A Polymarket está oficialmente de volta aos Estados Unidos após quase quatro anos fora do país. A plataforma havia sido proibida de atender usuários norte-americanos após um acordo firmado em janeiro de 2022 com a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), então sob a administração Joe Biden, que acusou a empresa de operar mercados de negociação não registrados.
A Polymarket vinha sinalizando seu retorno há meses, e finalmente confirmou, em 3 de dezembro (quarta-feira), que seu aplicativo começou a ser disponibilizado para os mais de 200 mil usuários que estavam na lista de espera, segundo números divulgados pelo Front Office Sports.
A plataforma já estava acessível em versão beta, com o CEO do UFC, Dana White, entre os usuários com acesso antecipado. Nos dias que antecederam o relançamento, o app disparou para o primeiro lugar entre os aplicativos esportivos gratuitos na App Store da Apple, conforme reportado pelo Legal Sports Report.
A nova fase da Polymarket começará com contratos baseados em eventos esportivos, ampliando posteriormente para o que a empresa descreve como “mercados sobre tudo”. A plataforma já havia antecipado que o primeiro estágio do relançamento seria fortemente focado em esportes, acompanhando a movimentada temporada de outono do futebol e do basquete nos EUA.
Da investigação ao relançamento
O retorno acontece logo após um avanço regulatório significativo: a emissão, pela CFTC, de uma Ordem de Designação Alterada, autorizando a Polymarket a operar uma plataforma de negociação totalmente regulada e intermediada, sob as regras federais aplicáveis às bolsas de negociação nos EUA. A atualização coloca a Polymarket em linha com as exigências de conformidade aplicadas aos mercados tradicionais do país.
O sinal verde para o relançamento começou a surgir pouco depois de a Polymarket ter sido liberada de duas investigações federais conduzidas pelo Departamento de Justiça (DoJ) e pela CFTC durante a administração Donald Trump.
As investigações foram iniciadas durante o governo Biden e se concentraram em dois pontos principais: verificar se a Polymarket permitiu que usuários nos Estados Unidos realizassem apostas em desacordo com as restrições regulatórias, e se a plataforma facilitou negociações não regulamentadas relacionadas à eleição presidencial norte-americana de 2024.
Contratos esportivos reacendem debates regulatórios
Contratos baseados em eventos esportivos continuam sendo um tema sensível nos EUA, onde as apostas esportivas são regulamentadas estado por estado. Mesmo assim, a principal concorrente da Polymarket, a Kalshi, já oferece mercados esportivos nacionalmente, defendendo que mercados de previsão são estruturalmente diferentes de jogos de azar.
A Kalshi continua enfrentando desafios legais sobre esses produtos, e especialistas do setor observam atentamente se a Polymarket seguirá o mesmo caminho conforme expande suas operações. Enquanto isso, o retorno da plataforma teria sido atrasado por entraves técnicos federais relacionados aos 43 dias de paralisação do governo norte-americano, encerrada em 12 de novembro — segundo especialistas citados pelo Front Office Sports.
CFTC libera Polymarket para operar negociações intermediadas
Após a aprovação regulatória, a Polymarket agora pode integrar corretores, futures commission merchants e outras estruturas tradicionais do mercado financeiro dos EUA, aproximando suas operações de uma bolsa convencional. A autorização confirma que suas atividades passam a ser regidas pelo Commodity Exchange Act e supervisionadas integralmente pela CFTC.
O fundador e CEO, Shayne Coplan, afirmou que a designação reflete “a maturidade e a transparência que o ambiente regulatório dos EUA exige”, acrescentando que a empresa pretende se posicionar como líder entre as plataformas reguladas.
Antes da implantação completa do modelo intermediado, a Polymarket implementou sistemas aprimorados de vigilância, melhorias nos processos de compensação e novas ferramentas de reporte regulatório exigidas pela Parte 16 da CFTC. Outras medidas de conformidade serão finalizadas antes da atualização completa da estrutura de lançamento.
Um mercado de previsão completamente diferente
A Polymarket retorna a um cenário muito mais competitivo do que aquele que deixou em 2022. Nos últimos dois anos, o segmento de mercados de previsão explodiu em novos participantes, incluindo PrizePicks, Underdog, Novig e o Truth Predict, ligado ao ex-presidente Donald Trump.
Operadoras tradicionais de apostas também entraram no setor. A DraftKings e a FanDuel estão desenvolvendo seus próprios mercados de previsão, mirando estados onde as apostas esportivas via mobile ainda não foram legalizadas. Em 3 de dezembro, a Fanatics lançou sua própria plataforma em 10 estados, incluindo Delaware, Dakota do Sul e Utah.
A volta da Polymarket também ocorre após um aporte significativo da Intercontinental Exchange (ICE), controladora da Bolsa de Valores de Nova York, que concordou em investir até US$ 2 bilhões na operadora baseada em blockchain, avaliando a empresa em cerca de US$ 8 bilhões na época.
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