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Arizona alerta para riscos das plataformas de mercados de previsão

Jefferson Mendoza
Escrito por Jefferson Mendoza
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Reguladores do Arizona estão levantando preocupações sobre os mercados de previsão online, alertando que essas plataformas podem apresentar riscos semelhantes aos jogos de azar sem oferecer as salvaguardas exigidas de operadores licenciados.

Suzanne Trainor, do Arizona Department of Gaming, afirmou ao canal 13 News que os mercados de previsão não seguem as mesmas regras aplicadas ao setor regulado. Ao contrário das casas de apostas esportivas licenciadas, que precisam implementar medidas de jogo responsável, essas plataformas operam fora da supervisão estadual.

Plataformas de mercados de previsão permitem que usuários comprem e vendam contratos baseados em resultados futuros — desde resultados eleitorais e decisões governamentais até eventos esportivos. Em alguns casos, os usuários apostam, por exemplo, se determinadas frases aparecerão em discursos políticos ou se um projeto de lei será aprovado.

No entanto, diferentemente das plataformas de apostas licenciadas, essas plataformas frequentemente não oferecem proteções ao consumidor, como programas de autoexclusão, limites de depósito e verificação de idade. Reguladores alertam que essa lacuna pode expor usuários a comportamentos de aposta problemáticos e à falta de controle sobre o jogo. Além disso, autoridades afirmam que mercados de previsão podem ser mais vulneráveis à manipulação do que as apostas esportivas tradicionais. Ações coordenadas entre participantes ou o uso de informações privilegiadas poderiam distorcer os resultados desses contratos.

Uma questão que cresce em todo o país

Plataformas como Kalshi e Polymarket vêm ganhando popularidade rapidamente, com volumes de negociação alcançando bilhões de dólares e bases de usuários em forte expansão.

A Polymarket, que opera com tecnologia blockchain, se apresenta como um mercado financeiro descentralizado e transparente. A plataforma informou recentemente ter cerca de 478 mil traders ativos. Já a Kalshi ultrapassou US$ 4,4 bilhões em volume mensal de negociações no final de 2025, refletindo o crescente interesse tanto do público geral quanto de investidores institucionais, segundo diversos veículos de imprensa.

Investidores institucionais também impulsionaram esse crescimento. A Polymarket levantou US$ 2 bilhões da Intercontinental Exchange, alcançando uma avaliação de US$ 9 bilhões.

Apesar desse crescimento, a pressão regulatória vem aumentando em todo o país. Pelo menos 10 estados já emitiram ordens de cessação e desistência ou apresentaram desafios jurídicos contra plataformas de mercados de previsão. Illinois e Nova York aplicaram multas à Polymarket, enquanto Massachusetts e outros estados se juntaram a mais de 30 processos judiciais, que vão desde questões de proteção ao consumidor até disputas relacionadas ao setor de jogos tribais.

Reguladores argumentam que esses sites equivalem a jogos de azar não licenciados. Já empresas como Kalshi e Polymarket defendem que suas atividades estão sob supervisão federal da Commodity Futures Trading Commission (CFTC). Esse conflito gerou diversas ordens de cessação e desistência e evidencia uma questão ainda não resolvida: os mercados de previsão devem ser tratados como especulação financeira ou como jogos de azar?

Quem utiliza os mercados de previsão

Grande parte do crescimento dessas plataformas é impulsionada por usuários mais jovens e familiarizados com tecnologia. De acordo com diversos relatos da mídia, analistas apontam que pessoas entre 18 e 20 anos representam uma parcela significativa dos participantes. Muitos são estudantes universitários. Essas plataformas geralmente permitem negociações a partir dos 18 anos, embora muitas leis estaduais sobre jogos de azar tradicionais estabeleçam 21 anos como idade mínima.

Estudantes universitários e jovens profissionais são atraídos por contratos ligados à política, esportes e eventos econômicos, combinando entretenimento com negociação especulativa. O uso intenso de redes sociais e opiniões fortes sobre política e finanças também contribuem para que esse público se torne participante ativo desses mercados.

(Fonte: American Gaming Association)

A posição do Arizona

Por enquanto, o Arizona não tomou medidas legais formais. Trainor esclareceu que o estado não se opõe, em princípio, aos mercados de previsão, mas insiste que essas plataformas devem cumprir a legislação sobre jogos. Segundo ele, é necessário garantir que as mesmas proteções aplicadas aos operadores licenciados também estejam em vigor no estado.

Reguladores alertam que os mercados de previsão apresentam riscos semelhantes aos das apostas, porém sem as salvaguardas exigidas das casas de apostas esportivas licenciadas. Entre as principais preocupações estão a ausência de proteções ao consumidor, como limites de depósito e verificação de idade, a vulnerabilidade à manipulação por meio de ações coordenadas ou informações privilegiadas, e a ambiguidade jurídica sobre se essas plataformas se enquadram nas leis financeiras ou nas de jogos.

Autoridades de Illinois e do Arizona classificaram essas plataformas como jogos ilegais, enquanto reguladores federais continuam debatendo se a CFTC deveria intervir.

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