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WarHorse Casinos apresenta plano para cobrir déficit de US$ 32 milhões em Nebraska

Sudhanshu Ranjan
Escrito por Sudhanshu Ranjan
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Por muitos anos, moradores de Nebraska atravessaram o rio Missouri para apostar legalmente online em Iowa, fazendo com que o estado perdesse centenas de milhões de dólares em arrecadação tributária. Sem mecanismos de autoexclusão, sem restrições etárias efetivas e sem retorno financeiro para os cofres públicos, sites offshore ilegais passaram a ocupar esse espaço de forma silenciosa. No entanto, esse cenário está prestes a mudar.

Em entrevista exclusiva à SiGMA News, Lynne McNally, diretora de Relações Governamentais da WarHorse Casinos, detalhou sua campanha para legalizar as apostas esportivas online em Nebraska. Após repetidos fracassos legislativos em 2024 e 2025 — incluindo obstruções parlamentares que travaram projetos de lei —, McNally e sua coalizão optaram por uma iniciativa popular por meio de referendo.

Roteiro para aprovação nas urnas em 2026

Para se qualificar, a campanha precisa reunir assinaturas de 10% dos eleitores registrados de Nebraska, o que equivale a cerca de 125 mil pessoas, além de comprovar apoio mínimo de 5% em 38 dos 93 condados do estado. A distribuição geográfica é tão importante quanto o volume total, devido a esse duplo critério.

McNally, que já coordenou campanhas desse porte anteriormente, afirmou que as metas por condado seguirão os percentuais exigidos, com recursos distribuídos proporcionalmente em todo o estado. Ela destacou: “Já trabalhei em uma campanha muito semelhante a esta, que exigia ainda mais assinaturas. Por isso, estou confiante de que conseguiremos montar uma estratégia eficiente e atingir esse objetivo.”

As parcerias já existentes da WarHorse com FanDuel, DraftKings e BetMGM indicam que os maiores operadores do país têm interesse real na legalização em Nebraska. McNally evitou entrar em detalhes, mas deixou clara a mensagem: essa já não é apenas uma luta dos criadores de cavalos, e sim um esforço coordenado de toda a indústria.

Base de US$ 32 milhões, com Iowa como referência

A estimativa amplamente citada pelo senador estadual Eliot Bostar aponta que Nebraska deixa de arrecadar cerca de US$ 32 milhões por ano em impostos com apostas esportivas online. McNally, porém, acredita que o valor real após a legalização pode ser significativamente maior e usa Iowa como principal parâmetro comparativo.

Iowa lançou as apostas esportivas online em agosto de 2019 e desde então se tornou um mercado sólido, com grande parte de seus apostadores vindo historicamente de Nebraska. McNally utiliza dados per capita de Iowa e ajusta para a população menor de Nebraska — uma abordagem conservadora que, ainda assim, indica retornos expressivos para o fundo estadual de alívio do imposto predial.

McNally ressaltou: “70% da arrecadação vai para o fundo de alívio do imposto predial do nosso estado. E é para lá que esse dinheiro será direcionado.”

Pesquisas e perfis demográficos

A Iniciativa 429 — o referendo de 2020 que legalizou os cassinos presenciais — foi aprovada com 65% dos votos. Segundo McNally, o sentimento em relação a esse próximo passo é igualmente amplo, com apenas um grupo demográfico apresentando rejeição consistente: mulheres republicanas brancas acima de 50 anos. Em vez de enxergar isso como um problema, ela vê como prova da amplitude da coalizão.

McNally afirmou: “Temos apoio em praticamente todos os segmentos da população. Acredito que contamos com um respaldo esmagador em todos os grupos demográficos, exceto em um.”

Salvaguardas e proteção ao consumidor

O principal argumento de McNally não se baseia apenas na arrecadação, mas no que já está acontecendo hoje. Apesar de Nebraska permitir apenas apostas presenciais, ela citou um aumento projetado de 45% nas contas de apostas móveis entre 2023 e 2024. Ou seja, os moradores já estão apostando online — porém de forma ilegal e sem qualquer proteção ao consumidor. Para ela, a legalização resolve um problema existente, em vez de criar um novo.

McNally explicou: “Firmamos parcerias com empresas globais como DraftKings, FanDuel e BetMGM — todas possuem mecanismos para impedir apostas por menores de idade. Se alguém estiver em autoexclusão, essas listas são enviadas à nossa comissão reguladora. Temos vários tipos de salvaguardas. Se isso for legalizado, esses controles passam a existir. Mas se deixarmos o mercado ilegal crescer, esses problemas só vão aumentar exponencialmente.”

Enfrentar o jogo problemático

Defensores da prevenção ao jogo patológico alertam que o orçamento de Nebraska para tratamento não acompanharia a demanda de um mercado totalmente online. Durante décadas, antes da legalização dos cassinos no estado, era Iowa quem absorvia os gastos com apostas — e nenhum recurso retornava a Nebraska para custear tratamentos.

McNally comentou: “Agora eles têm recursos. Enviamos milhões para lá para tratamento. Então, espero que essas novas receitas também sejam usadas para esse tipo de finalidade.”

Próximos passos

Com equipes de coleta de assinaturas já presentes em cassinos, eventos locais e áreas de grande circulação, a campanha tem cerca de quatro meses para atingir os dois critérios exigidos antes do prazo final de 3 de julho de 2026. Caso tenha sucesso, os eleitores de Nebraska enfrentarão uma decisão histórica em novembro: finalmente integrar o mercado de apostas do estado a um sistema regulamentado, tributado e com salvaguardas, ou continuar enviando seu dinheiro — e seus dados — para plataformas que não oferecem nenhuma dessas proteções. Diante da coalizão formada por McNally e da estrutura de base já em funcionamento, tudo indica que a aposta mais segura será nas urnas.

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