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Dex Hunter-Torricke fala sobre IA, ética e o futuro dos jogos

Jenny Ortiz-Bolivar
Escrito por Jenny Ortiz-Bolivar
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A inteligência artificial está transformando rapidamente o cenário dos jogos e do iGaming, abrindo novas possibilidades de personalização, engajamento e design imersivo. Mas, junto com essas oportunidades, surgem também questões complexas relacionadas à ética, transparência e ao jogo responsável — desafios que o setor precisa enfrentar à medida que a tecnologia se torna cada vez mais presente na experiência do jogador.

Em entrevista exclusiva à SiGMA World durante o 10º Congresso Digital (DigiCon) 2025, nas Filipinas, Dex Hunter-Torricke — especialista em tecnologias emergentes e ex-diretor de comunicação do Google, Facebook e SpaceX — compartilhou sua visão sobre como as empresas de jogos podem lidar com as dimensões éticas e sociais da inteligência artificial. Ele também discutiu como essa tecnologia pode ser usada para promover inclusão, confiança e criatividade, além de transformar, de forma profunda, a própria natureza do ato de jogar.

Responsabilidade ética na era da IA

SiGMA World: Como as empresas de jogos devem lidar com os desafios éticos e de percepção pública ao aplicar a IA, especialmente em áreas como perfil de jogador, jogo responsável e transparência de dados?  

Dex Hunter-Torricke, especialista em tecnologias emergentes: O setor de jogos está se tornando uma das formas mais poderosas de entretenimento e de transmissão cultural do mundo. Isso significa que, ao desenvolver um jogo, há uma grande responsabilidade envolvida. É preciso refletir profundamente sobre as implicações sociais de cada experiência criada.

Hoje temos ferramentas capazes de traçar perfis de jogadores e moldar o engajamento de novas maneiras — mas também devemos pensar nas consequências não intencionais. Muitos jogadores são jovens e influenciáveis; portanto, precisamos considerar o impacto sobre grupos vulneráveis, a representação das diferentes culturas e como esses mundos virtuais refletem as sociedades reais.

Se você é uma empresa de jogos hoje, precisa ser especialista não apenas em tecnologia, mas também em sociedade. É assim que se constrói um futuro responsável e sustentável para o setor.

“Os jogadores não querem uma aula sobre tecnologia — eles querem saber como ela melhora sua experiência.”

– Dex Hunter-Torricke, especialista em tecnologias emergentes

IA como ferramenta para o jogo responsável

SiGMA World: Como você enxerga o uso da IA como ferramenta para promover o jogo responsável?  

Hunter-Torricke: A IA permite que as empresas analisem dados de várias fontes e otimizem a experiência do jogador em tempo real. Ela oferece meios mais eficazes para promover práticas éticas — mas isso só funciona se for aplicada de maneira consciente.

Por exemplo, muitas empresas de jogos estão buscando representar melhor comunidades sub-representadas e refletir a diversidade cultural com respeito. A IA pode acelerar esse processo e torná-lo mais assertivo. Hoje, não há mais desculpas para ignorar as consequências do conteúdo, já que a tecnologia oferece acesso instantâneo ao conhecimento e à contextualização necessários.

Construindo confiança por meio da narrativa

SiGMA World: Você costuma falar sobre a importância da narrativa na construção da confiança pública em torno da tecnologia. Como as operadoras de jogos e iGaming podem comunicar o uso da IA de maneira que gere confiança entre jogadores, reguladores e o público em geral?  

Hunter-Torricke: Em muitos casos, a questão nem será sobre a IA em si, já que ela está sendo integrada a praticamente tudo. Dizer simplesmente que algo é “gerado por IA” pode ter o efeito contrário — as pessoas podem ver isso como algo artificial ou sem autenticidade.

O foco deve estar nos resultados. Os jogadores não querem um discurso técnico; querem entender como a tecnologia melhora sua experiência. Nos jogos, a pergunta é simples: é divertido? Deixa a experiência mais rica ou mais significativa?

A importância da colaboração global

Dex Hunter-Torricke respondendo a perguntas da imprensa local durante o 10º DigiCon 2025, em Pasay City, Filipinas..

SiGMA World: Que papel os padrões e políticas globais devem ter na definição do uso da IA no setor de jogos e iGaming, especialmente quando a inovação avança mais rápido do que a regulamentação?  

Hunter-Torricke: Esse é um dos maiores desafios — gerenciar conteúdo e experiências culturais em um ambiente global. Não acredito que veremos grandes novas instituições surgindo para lidar com isso, mas certamente precisaremos de mais colaboração entre reguladores nacionais e a indústria internacional.

Essas são questões naturalmente transfronteiriças. O objetivo deve ser ampliar o diálogo, trazendo para a mesa formuladores de políticas, desenvolvedores e as próprias comunidades de jogadores. Ainda estamos nos estágios iniciais dessa construção, mas a próxima geração de IA tornará urgente o estabelecimento de estruturas e padrões compartilhados de confiança.

A próxima fronteira do jogo

SiGMA World: Por fim, como você acredita que a IA transformará a própria natureza do ato de jogar?  

Hunter-Torricke: Estamos prestes a vivenciar formas extraordinárias de interação com os jogos. Mundos que já parecem imersivos se tornarão ainda mais realistas e interativos. A IA vai impulsionar uma multiplicidade de experiências e conexões entre jogadores.

Tudo o que vimos até agora é apenas o começo. A próxima onda vai redefinir o que os jogos podem ser — e este é, sem dúvida, o momento mais empolgante da história do setor.

À medida que a inteligência artificial continua a redefinir os limites do jogo e do iGaming, a mensagem de Hunter-Torricke no DigiCon 2025 é clara: a inovação precisa caminhar lado a lado com a responsabilidade. Para um setor movido pela criatividade e pela conexão humana, o futuro dos jogos dependerá não apenas do avanço tecnológico, mas também da forma como ele refletirá, com sensibilidade, as sociedades que o moldam.

Todos os caminhos levam à grande conferência em Roma, de 3 a 6 de novembro de 2025. A SiGMA Europa Central será realizado na Fiera Roma, reunindo 30 mil participantes, mais de mil expositores e 550 palestrantes especializados. É lá que nascem legados e se define o futuro. Conecte-se com os inovadores que estão impulsionando a transformação do setor.