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Tailândia aprova megaprojeto sem cassinos na região do EEC

Jefferson Mendoza
Escrito por Jefferson Mendoza
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Tailândia aprovou um gigantesco complexo de turismo e entretenimento no Corredor Econômico Oriental (EEC), com investimento estimado em até THB 700 bilhões (US$ 22,56 bilhões). O projeto é peça-chave da estratégia do governo para impulsionar o crescimento econômico e expandir o setor de turismo do país.

O vice-primeiro-ministro e ministro dos Transportes, Phiphat Ratchakitprakarn, confirmou que o conselho do EEC analisará a proposta ainda esta semana antes de encaminhá-la ao Gabinete. Ele destacou que o complexo não incluirá cassinos, em linha com as prioridades políticas do governo e as promessas feitas durante a campanha eleitoral.

Impulso ao crescimento do PIB

A administração do primeiro-ministro Anutin Charnvirakul tem como meta um crescimento do PIB em torno de 3% em 2026, sustentado principalmente por investimentos em infraestrutura e turismo. O novo polo foi concebido como um destino artificial de grande escala, com capacidade para atrair até 40 milhões de visitantes por ano.

Os dados do turismo reforçam o desafio enfrentado pelo país: a Tailândia recebeu 32 milhões de visitantes internacionais em 2025, uma queda de 7,23% em relação aos 35,55 milhões registrados em 2024. As chegadas mensais variaram de 2,24 milhões em setembro a 3,71 milhões em janeiro, enquanto a taxa de ocupação hoteleira atingiu o pico de 78% em dezembro, segundo as Estatísticas de Turismo da Tailândia de 2025.

Criado em 2014, o EEC abrange as províncias de Rayong, Chonburi e Chachoengsao, com conexões diretas com Bangkok e Samut Prakan. A região é amplamente considerada o principal corredor estratégico do país para logística, indústria e turismo.

Chegadas internacionais à Tailândia (2015–2025) (Fonte: Statista)

Estrutura do complexo

O projeto prevê instalações esportivas, parques temáticos de padrão internacional, amplas áreas comerciais e centros médicos avançados, formando um novo polo urbano integrado. Além disso, o EEC pretende desenvolver pelo menos 15 cidades inteligentes até 2027, incorporando infraestrutura digital, eficiência energética e sistemas modernos de transporte.

Com área total de 15 mil rai (cerca de 24 milhões de metros quadrados), o empreendimento reservará 5 mil rai (8 milhões de metros quadrados) exclusivamente para equipamentos esportivos e parques temáticos. Não será permitida a instalação de fábricas industriais dentro da zona, reforçando o foco em turismo, lazer e estilo de vida.

Infraestrutura e conexões de investimento

O projeto deve acelerar investimentos complementares, incluindo uma linha ferroviária de alta velocidade ligando três aeroportos, a expansão do entorno do Aeroporto de U-Tapao e a construção de instalações esportivas avaliadas em THB 350 bilhões (US$ 11,28 bilhões). Os investimentos em transporte e desenvolvimento aeroportuário estão estimados em THB 300 bilhões (US$ 9,6 bilhões).

O projeto ferroviário dos Três Aeroportos conectará Don Mueang, Suvarnabhumi e U-Tapao por meio de uma linha de 220 quilômetros com nove estações, ligando Bangkok a Rayong. A previsão é que a operação comece em 2029.

Segundo o Departamento de Relações Públicas da Tailândia, entre janeiro e outubro de 2024, o investimento estrangeiro no EEC alcançou THB 45,7 bilhões (US$ 1,47 bilhão), um crescimento de 146% em comparação com 2023. O Japão liderou os aportes, com THB 16,2 bilhões (US$ 520 milhões).

No início de 2025, o número de investidores estrangeiros no EEC aumentou 40% na comparação anual, representando 30% de todos os investidores externos no país no período, conforme reportado pela imprensa local, o The Bangkok Post.

Visão ao estilo Disneyland

Em fevereiro, Ratchakitprakarn revelou que estão em andamento discussões sobre um projeto inspirado no modelo “Disneyland Tailândia”, estruturado por meio de uma parceria público-privada. A proposta aproveita a proximidade do EEC com Bangkok, Pattaya e Rayong, além da infraestrutura existente de aeroportos, ferrovias e portos.

Propostas anteriores baseadas em cassinos, apresentadas por administrações passadas, não avançaram, reforçando a atual diretriz do governo de manter o projeto livre de jogos de azar.

Ainda assim, moradores da província de Prachin Buri organizaram protestos tanto a favor quanto contra a possível inclusão da região no EEC. Críticos argumentam que a expansão beneficiaria mais os investidores do que as comunidades locais, levantando preocupações sobre uso do solo e impactos sociais, segundo veículos de imprensa da região.

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