A SiGMA World deixou de ser apenas mais um evento de iGaming. Em entrevista ao podcast PeachMarathon, apresentado por Aziz Akylbekov, o fundador da SiGMA World, Eman Pulis, explicou como a marca se posicionou como uma plataforma global estruturada a partir de três pilares: timing, geografia e necessidades de longo prazo da indústria.
Ao relembrar o evento recente em Roma, Pulis afirmou que a decisão de mudar o nome da SiGMA Europa Central para SiGMA World foi estratégica. “Decidimos rebatizar o evento de Roma como SiGMA World porque acreditamos que esse nome reflete melhor o nosso propósito de ir muito além da Europa”, explicou. Roma, segundo ele, tem um valor simbólico. “Todos os caminhos levam a Roma. Queremos que a indústria de jogos da América Latina, América do Norte, África e Ásia enxergue Roma como uma cúpula global com a qual possa se identificar.”
De acordo com Pulis, a edição de Roma foi a maior conferência da história da SiGMA, alcançada “contra todas as probabilidades”, e lançou as bases para uma expansão ainda maior em 2026, incluindo oito pavilhões e um foco mais amplo que vai além do iGaming.
Pioneirismo em mercados emergentes
Pulis destacou que a reputação da SiGMA como desbravadora de mercados vem da disposição de entrar em regiões ainda pouco exploradas, muitas vezes antes de o setor enxergar seu potencial. “Tenho orgulho de a SiGMA ir para lugares onde ninguém mais se atreve a chegar tão cedo”, afirmou.
Ele citou Dubai, Brasil, África e Manila como exemplos de mercados em que a SiGMA saiu na frente. “Quando fomos para Dubai, há cinco anos, acharam que éramos loucos. Olhem a região agora”, comentou. “O Brasil ainda era apenas uma ideia distante quando lançamos lá. Hoje, todo mundo quer ir para o Brasil.”
A mesma lógica está por trás dos planos para o México. “Em 2026, quando lançarmos o evento na Cidade do México, as pessoas vão reconhecer o que estamos construindo. Acredito que o México será a próxima grande tendência, assim como o Brasil foi alguns anos atrás”, disse.
Para Pulis, a lógica é simples: “A SiGMA é sobre timing. É sobre lançar eventos em mercados emergentes onde a indústria realmente precisa que estejamos presentes.”
Além do iGaming: afiliados e tecnologia de fronteira
Pulis também confirmou que a SiGMA World está ampliando seu escopo. Em Roma, as próximas edições contarão com uma marca dedicada a afiliados e um pavilhão voltado a tecnologias de fronteira. “Não vamos focar exclusivamente em iGaming”, afirmou. “Vamos abrir pavilhões para novos fluxos de afiliação. Lançaremos uma marca de afiliados, a Slam, com um pavilhão dedicado a afiliados de fora do setor de jogos. Por quê? Porque queremos uma nova fonte de tráfego chegando à SiGMA.”
“Além disso, abriremos um pavilhão dedicado a tecnologias de fronteira: inteligência artificial (IA), blockchain, cripto, Internet das Coisas (IoT), DeFi (finanças descentralizadas), gamificação, computação quântica, big data, fintech, tudo isso — inclusive soluções que não vêm diretamente do universo de jogos.”
Segundo ele, o objetivo é trazer “novos fluxos de entrada” para o ecossistema e estimular a troca de conhecimento entre diferentes indústrias.
Motivação e fazer o que se ama
Embora Pulis já tenha falado abertamente sobre o dinheiro como fator de motivação, no podcast ele explicou melhor o que isso significa. “Para mim, a motivação era a liberdade financeira”, disse. “Quando você não tem algo, e isso impede que você alcance todo o seu potencial, você passa a desejar isso mais do que qualquer outra coisa.”
Essa motivação, segundo ele, evoluiu com o tempo. “Agora que alcancei isso em certa medida, minha motivação também cresceu. Já não se trata apenas de liberdade financeira, mas de gerar impacto positivo.”
Ao mesmo tempo, Pulis rejeitou a ideia de uma separação rígida entre trabalho e vida pessoal. “Se você realmente ama o que faz, não precisa trabalhar um único dia da sua vida”, afirmou. “Prefiro pensar em integração entre trabalho e vida pessoal.”


Mentoria, talentos e retribuição
Outro tema recorrente na conversa foi o valor das pessoas, tanto dentro da SiGMA quanto no setor como um todo. Pulis destacou a importância de equipes sólidas e lembrou que o Grupo SiGMA já conta com mais de 250 colaboradores.
Ele também incentivou profissionais mais jovens a buscarem orientação. “Algo que eu gostaria de ter feito antes era me cercar de mentores”, disse. “Muitas pessoas que já conquistaram algo na vida não se importam em passar isso adiante.”
Pulis observou ainda que as motivações das novas gerações estão mudando. “Hoje, candidatos escolhem uma empresa em vez de outra por causa de suas iniciativas de responsabilidade social corporativa (CSR) e impacto positivo”, afirmou. “Isso era impensável há 30 ou 40 anos.”
Na visão dele, essa mudança está alinhada à própria evolução da SiGMA, especialmente por meio da Fundação SiGMA e de iniciativas sociais mais amplas.
Construindo com visão de longo prazo
Por fim, Pulis refletiu sobre propósito para além dos negócios. “Se você está seguindo uma jornada empreendedora, vá em frente”, disse. “Mas certifique-se de que isso não venha ao custo de perder capítulos importantes da vida das pessoas que você ama.”
Para a SiGMA World, essa visão reflete sua estratégia mais ampla: construir cedo, construir globalmente e construir com propósito — não apenas para o próximo evento, mas para a próxima fase da indústria como um todo.
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