O INSPIRE Entertainment Resort, um dos mais relevantes complexos integrados de cassino da Coreia do Sul, registrou um forte aumento de receita no exercício financeiro encerrado em 30 de setembro de 2025. Ainda assim, o empreendimento segue operando no vermelho, pressionado por custos elevados e por um cenário de incerteza em relação à sua estrutura societária.
De acordo com demonstrações financeiras auditadas apresentadas ao Serviço de Supervisão Financeira da Coreia do Sul (FSS), a receita bruta de jogos (GGR) alcançou KRW 267,23 bilhões (US$ 181,7 milhões), mais que o dobro dos KRW 107,94 bilhões (US$ 73,4 milhões) registrados no exercício anterior. A receita total no ano fiscal de 2025 chegou a KRW 415,98 bilhões (US$ 282,9 milhões), quase o dobro dos KRW 219,04 bilhões (US$ 148,9 milhões)contabilizados em 2024.

Comparações diretas ano a ano seguem sendo desafiadoras. O cassino do INSPIRE, exclusivo para estrangeiros, foi inaugurado oficialmente em fevereiro de 2024, após uma abertura gradual das áreas não relacionadas ao jogo em novembro de 2023. Dessa forma, o exercício de 2025 representa o primeiro ano completo de operação do cassino. Apesar do avanço expressivo na receita, o INSPIRE reportou um prejuízo líquido de KRW 154,82 bilhões (US$ 105,3 milhões) — uma melhora significativa em relação à perda de KRW 265,44 bilhões (US$ 180,5 milhões) registrada no ano anterior.
Ainda distante da lucratividade
Analistas apontam que a redução do prejuízo indica avanços iniciais na estabilização das operações, embora o resort ainda esteja distante de atingir a lucratividade. As atividades não relacionadas ao jogo continuaram desempenhando um papel central no desempenho geral. A receita com hospedagem subiu para KRW 56,24 bilhões (US$ 38,2 milhões), ante KRW 46,17 bilhões (US$ 31,4 milhões) em 2024. Já a receita de alimentos e bebidas avançou para KRW 51,7 bilhões (US$ 35,2 milhões), frente aos KRW 38,95 bilhões (US$ 26,5 milhões) do ano anterior.
As receitas provenientes de entretenimento, varejo e outras atrações — incluindo a arena do INSPIRE com capacidade para 15 mil espectadores — totalizaram KRW 32,14 bilhões (US$ 21,9 milhões), acima dos KRW 22,22 bilhões (US$ 15,1 milhões) registrados no exercício anterior. Observadores do setor destacam que, embora essas estruturas ajudem a aumentar o fluxo de visitantes, elas também implicam custos elevados de operação e manutenção.
O INSPIRE foi originalmente desenvolvido pela Mohegan, uma tribo indígena norte-americana sediada em Connecticut, representando seu primeiro grande projeto fora da América do Norte. Avaliado em KRW 2,2 trilhões (€ 1,5 bilhão), o resort conta com três hotéis cinco estrelas, totalizando 1.275 quartos, uma grande arena dedicada ao K-pop, amplas áreas comerciais e o maior cassino exclusivo para estrangeiros da Coreia do Sul.
O cassino abriga 159 mesas de jogo, 395 máquinas caça-níqueis e um estádio de jogos eletrônicos de mesa com 195 assentos. Ainda assim, o desempenho do jogo nos primeiros meses ficou aquém do esperado, com receita de cassino e volume apostado nas mesas abaixo das projeções iniciais.
Prejuízo diminui após a entrada da Bain
Em fevereiro de 2025, o fundo de private equity Bain Capital assumiu o controle operacional do projeto após antecipar a execução de um empréstimo de KRW 370 bilhões (US$ 251,6 milhões), dois anos antes do prazo previsto. A decisão ocorreu depois que a Mohegan deixou de cumprir determinadas cláusulas contratuais relacionadas a metas de crescimento, apesar de seguir honrando os pagamentos de juros e principal da dívida.
A medida afastou, na prática, a Mohegan do controle cotidiano de um projeto que levou quase uma década para ser desenvolvido. Desde então, a Bain passou a responder pela gestão do empreendimento e iniciou uma revisão estratégica, incluindo a análise de parcerias operacionais e até mesmo de um processo de venda.
O INSPIRE também enfrentou fatores externos adversos. Uma queda temporária no turismo internacional, após um período de instabilidade política na Coreia do Sul no fim de 2024, impactou o número de visitantes. O resort segue fortemente dependente de turistas estrangeiros, especialmente da China, embora iniciativas recentes para restabelecer viagens em grupo sem exigência de visto devam favorecer o crescimento futuro.
A Bain Capital afirma que melhorias operacionais já estão em curso e que tanto o fluxo de visitantes quanto o GGRcomeçaram a se recuperar. Analistas indicam que o desempenho do INSPIRE em 2026 será acompanhado de perto, à medida que o novo controlador redefine a estratégia e avalia as perspectivas de longo prazo do resort no competitivo mercado sul-coreano de cassinos exclusivos para estrangeiros.
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