A Gemini garantiu a aprovação da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), dos Estados Unidos, para lançar mercados de previsão regulamentados, marcando um dos avanços regulatórios mais relevantes da empresa cripto até hoje.
A autorização concede à Gemini Titan, divisão de derivativos da companhia, o status de Designated Contract Market (DCM). Essa licença é obrigatória para a listagem de derivativos baseados em eventos nos EUA e encerra um longo processo de análise iniciado com o pedido original da Gemini, em março de 2020.
O CEO Tyler Winklevoss descreveu a aprovação como a “conclusão de um processo de licenciamento de cinco anos”, afirmando que ela inaugura uma nova fase para a estratégia de derivativos da empresa. As ações da Gemini subiram 10,8% no after-hours após o anúncio, embora o papel ainda esteja mais de 50% abaixo do preço do IPO.
Oferta de “contratos de eventos”
Com a licença em mãos, a Gemini Titan passa a poder oferecer os chamados event contracts (contratos de eventos), mercados do tipo “sim ou não” atrelados a resultados futuros. Esses contratos podem envolver questões sobre preços de criptomoedas, empresas de tecnologia, decisões regulatórias ou acontecimentos globais.
Entre os exemplos citados pela própria empresa estão perguntas como: “O Bitcoin encerrará o ano acima de US$ 200 mil?” e “A plataforma X, de Elon Musk, pagará integralmente a multa de US$ 140 milhões à Comissão Europeia em 2026?”. Em essência, o formato é bastante semelhante ao de produtos já oferecidos por plataformas como Kalshi, Polymarket e Crypto.com.
A Gemini ainda não divulgou uma data específica de lançamento, mas informou que o acesso começará “em breve”. Inicialmente, os clientes nos Estados Unidos poderão utilizar uma plataforma baseada na web, com a negociação via dispositivos móveis prevista para uma fase posterior. O presidente da Gemini, Cameron Winklevoss, compartilhou uma visão ambiciosa ao afirmar que os mercados de previsão podem se tornar “tão grandes quanto, ou até maiores que, os mercados de capitais tradicionais”. Para ele, a negociação de eventos regulamentada tende a se tornar uma peça cada vez mais relevante na previsão financeira.
O interesse por mercados de previsão cresceu de forma significativa desde que um tribunal federal derrubou, no ano passado, a proibição histórica da CFTC sobre contratos eleitorais. A decisão abriu espaço para a entrada de mais empresas no segmento e impulsionou movimentos recentes de players como Fanatics e Robinhood, que adquiriu a LedgerX para ampliar suas capacidades em derivativos.
A Gemini também planeja avaliar o lançamento de outros produtos para usuários norte-americanos, incluindo futuros de criptoativos, opções e perpetual swaps — instrumentos que se tornaram extremamente populares nas bolsas asiáticas ao longo da última década. A empresa destacou a “forte demanda global” por futuros perpétuos, embora reconheça que a regulamentação nos EUA nesse campo ainda seja bastante rigorosa.
Sem definição sobre contratos esportivos
A companhia não mencionou, por enquanto, planos para mercados de previsão relacionados a esportes — um segmento que enfrenta desafios jurídicos em diversos estados, onde reguladores de jogos defendem que derivativos esportivos estão sob jurisdição estadual, e não da CFTC em nível federal.
Analistas avaliam que a aprovação oferece à Gemini uma base sólida para diversificar suas receitas além do mercado à vista (spot), embora a empresa ainda enfrente pressão para ampliar participação de mercado após a forte queda de suas ações no pós-IPO. O primeiro relatório de resultados da companhia como empresa aberta está previsto para 10 de novembro de 2025.
Com a liberação regulatória agora garantida, o principal desafio da Gemini passa a ser a execução: lançar os produtos, atrair liquidez e construir confiança em um cenário de mercados de previsão cada vez mais dinâmico e competitivo.
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