Marcas offshore estão atraindo mais interesse online de usuários de apostas nos Estados Unidos do que algumas das maiores operadoras regulamentadas do país, segundo dados da Blask que medem interesse por marca, e não volume de apostas ou receita.
Os números, que abrangem o período de abril de 2025 a janeiro de 2026, colocam a Bovada em primeiro lugar entre as marcas voltadas ao público norte-americano, à frente de FanDuel e DraftKings — apesar de essas duas empresas dominarem grande parte do debate sobre apostas esportivas legais nos Estados Unidos. A BetOnline aparece na segunda posição, enquanto FanDuel e DraftKings ocupam respectivamente o quarto e o terceiro lugar. MyBookie, Rainbet, BetUS, Ignition Casino, Betplay e BetMGM completam o top 10.
Em entrevista à SiGMA News, a Blask afirmou que o ranking revela “menos sobre preferência de marca e mais sobre demanda não atendida dentro do sistema regulado”. Segundo a empresa, os dados evidenciam como a regulamentação fragmentada — feita estado por estado — continua moldando o comportamento dos consumidores nos Estados Unidos, onde o acesso às plataformas depende fortemente da localização geográfica.
“A Bovada lidera porque opera em todo o território nacional sem restrições estaduais”, explicou a Blask à SiGMA News. “Ao contrário da FanDuel e da DraftKings, ela não está limitada por estruturas de licenciamento, restrições de produtos ou regimes tributários.”
A empresa acrescentou: “A plataforma captura demanda em estados onde a regulamentação é incompleta ou inexistente, oferecendo maior acessibilidade, integração entre cassino online e sportsbook e métodos de pagamento flexíveis, como criptomoedas.”
Um mercado dividido por fronteiras estaduais
Em um relatório recente, a Blask argumentou que os Estados Unidos já são o maior mercado de iGaming monitorado do mundo, respondendo por quase 40% do total global em 2025. O estudo também destaca que “o mercado de iGaming dos EUA não é apenas o maior do mundo — é também o mais complexo”.
Essa complexidade aparece claramente no ranking de marcas. FanDuel e DraftKings continuam sendo gigantes do setor, mas seu alcance é limitado por licenças estaduais, regimes tributários distintos e pelo fato de que nem todos os estados permitem as mesmas modalidades de jogo online.
Esse cenário desigual vem moldando o comportamento dos consumidores há algum tempo, muitas vezes de formas inesperadas. Em Nebraska, por exemplo, apostadores foram vistos atravessando a fronteira para o estado vizinho de Iowa apenas para utilizar aplicativos de apostas legalizados, reunindo-se perto de um campo de milho remoto na divisa entre os estados. Embora pareça curioso, o episódio ilustra as distorções criadas por um sistema regulatório fragmentado. Ainda assim, quando questionado sobre essa prática, um apostador afirmou: “As casas legais são muito melhores do que as não regulamentadas.” Outro acrescentou: “Já usei sites não regulamentados antes, mas não uso mais porque simplesmente não confio neles.”
Esses comentários revelam uma realidade desconfortável tanto para a indústria quanto para os formuladores de políticas públicas. Muitos consumidores parecem preferir operadores regulamentados quando eles estão disponíveis, mas isso não significa que deixam de apostar quando essas opções não existem.
A própria conclusão da Blask é direta: “A principal história aqui é a fragmentação estrutural. A regulamentação reduz a presença de operadores offshore, mas não a elimina.”
O contraste fica ainda mais evidente diante do crescimento geral do jogo legal nos Estados Unidos. No início deste mês, a American Gaming Association informou que a receita do jogo comercial atingiu US$ 78,72 bilhões em 2025, com apostas esportivas e iGaming entre os segmentos que mais cresceram. No entanto, enquanto o setor regulamentado registra resultados recordes, os dados da Blask indicam que marcas offshore continuam mantendo forte influência sobre o interesse dos consumidores, especialmente fora do alcance dos sistemas de licenciamento estaduais.
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