O The 13 Palace, em Macau, dará início às suas operações experimentais em 27 de junho, marcando mais um capítulo na recuperação de um dos projetos hoteleiros de luxo mais ambiciosos da cidade. A reabertura ocorre cerca de um ano após o empreendimento ter sido adquirido por novos proprietários, encerrando um longo período marcado por dificuldades financeiras e operacionais.
Anteriormente conhecido como The 13 Hotel, o complexo localizado em Seac Pai Van, na ilha de Coloane, passou por uma renovação completa e por um processo de reposicionamento de marca. A proposta é transformá-lo em um destino voltado para privacidade, bem-estar e turismo de lazer de alto padrão.
Em entrevista ao Macao Daily News, Lui Ka Hei, diretor executivo do Macau The 13 Palace, afirmou que o hotel está finalizando testes de equipamentos, treinamentos de equipe e outros preparativos para a abertura em regime de soft opening. Segundo ele, a administração pretende “superar as percepções do passado” por meio de instalações modernizadas e padrões de serviço aprimorados, oferecendo uma nova alternativa ao segmento de turismo de lazer de luxo em Macau.
Lui acrescentou que, embora a reforma tenha exigido um investimento significativo, o valor do projeto não deve ser avaliado apenas sob a perspectiva financeira. De acordo com ele, o empreendimento sempre despertou grande interesse público, e a operação experimental busca reconstruir a imagem da marca e incentivar os hóspedes a conhecerem seu serviço completo de mordomia.
Reabertura gradual busca operação total até julho
A retomada das atividades ocorrerá de forma gradual. Inicialmente, entre 50 e 60 quartos estarão disponíveis, compondo a primeira fase de um total de aproximadamente 100 unidades previstas para o período experimental.
A administração pretende liberar mais de dez quartos adicionais por semana, com o objetivo de alcançar operação plena até o final de julho.
De acordo com Lui, a procura antecipada tem sido positiva para a temporada de férias de verão, impulsionada principalmente por turistas da China continental.
O hotel pretende atrair visitantes de alta renda provenientes de Hong Kong, Macau, China continental e outros mercados internacionais. Segundo o executivo, o diferencial da propriedade vai além da sofisticação dos ambientes, destacando também a privacidade e a atmosfera tranquila oferecidas aos hóspedes.
Entre as instalações estão áreas de bem-estar, como piscina de águas termais e câmaras de oxigênio, combinadas com arquitetura inspirada em palácios europeus e interiores revestidos em mármore.
Localizado em Seac Pai Van, em Coloane, o hotel fica distante das principais zonas de cassinos de Macau e próximo de atrações não relacionadas aos jogos, incluindo um campo de golfe e o Pavilhão dos Pandas Gigantes de Macau. A administração também pretende promover o empreendimento internacionalmente por meio das redes sociais para atrair turistas do Sudeste Asiático, da Coreia do Sul e do Japão.
Nova identidade visual e ampliação da oferta de serviços
O reposicionamento da marca já foi implementado no site oficial do hotel, em seus canais nas redes sociais e nas principais plataformas de reservas, onde a propriedade passa a ser apresentada oficialmente como The 13 Palace.
Uma das mudanças mais visíveis está na fachada do edifício. O característico exterior vermelho foi substituído por uma pintura dourada após a reforma.
O Gabinete de Turismo do Governo de Macau continua classificando o empreendimento como um hotel cinco estrelas de categoria deluxe. Segundo informações disponíveis no site oficial, o The 13 Palace oferece 199 suítes independentes em estilo vila, com áreas que variam entre 2.000 e 10.000 pés quadrados. Todas contam com elevador privativo e serviço exclusivo de mordomo.
O hotel descreve sua proposta arquitetônica como uma combinação entre design contemporâneo e estética palaciana inspirada no estilo barroco europeu.
