A regulamentação e a conformidade ultrapassaram todas as demais preocupações entre executivos do setor, seguidas pela concorrência e pelo jogo responsável, segundo um novo relatório — marcando uma mudança estratégica significativa em relação a 2024, quando o foco estava na expansão geográfica agressiva.
O estudo “iGaming Future 2026: Core Trends and Challenges”, da EvenBet Gaming, revela que a indústria global de iGaming está entrando em uma nova fase, caracterizada por regulamentações mais rígidas e concorrência crescente. Com base em entrevistas presenciais com mais de 700 profissionais de mercados-chave, o relatório mostra como operadoras, fornecedores e afiliados estão se adaptando a um ambiente de negócios cada vez mais complexo e restritivo.
De acordo com o levantamento, as empresas estão agora priorizando o fortalecimento de suas operações nos mercados já consolidados, em vez de buscar novas jurisdições. O relatório traça um cenário fragmentado, mas uniformemente mais rigoroso, com medidas restritivas em várias regiões.
Na Índia, o novo Projeto de Lei para Promoção e Regulamentação dos Jogos Online proíbe todos os jogos online que envolvem dinheiro e elimina a distinção legal entre jogos de habilidade e sorte, impondo multas de até INR 10 milhões (US$ 120 mil) e penas de até três anos de prisão. Nas Filipinas, todas as operadoras offshore (POGOs) foram banidas, enquanto o país reduziu o imposto sobre GGR de 35% para 30% para operadoras locais, em uma tentativa de estimular a legalização.
Na Europa, a Comissão de Jogos do Reino Unido (UKGC) proibiu bônus com exigência de apostas superiores a 10x e endureceu as regras de promoções cruzadas, enquanto a Holanda baniu totalmente o patrocínio esportivo por marcas de iGaming. Na América Latina, o Brasil implementou um imposto de 18% sobre o GGR e restringiu publicidade que utilize imagens de dinheiro, enquanto a Colômbia passou a cobrar 19% de IVA sobre os depósitos dos jogadores, aumentando significativamente a carga tributária tanto para operadores quanto para consumidores.
Big techs apertam o cerco
O relatório destaca que o endurecimento não vem apenas dos governos — grandes plataformas de tecnologia também estão limitando a visibilidade do iGaming. Em 2025, o Google passou a exigir certificação obrigatória de anúncios de apostas por país e domínio, proibiu anúncios personalizados e alertou sobre a suspensão de contas em caso de violações. Já a Meta (controladora do Facebook e Instagram) substituiu sua “lista de países permitidos” por uma lista de proibições, que inclui Tailândia, Indonésia e Coreia do Sul, transferindo toda a responsabilidade de conformidade para os anunciantes.
Enquanto isso, o Telegram, antes aberto a projetos de cripto e iGaming, realizou uma remoção em massa de bots e canais de apostas, adotando uma política de tolerância zero para novos projetos relacionados a jogos — uma guinada drástica em relação à sua postura anterior.
Marketing se torna estratégia de sobrevivência
Com a desaceleração da expansão e o aumento da regulamentação, as operadoras estão redirecionando recursos para marketing e retenção, que o relatório identifica como o principal foco estratégico para 2025 e demais anos.
Na Ásia, 29% das empresas apontam o marketing como prioridade, muito à frente da inovação tecnológica ou da expansão. Na Europa, 20% das companhias compartilham a mesma visão, evidenciando uma virada do setor em direção à consolidação de marca, fidelização de jogadores e engajamento orientado por dados.
“A retenção é o novo crescimento”, afirma Alexandra Voronetskaya, CMO da EvenBet Gaming. “Com restrições publicitárias, custos de conformidade em alta e competição acirrada, os operadores que dominarem a personalização com IA e o marketing localizado liderarão a próxima fase de crescimento.”
Inovação: IA, personalização e experiência do jogador
Para compensar o aumento nos custos de aquisição de clientes, o setor está dobrando a aposta na inovação voltada ao jogador e em inteligência artificial. As três principais inovações implementadas globalmente são:
- Experiência personalizada do jogador – 21%
- Novas mecânicas e design de jogos – 20%
- Implementação de IA / aprendizado de máquina (AI/ML) – 19%
Afiliados estão na dianteira no uso de IA para geração de conteúdo, detecção de fraude e automação de campanhas, enquanto provedores de pagamento aplicam aprendizado de máquina para personalizar fluxos de pagamento e aumentar a segurança nas transações.
No entanto, a EvenBet alerta que estratégias genéricas já não funcionam: preferências de plataforma, eficácia publicitária e comportamento dos jogadores variam drasticamente entre regiões como Europa e Ásia. O sucesso depende agora de localização profunda, conformidade ágil e adaptação tecnológica.
Uma nova era de “seleção rigorosa de mercado”
Especialistas do setor citados no relatório preveem que 2026 marcará o início de uma fase de “seleção severa de mercado”, em que apenas operadores capitalizados e flexíveis sobreviverão ao impacto combinado de regulação, tributação e restrições publicitárias.
Como resume Dmitry Starostenkov, CEO da EvenBet Gaming: “A conformidade se tornou uma habilidade de sobrevivência. Os vencedores serão aqueles que anteciparem as mudanças regulatórias e integrarem flexibilidade, inteligência de marketing e inovação no centro de seus modelos de negócio.”
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