A gigante britânica de jogos Flutter Entertainment registrou uma forte queda em suas receitas na região Ásia-Pacífico (APAC) no terceiro trimestre de 2025, atribuindo o recuo à repentina proibição de jogos online na Índia e ao desempenho desfavorável dos resultados esportivos na Austrália.
Segundo a empresa, esses dois fatores combinados levaram a uma retração anual de 12% na receita da APAC, que totalizou US$ 363 milhões — fazendo da região a única entre as seis divisões internacionais da Flutter a apresentar queda no trimestre.
Proibição de jogos na Índia derruba receitas
A Flutter atribuiu a maior parte do declínio regional ao Promotion and Regulation of Online Gaming Act, 2025 — uma regulação ampla aprovada em agosto que, na prática, proíbe jogos com dinheiro real em todo o país. A mudança levou a uma baixa contábil de US$ 556 milhões, refletindo a perda de valor dos negócios do grupo na Índia após a proibição.
A nova legislação veta “a oferta, operação, facilitação, publicidade, promoção e participação em jogos online com dinheiro”, atingindo diretamente formatos populares como fantasy sports e jogos de cartas online em que usuários depositam e apostam valores reais.
A medida pegou o setor de surpresa, obrigando diversas empresas a suspender suas operações praticamente da noite para o dia. A Junglee Games, braço indiano da Flutter — conhecida por oferecer rummy com dinheiro real e títulos de fantasy sports — foi uma das afetadas.
“Estamos extremamente desapontados com a mudança repentina e inesperada no cenário regulatório da Índia.”
– Peter Jackson, CEO da Flutter Entertainment
Desde então, a Junglee limita sua oferta a conteúdos free-to-play, enquanto a Flutter reavalia sua estratégia de médio prazo para o mercado indiano. No comunicado de resultados, o CEO Peter Jackson classificou a mudança regulatória como “repentina e inesperada”, destacando que a empresa “investiu significativamente na Índia nos últimos anos, oferecendo de forma responsável jogos inovadores baseados em habilidade ao público indiano”.
Austrália adiciona pressão
Além da Índia, o desempenho da Flutter na Austrália — seu maior mercado na região — também ficou abaixo do esperado. A Sportsbet, marca de apostas esportivas do grupo, foi impactada por um “recuo adverso de 110 pontos-base” nos resultados esportivos.
A empresa também registrou uma queda de 5% no volume apostado em corridas de cavalos, reflexo de uma atividade menor dos apostadores. Esse impacto, porém, foi parcialmente compensado por uma redução de 50 pontos-base na “generosidade ao cliente”, resultado de promoções mais direcionadas. Apesar da desaceleração, a Flutter manteve sua posição de liderança no mercado australiano.
Negócios seguem sólidos em outras regiões
No cenário global, a receita total da Flutter cresceu 17% na comparação anual, alcançando US$ 3,79 bilhões. O EBITDA Ajustado avançou 6%, chegando a US$ 478 milhões, impulsionado principalmente pelo desempenho na Europa e nos Estados Unidos. A divisão internacional registrou um aumento de 21% na receita, somando US$ 2,43 bilhões — um sinal da resiliência das operações do grupo como um todo.
Contudo, o prejuízo líquido aumentou de forma significativa, passando de US$ 114 milhões para US$ 789 milhões, refletindo majoritariamente o impacto da baixa contábil relacionada à Índia. Embora o governo indiano tenha defendido a nova legislação como uma medida de proteção ao consumidor, críticos afirmam que a regra mistura jogos de habilidade e jogos de azar, colocando operadores legítimos no mesmo patamar de sites ilegais. Para a Flutter, o episódio evidencia os riscos de atuar de forma intensa em mercados com regulamentações instáveis ou imprevisíveis — mesmo em um momento em que a empresa amplia sua presença nos Estados Unidos e na Europa.
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