório da AGA. Por isso, a entidade está defendendo “definições legais claras que diferenciem sweepstakes de jogos regulados”, além de reforço na fiscalização e ações de educação para o consumidor.




