A plataforma de mercados de previsão Polymarket lançou oficialmente sua exchange nos Estados Unidos para dispositivos iOS. O movimento marca um importante avanço após mais de seis meses de expectativa. Até então, usuários norte-americanos só podiam acessar a plataforma por meio de um programa piloto restrito a convidados.
Com o lançamento, usuários de iPhone nos EUA agora podem negociar mercados baseados em eventos diretamente pelo aplicativo. O acesso para Android, no entanto, ainda não está disponível.
O app para iOS oferece uma experiência de negociação completa e otimizada para dispositivos móveis. A plataforma reproduz praticamente todas as funcionalidades da versão desktop, adicionando recursos como login biométrico, notificações push e descoberta de mercados por gestos de deslizar na tela. Segundo relatos da mídia, os usuários americanos agora contam com acesso simplificado a contratos de eventos diretamente pelo celular.
Cenário regulatório
A Commodity Futures Trading Commission (CFTC) regula os mercados de previsão nos Estados Unidos ao classificar os chamados “contratos de eventos” como derivativos financeiros, swaps ou contratos futuros, reivindicando autoridade federal exclusiva sobre esse segmento.
Os mercados de eventos da Polymarket abrangem uma ampla variedade de resultados do mundo real, incluindo política, esportes, criptomoedas e acontecimentos globais. Neles, os usuários negociam posições de “sim” ou “não”, cujos preços funcionam como probabilidades de ocorrência. Esses mercados são agrupados em eventos e permitem previsões com um ou múltiplos resultados possíveis.
Alguns estados norte-americanos tentaram enquadrar esses contratos de eventos como jogos de azar. Porém, a própria CFTC também tem evitado classificá-los dessa forma. Ainda assim, estados como Minnesota aprovaram leis proibindo essas plataformas, obrigando a Polymarket a implementar bloqueios geográficos em determinadas jurisdições.
Esse cenário regulatório continua evoluindo à medida que novas regulamentações e disputas jurídicas surgem. Um exemplo é a Regra 40.11 da CFTC, que proíbe contratos considerados “contrários ao interesse público”, incluindo mercados relacionados a assassinatos ou lesões.
.@CFTC Sues Minnesota to Block State Law: https://t.co/MkF3VDFGO2
— CFTC (@CFTC) May 19, 2026
Caminho para a conformidade regulatória
A Polymarket adquiriu a QCEX, uma exchange licenciada pela CFTC, por US$ 112 milhões em julho de 2025. A operação garantiu aprovações como Designated Contract Market (DCM) e Derivatives Clearing Organisation (DCO), oferecendo à empresa uma base legal para operar nos Estados Unidos.
A aquisição foi considerada estratégica, já que a Polymarket havia sido proibida e multada em US$ 1,4 milhão em 2022 por oferecer derivativos não registrados. Ao cooperar com as investigações, a empresa conseguiu reduzir o valor da penalidade. Ainda assim, o caso se tornou uma das primeiras grandes ações regulatórias contra um mercado de previsão descentralizado. Posteriormente, a Polymarket transferiu suas operações para o exterior, mantendo atendimento aos usuários internacionais.
A empresa também obteve status de Futures Commission Merchant (FCM) após retornar ao mercado norte-americano. Com isso, passou a poder oferecer legalmente contratos de eventos, encerrando um longo processo regulatório. Agora, a Polymarket busca ampliar sua participação no mercado.
Atividade do mercado
Apesar dos desafios regulatórios, a Polymarket permaneceu ativa fora dos Estados Unidos. Usuários continuaram acessando a plataforma por meio de VPNs para negociar eventos de grande repercussão, como March Madness e o torneio de golfe The Masters, que registraram volumes expressivos de negociação durante o período em que a plataforma esteve ausente do mercado americano.
A Polymarket se define como o maior mercado de previsão do mundo em volume negociado. Seu principal concorrente, a Kalshi, atualmente concentra cerca de 90% da atividade desse mercado nos Estados Unidos. Segundo diferentes veículos de imprensa, a Polymarket busca uma nova rodada de financiamento com valuation estimado em US$ 15 bilhões, enquanto a Kalshi já é avaliada em aproximadamente US$ 22 bilhões.
Perspectivas para o setor
Os mercados de previsão seguem ganhando força nos Estados Unidos, atraindo milhões de participantes ao lado das tradicionais apostas esportivas. Analistas projetam crescimento contínuo para o segmento, e o retorno da Polymarket ao mercado americano deve acelerar ainda mais a adoção em massa dessas plataformas.
Mesmo assim, os desafios permanecem. Legisladores seguem analisando os contratos de eventos para avaliar possíveis riscos, especialmente para públicos mais jovens, como a Geração Z. Para os usuários americanos, o acesso via iOS representa a possibilidade de participação legal dentro de um ambiente com exigências mais rígidas de compliance. Já para os reguladores, o caso da Polymarket serve como um teste importante sobre como plataformas no estilo DeFi podem ser integradas aos modelos tradicionais de supervisão financeira, segundo apontam relatórios da mídia especializada.
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