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Deputado dos EUA pressiona a CFTC sobre acordo de previsões entre CNN e Kalshi

Jenny Ortiz-Bolivar
Escrito por Jenny Ortiz-Bolivar
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

O congressista norte-americano Abe Hamadeh questionou a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) sobre a parceria entre a plataforma de mercados preditivos Kalshi e a rede de notícias CNN. Segundo o parlamentar, o acordo pode comprometer a integridade dos mercados, os processos democráticos e até a segurança nacional dos Estados Unidos.

Em um comunicado divulgado em 16 de dezembro, o representante republicano do 8º distrito congressional do Arizona afirmou ter enviado uma carta à presidente interina da CFTC, Caroline Pham, exigindo esclarecimentos sobre como o órgão regulador está avaliando a parceria e se ela está em conformidade com a legislação vigente.

De acordo com a nota, Hamadeh levantou preocupações em nome de eleitores que “soaram o alarme diante do fato de uma empresa de mídia, com um histórico amplamente documentado de manipulação partidária, agora se posicionar para influenciar e lucrar com eventos geopolíticos em tempo real”.

Ele classificou a parceria como “não apenas inadequada, mas francamente perigosa”.

Preocupações com influência midiática e eventos negociáveis

No centro das críticas de Hamadeh está a possibilidade de a CNN integrar os mercados de previsão baseados em eventos da Kalshi à sua cobertura jornalística, tanto na televisão quanto em plataformas digitais. A Kalshi oferece contratos que permitem aos usuários negociar com base nos desfechos de eventos futuros, incluindo acontecimentos políticos e geopolíticos.

Segundo o congressista, o papel da CNN como um dos principais veículos de comunicação do país lhe confere uma capacidade singular de moldar a percepção pública justamente sobre os eventos que podem ser negociados na plataforma da Kalshi.

“A CNN estaria em uma posição única para influenciar a percepção pública e os ciclos de notícias em torno dos mesmos eventos que a Kalshi lista como mercados negociáveis”, escreveu Hamadeh em sua carta. Ele citou eleições, guerras, crises de política externa e instabilidade interna como exemplos de áreas nas quais a cobertura editorial pode colidir com incentivos financeiros.

“Nenhum outro grande veículo de mídia tentou uma parceria desse tipo — e por bons motivos”, acrescentou, apontando o que descreveu como um “conflito estrutural de interesses embutido”, capaz de permitir que resultados sejam moldados para fins financeiros ou competitivos.

Hamadeh fundamentou suas objeções no Commodity Exchange Act, legislação que determina que a CFTC deve proibir determinados tipos de contratos. Entre eles estão contratos relacionados a guerra ou jogos de azar, bem como aqueles considerados contrários ao interesse público.

Como destacou o congressista, a lei também abrange mercados vulneráveis à manipulação ou capazes de influenciar os próprios eventos subjacentes.

“A parceria entre Kalshi e CNN aparenta violar o entendimento mencionado”, afirmou Hamadeh, argumentando que alguns contratos de eventos levantam sérios alertas éticos e legais.

Riscos à segurança nacional e interferência estrangeira

Além das regras de mercado, Hamadeh enquadrou a questão como um problema de governança e segurança nacional. Em sua avaliação, uma parceria entre um mercado de previsões e um grupo global de mídia pode abrir espaço para manipulações por agentes hostis.

“Não me surpreende que uma entidade de mídia que enfrenta preocupações recorrentes quanto à precisão, imparcialidade e enquadramento narrativo permita a possibilidade de que governos estrangeiros, grupos políticos internos ou atores adversários intensifiquem tensões, manipulem narrativas e pressionem instituições para lucrar por meio da plataforma de contratos de eventos da Kalshi”, escreveu.

“Precisamos saber se a Comissão está avaliando essa parceria para verificar se ela cria vulnerabilidades que permitam a atores estrangeiros ou domésticos influenciar a política, a economia ou a segurança nacional dos EUA em troca de ganho financeiro”, acrescentou.

Prazo para resposta do regulador

Hamadeh concedeu um prazo de 30 dias para que a presidente interina Caroline Pham apresente um relatório detalhado sobre a avaliação da CFTC e eventuais medidas relacionadas à parceria.

“A Comissão avaliou se a influência editorial da CNN sobre temas politicamente sensíveis, combinada com os contratos de eventos da Kalshi, torna esses mercados ‘contrários ao interesse público’? Precisamos saber”, escreveu.

“A missão da CFTC é proteger a integridade dos mercados dos EUA, e permitir que a CNN — uma rede já vista por muitos americanos como um agente propagandístico — opere dentro de um mercado preditivo em tempo real cria vulnerabilidades inaceitáveis em termos de segurança nacional e governança”, concluiu o parlamentar do Arizona.

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