À medida que países do mundo todo correm para manter sua competitividade em uma era cada vez mais digital, um novo paradigma começa a ganhar forma: o ecossistema digital — uma rede que integra regulamentação, formação de talentos, parcerias entre os setores público e privado e tecnologias imersivas como o metaverso e a Web3. Para muitas nações, o caminho rumo ao fortalecimento econômico dependerá menos de manufatura tradicional ou recursos naturais e mais da capacidade de construir e desenvolver suas infraestruturas digitais.
Falando na SiGMA Europa Central 2025, Manila Di Giovanni, fundadora e CEO da DWorld Malta, compartilhou sua visão sobre como essa transformação está ocorrendo — e o que ela representa para os países dispostos a abraçá-la.
Motores do crescimento nacional
Para Giovanni, a força do ecossistema digital de um país determina, cada vez mais, sua capacidade de escalar inovação e gerar novas oportunidades econômicas. Ela destaca que a transformação digital bem-sucedida depende de dois pilares fundamentais: um ambiente regulatório adequado e investimentos robustos em capital humano.
“Existem diversos incentivos para que uma start-up cresça e ganhe escala”, explica. “Alguns dos principais fatores para impulsionar a digitalização de uma nação são a disposição em criar regulamentações adequadas e investir na formação de capital humano.”
Giovanni aponta Malta como exemplo de ecossistema digital avançado. A DWorld está ajudando o país a implementar um programa nacional de capacitação em metaverso, com o objetivo de preparar a população para competências digitais de próxima geração. Essa estratégia fortalece o desenvolvimento de novos projetos e startups, além de atrair talentos estrangeiros interessados em contribuir para a economia virtual em expansão de Malta.
“Nosso papel é ser essa ponte entre o setor público, as empresas, os cidadãos e os talentos internacionais que querem fazer parte dessa nova economia digital”, afirma.
Colaboração e visão de longo prazo
Lançar tecnologias como o metaverso ou a Web3 em escala nacional exige níveis inéditos de colaboração entre governo, indústria e sociedade. Para Giovanni, o ingrediente mais determinante nessa cooperação é a mentalidade.
“É a mentalidade das pessoas com quem você está interagindo”, diz ela. Governos que pensam além dos ciclos imediatos têm uma vantagem clara.
“A visão de um país precisa ir além dos próximos dois ou três anos — deve mirar 2040, 2050, até 2070. Isso é um diferencial competitivo essencial.”
Ela observa uma corrida global crescente entre nações que desejam se posicionar como cidades inteligentes do futuro. Aqueles que assumem riscos calculados e desafiam práticas tradicionais de inovação digital tendem a liderar essa transformação.
Da conscientização à implementação
Com experiência em projetos junto a diferentes governos, Giovanni enfatiza que a adoção efetiva dessas tecnologias exige uma mudança na forma como seus benefícios são compreendidos pelos stakeholders. No início da carreira, ela evitava usar o termo metaverso, porque frequentemente gerava interpretações equivocadas.
“Sempre utilizo o termo economia virtual, porque é preciso fazer com que diferentes atores entendam o real potencial da tecnologia”, explica. Para a DWorld, a prioridade é demonstrar valor econômico e social tangível. A plataforma permite que países promovam versões virtuais de suas nações, fortalecendo o turismo, atraindo talentos e criando novas fontes de receita.
Empresas também podem estabelecer presença nesses ambientes digitais, superando os limites de sites tradicionais em duas dimensões e migrando para experiências imersivas. “É aí que surgem oportunidades extras de vendas, com uma solução que não conhece fronteiras”, destaca, ressaltando como ecossistemas virtuais eliminam barreiras físicas e ampliam o acesso a públicos globais.
Regulação, inovação e inclusão
À medida que digital twins e plataformas de metaverso ganham espaço, os países enfrentam o desafio de equilibrar inovação com proteção regulatória. Giovanni reforça que a regulação deve ser um facilitador, e não um bloqueio.
“Na Europa, a regulamentação não deve impedir a inovação, mas permitir que ela aconteça”, afirma. Ela elogia Malta por sua liderança pioneira na regulamentação de blockchain e criptoativos, o que deu às startups liberdade para experimentar sem medo de punições desproporcionais.
Uma cultura de colaboração entre os setores público e privado é essencial. Giovanni defende o uso ampliado de sandboxes regulatórios, permitindo que startups testem ideias, errem e melhorem antes de escalar suas soluções. “É muito importante ter uma mentalidade colaborativa para impulsionar a próxima economia digital”, conclui.
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