Além da hospedagem, o empreendimento está expandindo suas instalações para convenções, exposições e eventos multifuncionais, dentro de uma estratégia que busca consolidá-lo como um destino completo para hospedagem, gastronomia, entretenimento e eventos. Ao lado dos serviços de limusine e do spa, a propriedade renovada também apresentou uma nova oferta gastronômica. Entre os destaques está o restaurante de frutos do mar Jin Yue Xuan, pertencente ao Grupo Jin Yue Xuan, que opera mais de 30 estabelecimentos em Macau, Hong Kong e China continental, incluindo unidades localizadas no The Londoner Macao, City of Dreams Macau e Galaxy Macau.
O complexo também conta com restaurantes italiano e japonês, cafeteria, bar e piscina. Segundo o hotel, sua parede verde vertical interna recebeu reconhecimento do Guinness World Records.
Embora influenciadores digitais e veículos de comunicação selecionados já tenham visitado o espaço renovado, as reservas de hospedagem não estavam disponíveis nem pelo site oficial nem pelas principais plataformas de reservas online no período que antecedeu a abertura experimental. Além disso, a administração não havia divulgado oficialmente detalhes sobre a operação antes da publicação de reportagens da imprensa local.
Venda abriu caminho para a reestruturação
A reabertura ocorre após a venda do imóvel, concluída em junho de 2025, para a Chang Fu Investment Ltd, empresa ligada a familiares do empresário de Macau Loi Keong Kuong.
A consultoria imobiliária Jones Lang LaSalle informou que a transação foi concluída por HKD 600 milhões (US$ 76,53 milhões), valor significativamente inferior ao preço pedido anteriormente, de HKD 2,4 bilhões, após um processo de venda fracassado em 2024.
A aquisição encerrou anos de incerteza. Diversas tentativas de venda atraíram o interesse de mais de 20 potenciais compradores, mas nenhuma conseguiu ser concretizada.
Após a conclusão do negócio, os novos proprietários anunciaram planos para uma ampla reestruturação, incluindo a chegada de restaurantes reconhecidos internacionalmente e melhorias destinadas a reposicionar o hotel como um importante destino turístico.
Na época, a diretora do Gabinete de Turismo do Governo de Macau, Maria Helena de Senna Fernandes, afirmou que a nova operadora estava conduzindo o processo de transição e pretendia incorporar novos parceiros e restaurantes, enquanto as autoridades responsáveis avaliavam as alterações operacionais propostas.
Mark Wong, diretor de Serviços de Avaliação e Consultoria de Risco da Jones Lang LaSalle Macau, afirmou que a venda refletia a confiança dos investidores na recuperação do turismo de Macau e nas perspectivas de longo prazo da cidade.
De projeto voltado ao mercado VIP a destino de luxo
O empreendimento The 13 foi idealizado pelo empresário de Hong Kong Stephen Hung durante o auge do mercado de jogos VIP em Macau. O plano original previa um complexo ultraluxuoso com 66 mesas de jogo operando sob o modelo de cassino satélite.
Entretanto, o projeto nunca obteve licença para operar atividades de cassino. Atrasos na construção e dificuldades de financiamento fizeram com que o hotel fosse inaugurado apenas em 2018, sem instalações de jogos e com parte da estrutura ainda inacabada.
Relatórios estimam que o investimento original tenha alcançado aproximadamente HK$ 12,5 bilhões (US$ 1,6 bilhão). Os problemas financeiros se agravaram após a inauguração. A controladora South Shore Holdings entrou em processo de insolvência em 2021, acumulando dívidas superiores a HKD 3,2 bilhões (US$ 408 milhões). Já a empresa responsável pela gestão do hotel pediu falência em 2023.
Posteriormente, o controle da propriedade foi transferido para a filial de Macau do Bank of Communications, principal credor do empreendimento, antes da venda para os atuais proprietários.
O hotel suspendeu suas operações em 2020 e retomou atividades limitadas em meados de 2024, após receber uma nova licença de hotel cinco estrelas deluxe emitida pelo Gabinete de Turismo do Governo de Macau. Durante esse período, apenas parte das acomodações estava disponível, enquanto os restaurantes permaneceram fechados devido à continuidade das obras de renovação.
A transformação em The 13 Palace representa o capítulo mais recente da longa reestruturação do empreendimento. Os novos proprietários esperam consolidar o hotel como um destino de lazer de luxo, ampliando sua atratividade para além do tradicional mercado de jogos de Macau.
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