Vídeo: Como pagamentos mais inteligentes estão redefinindo as estratégias de crescimento dos operadores
Durante a SiGMA Europa Central, em Roma, neste mês de novembro, o painel Estratégia de Pagamentos e sua Importância para o Crescimento das Operadoras (Payments Strategy and Its Importance for Operators’ Growth) reuniu líderes do setor para discutir como os meios de pagamento deixaram de ser apenas um custo operacional. Hoje, eles se tornaram motores essenciais de crescimento, capazes de aumentar receita, melhorar a retenção de jogadores e impulsionar a inovação em novos mercados.
O moderador Julian Goffin conduziu a conversa com Gil Tal, Fundador e CEO da PayConsult; Karolis Dula, Diretora de Pagamentos da Alea; Laia Mena, Cofundadora e Diretora da Caliu; e Rob Reid, Fundador e CEO da Everest. O debate abordou desde eficiência operacional e otimização de pagamentos até liquidações instantâneas, infraestrutura cripto, finanças integradas e os desafios regulatórios que moldam o futuro dos pagamentos no iGaming.
Fatores de crescimento
Muitos operadores ainda tratam pagamentos como um elemento de bastidor. No entanto, como destacou Karolis Dula, Head of Payments da Alea, essa visão está ultrapassada:
“Pagamentos são a continuidade da aquisição e o início da retenção. É preciso pensar em como integrar pagamentos ao seu modelo operacional.” Ele reforçou que crescimento não é apenas tráfego — é garantir que os jogadores consigam transacionar com os métodos que fazem parte do seu cotidiano. Fluxos de pagamento lentos ou inconsistentes prejudicam conversão e estimulam a migração para concorrentes que correspondem melhor às expectativas dos usuários.
Gil Tal, CEO da PayConsult, complementou esse ponto com um exemplo simples: um aumento de apenas 10% na taxa de aprovação pode abrir novos mercados, elevar o tráfego de afiliados e aumentar de forma significativa a receita. “Se o jogador não consegue depositar na primeira tentativa, ele vai para outra marca. Pagamentos bem estruturados abrem oportunidades muito além do próprio pagamento.”
Quando o debate avançou para a diferença entre eficiência e inovação real, Rob Reid, CEO da Everest, destacou a importância dos tokens dos operadores: “Taxas de aceitação chegando a 98% mudam tudo. Quando o operador permite que o usuário compre um token próprio, isso vira lealdade, vira breakage e, pouco a pouco, o operador se torna o banco.” Segundo ele, os tokens criam uma camada extra de receita semelhante aos cartões-presente. E, com cada vez mais marcas oferecendo carteiras proprietárias e recargas em tempo real, a fronteira entre fintech e iGaming segue se dissolvendo.
Laia Mena, cofundadora da Caliu, acrescentou que parceiros de pagamento também reduzem o peso operacional com KYC automatizado, controles antifraude e saques otimizados: “Não é apenas experiência do usuário. Pagamentos reduzem equipes internas, diminuem verificações manuais e melhoram taxas conforme o volume cresce.” Ou seja, eficiência gera capacidade de escalar.
Inovação e conformidade
A inovação avança mais rápido que a regulamentação, especialmente em áreas como cripto e stablecoins. Com o Genius Act e o MiCA redefinindo o cenário regulatório na Europa, Goffin questionou como operadores podem ser inovadores sem perder conformidade.
Tal destacou que a resiliência de longo prazo depende de construir sistemas adaptáveis e não apostar tudo em uma única solução: “A chave é flexibilidade e diversidade. É preciso ter várias opções. Não é possível prever todas as mudanças, mas é possível estar preparado.”
No atual contexto, depender de um único PSP para gerenciar a maior parte do tráfego é arriscado demais. Operadores precisam diversificar, distribuir volumes em cascata, equilibrar fluxos entre fiat e cripto e adotar integrações modulares que permitam ajustes rápidos diante de novas exigências regulatórias. Essas estratégias são essenciais para um crescimento seguro.
Pagamentos instantâneos e o futuro do sistema bancário
Dula prevê que pagamentos instantâneos deixarão de ser um benefício VIP e se tornarão padrão. Liquidações transfronteiriças com stablecoins estão crescendo rapidamente, aproximando-se dos volumes globais da Visa — e até o SWIFT está buscando integração com redes baseadas em stablecoins. Ele também destacou PSD3, pagamentos autônomos e fluxos aprimorados de dados como fatores que mudam o comportamento de pagamentos na Europa: “Nós seguimos os gráficos. Essas tecnologias vão influenciar como os usuários gastam no dia a dia, e os operadores precisam acompanhar esse nível.”
Na reta final, Goffin perguntou se os operadores algum dia deixarão de depender dos provedores de pagamento. Reid foi direto, alertando que quem não assumir o controle de partes essenciais do próprio stack operacional corre o risco de ficar para trás: “Se não assumirem uma parte do stack, serão como jornais em 1996. As grandes já entenderam: querem suas próprias carteiras, seus próprios sistemas de monitoramento, suas próprias estruturas de identidade. É para lá que o mundo está indo.”
Em consenso, o painel reforçou: pagamentos deixaram de ser uma função de suporte. Hoje, são um motor estratégico de aquisição, retenção, prontidão regulatória e novas fontes de receita. Operadores que entenderem isso vão crescer — e os que ignorarem essa tendência correm o risco de serem ultrapassados.
Para mais debates como este, acompanhe a SiGMA Sul da Ásia, no Sri Lanka, de 30 de novembro a 2 de dezembro, onde operadores, afiliados, reguladores e especialistas em tecnologia vão discutir tendências imperdíveis no palco.
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