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Esporte além dos estádios: a nova era da IA e do engajamento de fãs

Ansh Pandey
Escrito por Ansh Pandey

O esporte está cada vez mais extrapolando os limites dos estádios e dos dias de jogo, evoluindo para uma indústria global mais ampla, moldada por investimentos, tecnologia e mudanças no comportamento do público. A avaliação é de Samir Ceric, sócio-gerente da SportingThinking. Durante sua participação no Media Lounge da SiGMA Europa Central, Ceric descreveu o esporte como um ecossistema de longo prazo, influenciado por fluxos de capital, dados e pela transformação das expectativas dos fãs.

Na visão de Ceric, as fronteiras tradicionais da indústria esportiva estão se tornando cada vez menos definidas. “O setor esportivo pode ser fechado e pouco acessível”, afirmou. “Queremos redefinir como o ecossistema do esporte é estruturado e consumido para além dos estádios e arenas.” Suas declarações refletem o crescimento contínuo do setor, à medida que clubes, ligas e parceiros intensificam investimentos em ferramentas digitais para se conectar com o público fora dos ambientes presenciais.

As apostas esportivas globais passaram a ocupar um papel cada vez mais relevante dentro da economia do esporte. Para clubes, ligas e detentores de direitos, parcerias com operadores de apostas representam hoje uma oportunidade comercial significativa — mas que exige decisões cuidadosas. As operadoras buscam equilibrar geração de receita, integridade competitiva e práticas de jogo responsável, especialmente em um cenário de expansão contínua na Europa, nas Américas e em partes da Ásia.

Nos últimos anos, o setor cresceu de forma acelerada, impulsionado pelo avanço da regulamentação em diversos países e pela maior aceitação das apostas digitais. Estimativas de mercado indicam que a indústria global de apostas esportivas ultrapassou US$ 110,9 bilhões em 2024, segundo dados da Grand View Research. Esse crescimento tem sido impulsionado principalmente por plataformas mobile-first, apostas ao vivo e uma integração cada vez mais estreita com a cobertura esportiva na mídia.

Interesse crescente de investimentos dos EUA e do Oriente Médio

Ceric destacou o aumento do interesse de fundos de private equity e investidores institucionais, especialmente dos Estados Unidos e do Oriente Médio. “Vimos uma entrada massiva de private equity no esporte, sobretudo a partir dos EUA e do Oriente Médio, o que deu ao setor uma plataforma verdadeiramente global”, afirmou. Esse movimento tem se refletido em investimentos no futebol, no automobilismo e em outras ligas profissionais, além de rodadas de financiamento para empresas de tecnologia voltadas à análise de desempenho e operações comerciais, conforme reportado pelo The Times.

Segundo Ceric, a escala e a visibilidade do esporte o tornam especialmente atrativo para investidores com visão de longo prazo. “O esporte sempre teve um impacto gigantesco; bilhões de pessoas acompanham futebol, basquete, a NFL, e veem atletas e proprietários como referências de liderança”, disse. No entanto, ele ressaltou que o retorno financeiro costuma exigir paciência. “O esporte é um investimento de impacto. Não é transacional — exige uma visão de 10 a 15 anos”, completou.

Tecnologia e dados transformam as operações

A tecnologia continua desempenhando um papel cada vez mais central na forma como o esporte é gerido e consumido. Inteligência artificial, análise de dados e blockchain vêm sendo aplicados em áreas como avaliação de desempenho, produção de transmissões e engajamento de fãs. Pesquisadores de mercado estimam que as aplicações baseadas em IA no esporte já representam um segmento de vários bilhões de dólares e devem crescer ainda mais, à medida que ligas adotam análises preditivas e ferramentas de personalização.

Para Ceric, a tecnologia deve ser encarada como um recurso de apoio, e não como substituição das pessoas. “A IA não veio para substituir treinadores ou profissionais, mas para tornar a tomada de decisões mais eficiente e qualificada”, afirmou. Grandes organizações esportivas têm firmado parcerias com provedores de nuvem e tecnologia para aprimorar insights em tempo real e experiências digitais para os fãs, incluindo iniciativas recentes anunciadas pela NBA, segundo a TV Tech.

As aplicações de blockchain ainda não se tornaram populares, mas já estão sendo testadas. Ceric acredita que a tecnologia pode ganhar espaço no esporte por meio de sistemas de bilhetagem, colecionáveis digitais e plataformas que permitam uma participação mais direta dos fãs. Ainda assim, a adoção até o momento tem sido irregular e limitada.

Engajamento de fãs para além do estádio

Para Ceric, o engajamento do público permanece no centro da evolução do esporte. “Os estádios são pequenos demais. Não dá para atender apenas 50 mil pessoas quando os clubes têm hoje dezenas de milhões de torcedores ao redor do mundo”, afirmou. Como resultado, organizações esportivas estão cada vez mais focadas em conteúdo digital, plataformas direct-to-consumer e experiências personalizadas que alcancem audiências globais durante todo o ano.

Ele também destacou a importância da colaboração para além dos papéis tradicionais do esporte. “A verdadeira inovação acontece quando reunimos pessoas que não vêm originalmente do esporte — de áreas como fintech, bancos e tecnologia”, disse Ceric.

Com investimentos, tecnologia e expectativas dos fãs cada vez mais interligados, Ceric observou que o esporte começa a se assemelhar a outras grandes indústrias do entretenimento. Planejamento de longo prazo, uso estratégico de dados e parcerias entre diferentes setores tornam-se fatores tão essenciais quanto o desempenho dentro de campo para moldar o futuro do esporte.

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