Segundo estimativas da consultoria internacional Regulus Partners, o Brasil deverá gerar US$ 4,139 bilhões em receitas com apostas online em 2025, valor que o colocará em 5º lugar no ranking global. Esse número, equivalente a cerca de R$ 22 bilhões, marca a primeira vez que o Brasil fica entre os maiores mercados de apostas do mundo segundo a Regulus. Historicamente, mercados como os Estados Unidos, Reino Unido, Itália e Rússia dominam o cenário das apostas. No topo da lista da Regulus estão:
- Estados Unidos: estimados em US$ 17,312 bilhões.
- Reino Unido: US$ 9,901 bilhões.
- Itália: US$ 4,617 bilhões.
- Rússia: US$ 4,515 bilhões.
- Brasil: US$ 4,139 bilhões.
Logo atrás do Brasil vêm mercados como Austrália, Canadá e França.
Olhando para os números: como o mercado operou até agora
De acordo com a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, os 78 operadores licenciados até agora registraram R$ 17,4 bilhões em receita no primeiro semestre de 2025. O perfil dos apostadores também aparece nos relatórios:
- 17,7 milhões de brasileiros participaram;
- Gasto médio por apostador: cerca de R$ 983 por semestre (R$ 164 por mês);
- Perfil demográfico: 71% homens e predominância entre pessoas de 31 a 40 anos.
A arrecadação de impostos também tem tido um volume alto. No primeiro semestre, foram gerados R$ 4,7 bilhões em tributos, segundo dados da SPA. A partir de novembro, a alíquota sobe de 12% para 18% sobre a receita líquida (GGR), o que deve aumentar ainda mais a arrecadação. Os recursos provenientes dessas apostas serão direcionados para áreas já discutidas e resolvidas no governo:
- 36% para o esporte
- 28% para turismo
- 13,6% para segurança pública
- 10% para educação
- 10% para seguridade social
Riscos e debates
Apesar do entusiasmo, há também preocupação com os impactos sociais desse crescimento tão acelerado. Um estudo técnico do Banco Central do Brasil revelou que, entre janeiro e agosto de 2024, entre 18 e 21 bilhões de reais foram transferidos via Pix para sites de apostas. O mais alarmante é que cerca de 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família fizeram apostas, movimentando aproximadamente R$ 3 bilhões, segundo o mesmo levantamento. Esses dados levantam questões sobre vulnerabilidade financeira e o apelo das apostas para populações em situação mais delicada economicamente.
A normalização das apostas também tem gerado muitas críticas. Muitos analistas alertam para os riscos da publicidade agressiva, o que levou à criação da CPI das Bets, instalada pelo Senado para investigar o impacto orçamentário nas famílias, a possível ligação com crimes e o uso de influenciadores digitais.
As perspectivas para o mercado brasileiro de apostas são muito positivas, mas também trazem desafios. Segundo a Redirection International, o setor pode crescer, em média, 50% ao ano até 2028, se manter a dinâmica de investimento e regulação favorável. Por outro lado, para controlar os riscos sociais, outras medidas já estão sendo discutidas, como restrições na publicidade (bem parecidas com as regras para publicidade de cigarros) e programas de apoio ao jogo responsável.
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