A Gambling Supervision Commission (GSC) classificou a indústria de jogos de azar da Ilha de Man como apresentando risco médio-alto de lavagem de dinheiro, citando a dimensão global do jogo online e a crescente sofisticação dos métodos utilizados por organizações criminosas.
A conclusão faz parte da Avaliação de Risco de Lavagem de Dinheiro do Setor de Jogos 2026 (ML NRA), publicada na quarta-feira, 25 de fevereiro. O relatório representa a primeira análise dedicada e baseada em dados sobre as ameaças de lavagem de dinheiro em todo o ecossistema de jogos da ilha.
O jogo online impulsiona o perfil de risco
De acordo com a avaliação, a classificação geral como risco médio-alto é impulsionada principalmente pelo alcance internacional e pelos elevados volumes de transações do setor de jogos online.
Em contraste, o jogo presencial, que atende majoritariamente clientes domésticos, continua sendo avaliado como de risco médio-baixo. O relatório atualiza a posição anterior da ilha, datada de 2020, e reflete o que as autoridades descrevem como mudanças significativas no cenário global de crimes financeiros.
A GSC alertou que grupos do crime organizado, especialmente aqueles que atuam no Leste e no Sudeste Asiático, estão explorando cada vez mais as plataformas de jogos online e as cadeias de fornecimento de software B2B. Entre as principais vulnerabilidades identificadas no relatório estão os altos volumes de transações em ambientes remotos, os processos digitais de cadastro de usuários, a diversidade de meios de pagamento — incluindo ativos virtuais —, os fluxos de faturamento transfronteiriços nas cadeias de fornecimento de software e a visibilidade limitada sobre os usuários finais em acordos B2B. Segundo o regulador, essas características estruturais criam uma exposição inerente à lavagem de dinheiro em larga escala e a fraudes facilitadas por meios cibernéticos.
Estrutura regulatória fortalecida desde 2020
Apesar da classificação elevada de risco, a GSC afirmou que suas capacidades de supervisão melhoraram significativamente nos últimos anos. As melhorias implementadas desde 2020 incluem a criação de uma divisão dedicada a AML/CFT (prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo), a introdução de relatórios de dados mais detalhados, modelos de inspeção baseados em risco mais refinados, controles mais rigorosos para entrada de novos operadores no mercado e o desenvolvimento de um marco formal de fiscalização e sanções.
Essas medidas têm como objetivo estabelecer, segundo o regulador, um sistema de supervisão mais adaptável e resiliente.
Mudança no perfil dos licenciados aumenta a complexidade
O relatório também aponta uma mudança no perfil dos detentores de licenças desde 2023, resultando em menor exposição a jurisdições consideradas de maior risco. Em outubro do ano passado, a Gambling Supervision Commission da Ilha de Man endureceu as regras de prevenção à lavagem de dinheiro (AML) para empresas licenciadas, emitindo novas diretrizes de AML e combate ao financiamento do terrorismo (CFT) para operadores de jogos online com autorização para serviços em rede.
No entanto, as autoridades alertaram que a redistribuição dos fluxos financeiros entre um número maior de operadores aumentou a complexidade da supervisão. Prestadores de serviços auxiliares — especialmente fornecedores de software — foram apontados como expostos a riscos adicionais, devido a estruturas societárias pouco transparentes e modelos de negócios transfronteiriços.
Autoridades defendem vigilância contínua
Mark Rutherford, diretor executivo da Gambling Supervision Commission, afirmou que o relatório oferece uma visão mais clara sobre onde estão surgindo novas ameaças, ao mesmo tempo em que evidencia os avanços na resposta regulatória da ilha. “Esta avaliação mostra de forma clara que, embora a Ilha de Man enfrente as mesmas ameaças globais em evolução que outras jurisdições líderes, nosso arcabouço regulatório continuou a se fortalecer e a se adaptar”, declarou Rutherford.
Ele acrescentou que as conclusões ajudam tanto reguladores quanto a indústria a focar com mais precisão nos riscos associados a estruturas transfronteiriças complexas, ameaças baseadas em tecnologia e modelos B2B.
Governo endossa as conclusões
Jane Poole-Wilson, ministra da Justiça e dos Assuntos Internos, afirmou que a reputação da ilha como centro financeiro internacional depende da capacidade de enfrentar riscos emergentes. “A reputação da Ilha de Man como centro financeiro internacional depende da nossa disposição em confrontar e responder a novas ameaças. Embora esta Avaliação Nacional de Risco destaque desafios — especialmente aqueles provenientes de grupos de crime organizado sofisticados que atuam além das fronteiras —, ela também demonstra a solidez dos nossos controles para mitigá-los”, disse a ministra.

Ela observou que, apesar dos desafios apontados, o relatório comprova a força dos mecanismos de controle existentes e que os resultados devem ser utilizados pelos detentores de licenças para reforçar seus sistemas internos e proteger a Ilha.
Setor é visto como vital para a economia, mas permanece exposto
As autoridades ressaltaram que a indústria de jogos de azar continua sendo uma parte essencial da economia da Ilha de Man, mas permanece vulnerável à lavagem de dinheiro devido à sua escala, conectividade internacional e à rápida evolução tecnológica.
A GSC informou que já estão em andamento iniciativas para fortalecer a supervisão, aprimorar o compartilhamento de dados e intensificar a cooperação entre governo, reguladores e o setor privado, como parte da estratégia mais ampla da ilha de combate aos crimes financeiros.
Em janeiro, o governo da Ilha de Man buscou reforçar a confiança no setor de iGaming ao reafirmar publicamente seu apoio político de longo prazo. A medida ocorre enquanto a ilha se prepara para um período de maior escrutínio internacional e uma fase regulatória mais rigorosa, descrevendo o iGaming como um “setor importante e bem-sucedido” que continuará sendo central para a economia local.
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