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Brasil registra 38 bilhões em apostas e 17,7 milhões de apostadores ativos em 2025 

Julia Moura
Escrito por Julia Moura

Com a regulamentação avançando e o mercado todos os dias em expansão, o setor de jogos e apostas no Brasil já movimenta cerca de R$ 38 bilhões por ano em faturamento, segundo dados apresentados pela consultoria H2 Gambling Capital durante a Casa Brasil, que aconteceu durante o ICE Barcelona nesta semana. Ainda assim, quase um terço dessa movimentação ocorre fora do sistema legal, em plataformas não licenciadas. A apresentação foi conduzida por Ed Birkin, Managing Director da H2 Gambling Capital, e reuniu autoridades, operadores e especialistas para discutir os rumos da indústria no Brasil, um dos mercados mais promissores da América Latina

Apesar da nova estrutura regulatória que entrou em vigor em janeiro de 2025, com a criação de regras para as apostas esportivas e iGaming, a participação de plataformas não licenciadas ainda é alta. A H2 Gambling Capital, ao reunir diferentes fontes (pesquisa com apostadores, dados de transações do Banco Central via Pix e métricas de tráfego online) estima que cerca de R$ 15 bilhões em receita bruta (GGR) por ano circulam fora do mercado regulamentado, o que equivale a aproximadamente 30% do total do setor no Brasil.  

Segundo o BNLData, outras pesquisas trazem relevância a esses dados, um levantamento do Instituto Locomotiva apontou que 61% dos apostadores brasileiros usaram sites ilegais em 2025, muitas vezes sem saber diferenciar entre plataformas licenciadas e irregulares. Esse dado, no entanto, bate de frente com a preferência declarada pelos usuários. Na pesquisa da H2, 60% dos entrevistados afirmaram valorizar o uso de plataformas licenciadas, embora cerca de 30% não saibam como verificar a legalidade de um site, e 20% indiquem que ofertas de bônus são mais importantes do que a licença em si. Apenas 3% admitem escolher conscientemente um site irregular. 

O comportamento dos apostadores 

O perfil do apostador brasileiro está moldando esse mercado em expansão. Dados oficiais da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda mostram que 17,7 milhões de brasileiros participaram de apostas com odds fixas apenas no primeiro semestre de 2025, com gasto médio de cerca de R$ 164 por mês por apostador ativo. Esse público tende a ser, em sua maioria, masculino e jovem, com grande presença de usuários entre 18 e 40 anos. 

Apesar de sua popularidade, parte desses usuários ainda enfrenta dificuldade em distinguir operadores legais de irregulares. Segundo outra pesquisa divulgada em 2025, cerca de 78% dos entrevistados consideram difícil identificar se uma plataforma tem licença, um fator que alimenta o fluxo de apostas em sites não regulamentados.  

Comparação internacional 

Alguns especialistas internacionais que estavam presentes na Casa Brasil chamaram atenção para um ponto importante, a participação de plataformas legais em mercados maduros costuma ser bem mais elevada. Países como Reino Unido, Itália e Austrália mantêm entre 60% e 85% das apostas em canais regulamentados, mesmo com cargas tributárias altas e fortes restrições operacionais. Na Holanda, por exemplo, após impor regras rígidas sobre publicidade e limites de aposta, a participação de operadores regulamentados caiu de 69% para cerca de 50%, com o mercado ilegal crescendo em paralelo, um alerta de que uma regulamentação excessivamente restritiva pode ter efeitos contrários aos objetivos.  

No Brasil, o desafio é combinar uma estrutura fiscal eficiente, regras bem definidas e fiscalização tecnológica para integrar o máximo possível de apostas no mercado formal, tanto para aumentar a arrecadação quanto para proteger o consumidor. 

Arrecadação, tributação e futuro do setor 

Apesar do cenário de ilegalidade, os números oficiais demonstram o potencial econômico do setor regulado. No primeiro semestre de 2025, o mercado legal gerou R$ 17,4 bilhões em receita bruta de jogos (GGR), com contribuições relevantes de cerca de R$ 3,8 bilhões em impostos e mais de R$ 2 bilhões em taxas de licença e fiscalização. 

Especialistas estimam que, com o fortalecimento da regulamentação e políticas eficazes de combate ao mercado ilegal, incluindo o bloqueio de sites, restrições a transações financeiras e campanhas de conscientização, o mercado formal pode crescer ainda mais nos próximos anos. Projeções da H2 Gambling Capital sugerem que, até 2027, os operadores licenciados possam responder por até 93% do GGR do setor online, desde que a fiscalização e o cumprimento das regras sejam aprimorados de forma consistente.  

Outro ponto de atenção é o equilíbrio entre proteção ao jogador e ambiente competitivo. Regulamentar sem sufocar, fiscalizar sem travar o desenvolvimento de tecnologia e serviços, e oferecer clareza ao consumidor sobre os riscos e benefícios de apostar em plataformas legais. 

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