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European Safer Gambling Week 2025: primeiro indicador sobre danos no jogo online é divulgado

Caro Vallejo
Escrito por Caro Vallejo
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

O terceiro dia da European Safer Gambling Week 2025, organizada pela European Gaming Betting Association (EGBA), reforçou o papel essencial dos nove indicadores de risco na promoção do jogo responsável. A especialista em comportamento relacionado ao jogo, Dra. Maris Catania, conduziu uma apresentação educacional na qual descreveu esses nove indicadores como os padrões europeus fundamentais — chamados durante o seminário de uma verdadeira “Bíblia” na identificação de riscos.

Introdução aos nove indicadores comportamentais

Segundo a Dra. Maris Catania, líder do projeto europeu, esses nove indicadores oferecem uma linguagem comum e um método consistente para reconhecer mudanças comportamentais que possam indicar risco relacionado ao jogo. O padrão foi desenvolvido a partir de extensa pesquisa científica e meses de colaboração entre operadores, reguladores, acadêmicos e entidades de saúde. O objetivo é trazer uniformidade com flexibilidade, oferecendo diretrizes sem impor níveis rígidos de intervenção.

Indicador 1: Volume das apostas

Esse indicador avalia quanto um jogador aposta e como esse volume muda ao longo do tempo. Uma elevação repentina no valor apostado em comparação ao padrão habitual é um alerta importante. Exemplo: um jogador que aumenta drasticamente o valor das apostas em pouco tempo. Isso pode indicar perda de controle ou intensificação de comportamentos prejudiciais — especialmente porque muitas vezes esse risco não aparece de forma espontânea no atendimento ao cliente.

Indicador 2: Velocidade de jogo

A velocidade de jogo mede com que rapidez as apostas são feitas. Em modalidades de jogo contínuo, apostar de forma acelerada pode indicar redução do autocontrole. Jogadores que realizam apostas sem pausa tendem a agir por impulso, com menor reflexão sobre consequências. Esse indicador complementa os sinais financeiros ao mostrar intensidade de engajamento.

Indicador 3: Frequência e horário dos depósitos

Esse indicador observa quantidade e timing dos depósitos. Depósitos repetidos em intervalos muito curtos geralmente sinalizam dificuldades no controle financeiro. Exemplo: fazer vários depósitos em sequência após perder dinheiro. Esse comportamento pode indicar tentativa de recuperar perdas (chasing losses) ou compulsão para seguir jogando. Detectar cedo esses padrões abre espaço para intervenções antes que o dano se agrave.

 Markers of harm explained: cancelled withdrawals, player-initiated contact, gambling time. Source: EGBA webinar, European Safer Gambling Week 2025
Indicadores de dano explicados: cancelamento de saques, contato iniciado pelo jogador e tempo de jogo. Fonte: Webinar da EGBA, European Safer Gambling Week 2025.

Indicador 4: Contato iniciado pelo jogador

Diferente de outros indicadores, este é considerado positivo. Ele se refere a jogadores que procuram o operador espontaneamente para pedir ajuda ou ativar ferramentas de jogo responsável — como autoexclusão. Esse comportamento demonstra que o jogador ainda tem consciência sobre seus hábitos e pode ser um momento importante para oferecer suporte preventivo.

Indicador 5: Tempo de jogo

Aqui são monitorados duração e frequência das sessões, incluindo padrões como jogar tarde da noite. Sessões longas ou em horários incomuns podem indicar que o jogo está interferindo na rotina diária. Esse indicador amplia a análise para além do dinheiro, considerando impactos no comportamento cotidiano.

Indicador 6: Mudança nos horários de jogo

Como não existe um único padrão aplicável a todos os jogadores, esse indicador analisa mudanças individuais no comportamento — como jogar mais cedo, mais tarde, ou em diferentes dias. Ele observa desvios do comportamento “normal” daquele jogador específico, trazendo precisão e relevância na detecção de risco.

