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Brasil leva debate sobre apostas à OMS enquanto mercado busca equilíbrio entre regulação e jogo responsável

Julia Moura
Escrito por Julia Moura

Durante a Assembleia da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizada em Genebra, na Suíça, o governo brasileiro defendeu um projeto global para avançar na regulação do setor de apostas eletrônicas, destacando preocupações ligadas à saúde mental, publicidade, proteção de menores e jogo responsável. O tema foi apresentado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que afirmou que o assunto passou a ocupar um espaço prioritário dentro da agenda do governo brasileiro à medida que o mercado regulado de apostas cresce no país.

Nos bastidores da indústria, existe um entendimento de que a regulamentação e o crescimento sustentável precisam caminhar juntos. Em vez de enxergar medidas de proteção como um obstáculo, parte significativa das empresas licenciadas passou a tratar o jogo responsável como uma peça de extrema importância para a consolidação de longo prazo do mercado.

O Brasil vive atualmente uma fase importante dessa transição. Após anos operando em um cenário sem regulamentação específica, o país agora tenta estruturar um ambiente mais seguro tanto para consumidores quanto para operadores. Isso inclui regras de publicidade, exigências de compliance, monitoramento financeiro e ferramentas voltadas à proteção de usuários.

Embora medidas como a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, lançada em dezembro de 2025 pelos Ministérios da Saúde e da Fazenda, sejam frequentemente associadas apenas à proteção social, elas também são vistas pelo setor como parte da profissionalização do mercado brasileiro. Em jurisdições mais maduras, como Reino Unido, Suécia e Dinamarca, ferramentas de autoexclusão já fazem parte da estrutura regulatória há anos e são consideradas elementos importantes para aumentar a credibilidade da indústria.

O mesmo vale para iniciativas ligadas à saúde mental. Em 2026, o Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer um serviço de teleatendimento voltado a apostadores, familiares e redes de apoio, com investimento de R$ 2,5 milhões. O atendimento também foi ampliado em CAPS, unidades de atenção primária e serviços de urgência.

Para muitos especialistas do setor, o avanço dessas políticas ajuda a criar uma separação mais clara entre operadores regulamentados e plataformas ilegais. Isso porque as empresas licenciadas tendem a ser obrigadas a seguir protocolos de proteção ao usuário, enquanto os sites não autorizados operam fora das exigências locais.

Esse ponto tem sido uma das principais preocupações da indústria global. Em diversos mercados regulados, operadores argumentam que restrições excessivas podem acabar empurrando consumidores para plataformas ilegais, onde não existem mecanismos de controle, limites de jogo, monitoramento de comportamento ou políticas de prevenção. Por isso, a pauta levada para debate internacional não aborda a proibição das apostas, mas sim o modelo regulatório que consegue equilibrar arrecadação, proteção social e competitividade do mercado legal.

Nos últimos anos, grandes operadores globais aumentaram seus investimentos em tecnologias de monitoramento de comportamento, inteligência artificial para identificação de padrões compulsivos e ferramentas de limitação de depósitos e perdas. Em alguns mercados europeus, as empresas já utilizam sistemas que identificam mudanças bruscas no comportamento do jogador para acionar alertas preventivos, inclusive o Brasil.

Além disso, o avanço regulatório também traz mais segurança jurídica para investidores e empresas que desejam atual legalmente no país. O Brasil é hoje um dos mercados mais observados pela indústria global de iGaming, principalmente pelo tamanho da população, força do esporte local e potencial de crescimento digital. Essa combinação explica por que tantos operadores internacionais continuam apostando na expansão brasileira, mesmo depois do aumento da fiscalização e das discussões regulatórias.

Outro fator importante é que o debate sobre jogo responsável deixou de ser apenas uma exigência regulatória e passou a impactar diretamente a reputação de marca, as parcerias esportivas e o relacionamento com consumidores. Em um ambiente cada vez mais competitivo, empresas que demonstram compromisso com proteção ao usuário tendem a ganhar vantagem estratégica no longo prazo.

A tendência é que organismos internacionais, reguladores e operadores passem a colaborar cada vez mais em temas ligados à prevenção ao vício, proteção de menores e combate ao mercado ilegal.

No fim das contas, o avanço do mercado brasileiro de apostas parece caminhar para um cenário em que crescimento e responsabilidade precisarão coexistir. E, para muitos operadores, essa pode ser justamente a base necessária para garantir sustentabilidade de longo prazo em uma das regiões mais estratégicas do iGaming global.

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