Skip to content

Janja, esposa de Lula, adere movimento campanha anti-bets no Brasil

Julia Moura
Escrito por Julia Moura

A primeira-dama Janja Lula da Silva declarou apoio à campanha “Block do Tigrinho”, iniciativa criada pelo movimento 342 Artes que busca conscientizar a população sobre os riscos associados ao crescimento das bets e dos jogos de cassino online no país.

Mas o posicionamento de Janja não é novidade. O marido, Luiz Inácio Lula da Silva, também se posiciona contra as apostas no Brasil e já deu diversas declarações onde afirma que acabaria com o mercado se tivesse oportunidade. Esses posicionamentos têm influência de outros temas sociais como endividamento das famílias, saúde mental, publicidade do setor e os desafios da regulamentação recém-implementada pelo governo federal.

Mulheres e orçamento familiar

Em publicação nas redes sociais, a primeira-dama afirmou que as apostas online têm provocado consequências financeiras e sociais em milhares de famílias brasileiras. Segundo ela, as mulheres costumam ser as mais afetadas indiretamente pelos problemas causados pelo jogo, já que frequentemente assumem a responsabilidade pela organização financeira dos lares e pela administração das despesas domésticas.

Essa informação é, de certa forma, verdadeira, mas precisamos estar atentos aos números. Segundo uma pesquisa feita pelo Serasa, 64 por cento das mulheres brasileiras afirmam liderar a organização financeira da família, enquanto 93 por cento participam diretamente das despesas do lar. Além disso, 33 por cento são as únicas responsáveis pelo sustento financeiro da casa, percentual que sobe para 43 por cento entre famílias de baixa renda.

Mas diante desses números, devemos considerar que nem todas as mulheres moram com um homem. Essa afirmação é relevante porque o público predominante do mercado de apostas são os homens, ocupando 71 por cento do público de apostadores. A fala da primeira-dama é referente às consequências negativas que as apostas podem causar no orçamento financeiro familiar através dos homens que estão nesse mercado, portanto, afetando as mulheres indiretamente.

Além da manifestação pública, Janja também participou de um vídeo divulgado pela campanha. No material, ela defende ações voltadas à proteção das famílias e destaca a necessidade de ampliar a conscientização sobre os riscos do jogo excessivo. A primeira-dama argumenta que o problema não deve ser analisado apenas sob a ótica econômica, mas também como uma questão social e familiar.

Movimento cresce e mira o fim das bets no Brasil

A campanha “Block no Tigrinho” foi lançada pelo movimento 342 Artes no início de junho e rapidamente ganhou visibilidade nas redes sociais, somando hoje um total de 88 mil seguidores. A iniciativa reúne artistas, músicos, atores, influenciadores e personalidades da cultura brasileira em uma mobilização que busca alertar sobre os possíveis danos associados às apostas online. Entre os participantes estão nomes conhecidos como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Marieta Severo, Camila Pitanga, Djavan, Emicida e diversos outros artistas.

Embora a campanha seja apresentada como uma iniciativa de conscientização sobre os riscos das apostas online, seus idealizadores defendem medidas que vão muito além da educação do público ou de restrições mais severas na regulamentação. O intuito do movimento é banir totalmente o mercado de apostas no Brasil, incentivando os jogadores a deixarem o mercado e fazendo campanhas de apelo contra as bets.

O nome da campanha faz referência ao popular “Jogo do Tigrinho”, como ficou conhecido o Fortune Tiger, um dos jogos de cassino online mais divulgados nas redes sociais brasileiras nos últimos anos. O jogo se tornou símbolo da explosão do mercado de apostas digitais e também de diversas discussões sobre publicidade realizada por influenciadores digitais.

O apoio da primeira-dama também serviu para destacar medidas implementadas pelo governo federal após a regulamentação do mercado brasileiro de apostas de quota fixa. Segundo Janja, a regulamentação foi necessária para criar mecanismos de controle sobre uma atividade que já existia no país, mas operava sem regras específicas e sem fiscalização adequada.

Entre as iniciativas mencionadas está a Plataforma de Autoexclusão, ferramenta que permite ao próprio apostador solicitar o bloqueio do seu CPF em operadores autorizados. Outra medida citada é a restrição temporária ao acesso às apostas para participantes de programas de renegociação de dívidas, como o Novo Desenrola. O governo também vem desenvolvendo materiais informativos voltados à prevenção e ao tratamento de problemas relacionados ao jogo compulsivo.

Indústria reage e defende o mercado regulado

O tema tem dividido opiniões dentro da própria indústria. Em resposta à campanha, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidade que representa operadores licenciados no Brasil, declarou acompanhar a iniciativa, mas argumentou que o foco principal deveria estar no combate às plataformas ilegais. Segundo a entidade, o chamado “jogo predatório” ocorre principalmente em sites que operam fora da regulamentação brasileira, sem mecanismos de proteção ao consumidor, sem fiscalização e sem cumprimento das exigências impostas pelas autoridades nacionais.

Enquanto os grupos da sociedade civil defendem regras mais rígidas para publicidade e acesso às apostas, os representantes da indústria argumentam que o fortalecimento do mercado regulado é justamente a melhor forma de combater operadores ilegais.

Na Cidade do México, de 1 a 3 de setembro de 2026, a América do Norte encontra a América Latina. A SiGMA North America recebe 4.000 participantes para três dias de negócios, insights e inspiração para startups. Insights de verdade. Negócios reais. Reserve seu lugar.