Indicador 7: Mix de produtos

Esse indicador identifica quando o jogador migra de produtos de baixo risco para produtos de risco mais elevado. Exemplo: trocar bilhetes de loteria por caça-níqueis rápidos. Mudanças assim podem sinalizar aumento de vulnerabilidade.

Indicador 8: Uso das ferramentas de jogo responsável

Usar ferramentas como limites de tempo ou de depósito não é necessariamente um sinal de risco. Porém, alterações constantes — por exemplo, aumentar e diminuir limites repetidamente — podem indicar dificuldade em manter controle. Esse comportamento dinâmico ajuda os operadores a identificar quando é preciso oferecer suporte adicional.

Indicador 9: Perdas financeiras

Esse indicador avalia valor e velocidade das perdas. Perdas rápidas ou elevadas, especialmente quando combinadas com outros indicadores, são sinais claros de risco. O monitoramento desse fator permite construir perfis de risco mais completos, baseados nos impactos reais sobre o jogador.

Colaboração e padronização: um avanço para toda a Europa

A introdução deste padrão representa uma conquista significativa em termos de colaboração. Reunir academia, indústria, reguladores e setores de saúde foi uma tarefa complexa, mas essencial para criar um quadro unificado. A Dra. Catania destaca que a colaboração é fundamental para afastar a Europa de modelos nacionais fragmentados e avançar rumo a estratégias de prevenção baseadas em evidências.

Os operadores devem garantir a precisão das informações, proteger a privacidade dos jogadores e incorporar esses indicadores de risco aos sistemas de dados existentes. Já os stakeholders precisam continuar se comunicando e trabalhando em conjunto para enfrentar os desafios operacionais e tecnológicos. Conforme ressalta a Dra. Catania, a adoção do padrão deve ser encarada como uma diretriz, e não como uma exigência imediata, apoiada por uma colaboração contínua entre reguladores e operadores para superar obstáculos de forma eficiente.

Respeito às legislações locais — com base europeia comum

O padrão não substitui os sistemas regulatórios nacionais. Seu objetivo é apoiar e reforçar os frameworks existentes, utilizando a abordagem compartilhada da Europa como base. Os operadores podem adotar o referencial europeu, mas têm liberdade para adaptá-lo às suas próprias circunstâncias locais.

Meaning of standardisation presented during European Safer Gambling Week 2025. Source: EGBA webinar featuring Dr. Maris Catania and Vasiliki Panousi
Especialistas da EGBA apresentaram os princípios de padronização para indicadores de risco no jogo online durante a European Safer Gambling Week 2025.

Dessa forma, cooperação e autonomia nacional caminham juntas, permitindo que cada jurisdição proteja os jogadores de maneira eficaz, sem perder de vista seu próprio contexto. A Dra. Catania destacou o papel essencial da colaboração e do diálogo contínuo entre especialistas, reguladores e legisladores para identificar lacunas comuns e aprimorar as políticas públicas relacionadas à regulamentação do jogo.

Europa lidera o primeiro padrão oficial de indicadores de risco

As diferenças no nível de maturidade de mercado entre a Europa e outras regiões, como a América Latina, continuam sendo notáveis. No caso da Colômbia, por exemplo, o jogo online opera sob monopólio estatal, limitado a um número reduzido de operadores licenciados. Em contrapartida, o jogo tradicional presencial ainda representa a maior parte da indústria, respondendo por cerca de 70 a 80% da atividade total. Diante desse cenário, fica evidente que a transferência direta de modelos europeus de mercado online dificilmente seria bem-sucedida em regiões onde atividades presenciais são mais comuns.

Uma das principais vantagens desse framework é sua linguagem comum, que permite identificar riscos de forma precoce, facilita a comparação de dados entre jurisdições e fundamenta decisões em evidências confiáveis. Ao continuar trabalhando em conjunto, os stakeholders podem transformar drasticamente os ambientes de jogo em toda a Europa, tornando-os muito mais seguros para todos.

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