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Quem está no comando do mercado bilionário do Brasil?

Rami Gabriel
Escrito por Rami Gabriel
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

O evento na Fiera Roma, em Roma, recebeu o dia de abertura da conferência SiGMA Europa Central, onde o recém-regulamentado mercado de jogos do Brasil dominou as discussões. No palco Regulatory Briefing 1, o painel “Power Play em Ação: Quem Está no Comando do Mercado Bilionário do Brasil?”, patrocinado pela Pay Retailers, reuniu líderes do setor para analisar os desdobramentos da regulamentação federal brasileira, que entrou em vigor em 2025. Os operadores agora encaram uma realidade dupla: de um lado, um potencial de crescimento gigantesco; de outro, estruturas tributárias complexas e exigências rigorosas de conformidade.

“O desafio é equilibrar crescimento e conformidade rigorosa para construir uma estrutura de mercado sustentável”, resumiu Plínio Augusto Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). A discussão foi moderada por Pavel Dergachev, cofundador da 4H Agency, que trouxe à mesa sua experiência em pagamentos, compliance e desenvolvimento de negócios.

Participaram também Tamas Kusztos, diretor comercial da Playson, com mais de dez anos de experiência em estratégia para cassinos e jogos online; Alexandre Tomic, fundador da Alea, com duas décadas dedicadas ao desenvolvimento de plataformas seguras de iGaming adaptadas a mudanças regulatórias; e Stepan Dobrovolskiy, CEO da BetBoom LATAM, que lidera a expansão da marca nos principais mercados emergentes da América Latina. Com Plínio Augusto Lemos Jorge oferecendo a perspectiva jurídica — apoiada em sua trajetória como ex-juiz e atual presidente da ANJL —, o painel abordou um ponto central: como, de fato, o mercado brasileiro opera agora sob o novo marco regulatório.

Regulamentação como infraestrutura

As regras federais brasileiras chegaram com exigências tributárias detalhadas e supervisão governamental direta. Jorge explicou de forma clara: “Construir um mercado sustentável exige alinhar as ambições de negócios aos marcos legais em constante evolução e às complexas obrigações fiscais.” Ele não vê a regulamentação como algo a ser contornado, mas como infraestrutura essencial para garantir estabilidade de longo prazo.

Os operadores compartilham dessa visão. Empresas como BetBoom LATAM, Playson e Alea encaram o compliance como parte intrínseca do modelo de negócios — não um obstáculo. Kusztos destacou que o sucesso depende de planejamento estratégico baseado em dados confiáveis, aliado à agilidade operacional. Dobrovolskiy reforçou: “Crescimento e conformidade não são forças opostas, mas complementares — juntas, promovem uma expansão sustentável.”

Alexandre Tomic, fundador da Alea.

Tomic enfatizou o papel da tecnologia nesse processo. Para ele, as plataformas não podem permanecer estáticas: “Elas devem evoluir junto com as mudanças regulatórias, com foco na governança de APIs e em padrões de integração que sustentem tanto a inovação quanto a supervisão.”

O que vem pela frente

Embora o mercado brasileiro pareça promissor no papel, os painelistas alertaram para desafios concretos no caminho. A legislação tributária ainda é complexa, e as operadoras precisam de sistemas de conformidade sólidos para operar legalmente. Jorge resumiu de forma direta: “A incerteza nos regimes tributários pode afastar investimentos e frear o crescimento do mercado, se não for resolvida rapidamente.”

O painel “Power Play em Ação” deixou uma mensagem clara: o sucesso do mercado brasileiro não virá apenas da regulamentação, nem apenas da ambição das operadoras — depende da colaboração entre ambos os lados. A legislação define as regras, mas é o trabalho conjunto entre governo e setor privado que determinará se o mercado prosperará ou estagnará.

Acompanhe a agenda completa da SiGMA Europa Central para conferir outras palestras, painéis e debates essenciais sobre o futuro dos jogos, tecnologia e regulamentação no setor.

O conteúdo desta página tem caráter exclusivamente informativo e destina-se ao público B2B. O Grupo SiGMA não se responsabiliza por decisões comerciais, acordos ou atividades conduzidas por participantes, expositores ou terceiros durante ou após o evento. Todos os participantes são responsáveis por garantir a conformidade com as leis e licenças aplicáveis, incluindo as da Agenzia delle Dogane e dei Monopoli (ADM) na Itália. A participação é restrita a maiores de 18 anos.