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O próximo grande passo da Gemini? Mercados de previsões

Neha Soni
Escrito por Neha Soni
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Gemini Space Station Inc., corretora de criptomoedas listada na NASDAQ e liderada pelos irmãos Tyler e Cameron Winklevoss, está se preparando para entrar no crescente mercado de previsões reguladas. Segundo a Bloomberg, a empresa solicitou autorização à Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC) para operar uma bolsa de derivativos que permitiria negociar contratos baseados em eventos do mundo real — desde eleições políticas até resultados esportivos e indicadores financeiros.

A aposta da Gemini em mercados de previsão regulamentados

O movimento representa a expansão mais ambiciosa da Gemini desde sua abertura de capital em setembro. Após a aprovação, a nova plataforma permitirá que os usuários negociem contratos de eventos regulados em nível federal, consolidando a presença da empresa em um mercado que vem atraindo investidores institucionais e traders de varejo em ritmo acelerado.

No entanto, o processo de aprovação pode levar meses ou até anos, devido aos atrasos nas revisões federais, agravados recentemente pelo fechamento temporário do governo norte-americano. Fontes próximas afirmam que a Gemini planeja lançar seus produtos de previsão “o mais rápido possível” assim que obtiver o aval oficial.

Enquanto isso, concorrentes como a Robinhood optaram por um caminho mais curto, firmando parcerias com bolsas já licenciadas. A Robinhood oferece contratos de eventos por meio da Kalshi Inc., uma plataforma aprovada pela CFTC que vem registrando recordes de volume. Entre o fim de outubro e o início de novembro, a Kalshi movimentou mais de US$ 1,2 bilhão por semana, enquanto sua rival Polymarket também ultrapassou a marca de US$ 1 bilhão no mesmo período.

Concorrência acirrada: Kalshi, Polymarket e Robinhood lideram a corrida

Com essa expansão, a Gemini entrará em competição direta com a Kalshi e a Polymarket, hoje os dois principais nomes do segmento, além de disputar espaço com gigantes do setor financeiro tradicional como Intercontinental Exchange (ICE) e CME Group. A ICE — dona da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) — recentemente investiu US$ 2 bilhões na Polymarket, avaliando a empresa em US$ 8 bilhões, um sinal claro de que as finanças tradicionais estão se aproximando rapidamente do comércio de previsões descentralizado.

Em seu prospecto de IPO, a Gemini revelou planos de oferecer contratos baseados em previsões econômicas, financeiras, políticas e esportivas. Apesar de ter captado US$ 433 milhões a uma avaliação de US$ 4,4 bilhões, as ações da empresa caíram cerca de 40% desde a estreia, e o documento indicava que a companhia ainda operava no vermelho, com participação modesta no volume total de negociações de cripto nos EUA. O primeiro balanço trimestral da Gemini como empresa de capital aberto deve ser divulgado em 10 de novembro.

Analistas de mercado veem os mercados de previsão como uma nova oportunidade de receita para a empresa. Um relatório recente da Needham & Co. descreveu o setor como “altamente promissor” para diversificar a base de ganhos da Gemini. Ainda assim, o ambiente regulatório segue desafiador. Embora a CFTC tenha permitido que empresas como a Kalshi expandam suas operações, autoridades estaduais de jogos, que normalmente supervisionam as apostas esportivas, estão contestando essa jurisdição federal nos tribunais.

Google entra em cena com Kalshi e Polymarket

Em paralelo, o Google anunciou uma parceria com Kalshi e Polymarket para integrar dados de mercados de previsão ao Google Finance. A integração permite que os usuários acompanhem em tempo real previsões sobre temas que vão de eleições e inflação a resultados esportivos.

A iniciativa combina dados probabilísticos em tempo real com as ferramentas tradicionais da plataforma, posicionando os mercados de previsão ao lado de indicadores de ações, lucros e outros dados financeiros.

Google Finance ganha reforço com ferramentas de previsão baseadas em IA

A novidade segue uma série de atualizações recentes no Google Finance, que agora inclui resumos financeiros gerados por inteligência artificial, recursos aprimorados de acompanhamento de lucros, novas ferramentas de visualização de dados e suporte expandido ao mercado financeiro indiano.

Com a integração de dados de previsão, o Google conecta análises de IA a previsões colaborativas de mercado, permitindo que investidores compreendam o sentimento do mercado em tempo real em contextos políticos, esportivos e econômicos.

Mercados de previsão esportiva ganham força e confiança dos investidores

Tanto a Kalshi quanto a Polymarket têm atraído pesados investimentos de capital de risco. A Kalshi levantou US$ 300 milhões de fundos como Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Coinbase Ventures, alcançando uma avaliação de US$ 5 bilhões. Já a Polymarket fechou uma rodada de US$ 2 bilhões liderada pela ICE, proprietária da NYSE.

A Liga Nacional de Hóquei (NHL) se tornou recentemente a primeira grande liga esportiva a firmar parceria com Kalshi e Polymarket, permitindo a integração de resultados esportivos aos mercados de previsão regulamentados.

O CEO da Kalshi, Tarek Mansour, destacou o avanço como “um marco importante para o setor”, acrescentando: “Está mais do que claro agora que os mercados de previsão vieram para ficar.”

Tensões regulatórias e o futuro da negociação baseada em eventos

Os mercados de previsão são supervisionados em nível federal pela CFTC, enquanto as casas de apostas esportivas estão sob regulação estadual. Essa divisão tem gerado disputas judiciais em estados como Maryland, Massachusetts, Nevada, Nova Jersey, Nova York e Ohio.

As ações giram em torno de uma questão central: contratos de previsão são apostas disfarçadas? A aprovação federal oferece credibilidade, mas também impõe limites mais rigorosos sobre quais eventos podem ser negociados. O desfecho dessas disputas pode definir as fronteiras entre o mercado financeiro e o setor de apostas nos Estados Unidos.

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