“Queremos uma legislação de jogos moderna”: AIEJA impulsiona a transformação do setor no México
Em uma conversa marcada por diferentes perspectivas e nuances, a SiGMA News entrevistou Miguel Ángel Ochoa Sánchez, presidente da AIEJA, a Associação de Permissionários, Operadores e Fornecedores da Indústria de Entretenimento e Apostas do México. Com um discurso sereno, mas carregado de convicção, Ochoa Sánchez compartilhou, com exclusividade, sua análise sobre um setor que, apesar de sustentado por quase oito décadas de arcabouço legal, busca se modernizar para enfrentar os desafios da era digital.
O longo caminho rumo a uma lei moderna: entre tradição e necessidade urgente de mudança
Logo no início da conversa, Miguel Ángel ressaltou o peso de uma regulamentação desatualizada. “O México tem o jogo como atividade legal, o jogo no país é permitido”, afirmou. “Mas a Lei Federal de Jogos e Sorteios foi promulgada em 31 de dezembro de 1947… e, por mais surpreendente que pareça, não passou por nenhuma reforma substancial até hoje.”
Ele destacou, de forma firme, o abismo tecnológico entre o cenário da época e o atual: “Em 1947 não existia internet, redes sociais, telefones celulares… por isso é imprescindível atualizar essa lei.” Mencionou ainda que apenas pequenas alterações e regras publicadas em 2004 complementaram o texto original. “Estamos falando de um marco regulatório com quase 78 anos sem mudanças. Isso não é viável para um mercado moderno. Por isso esperamos que, em fevereiro, o Congresso receba o projeto de lei que deve trazer maior segurança jurídica e regras claras para quem deseja investir no México, sejam nacionais ou estrangeiros.”
Embora reconheça que a lei esteja ultrapassada, enfatizou: “O marco legal mexicano ainda está em plenas condições de funcionamento porque cobrimos diversas áreas, como a legislação de combate à lavagem de dinheiro, prevenção da ludopatia e cumprimento fiscal.” Ainda assim, reforçou que o país precisa de uma atualização profunda para garantir segurança e confiança a um mercado em plena expansão.
AIEJA e a aliança com o Grupo SiGMA: construindo pontes para posicionar o México como hub global
Com entusiasmo contagiante, Ochoa Sánchez celebrou a recente parceria com o Grupo SiGMA: “O acordo comercial firmado há alguns meses nos permite, antes de tudo, reconhecer essa empresa de enorme prestígio mundial no setor de jogos… O México se sente muito honrado com a chegada do Grupo SiGMA.” Ele explicou que essa colaboração com o Grupo SiGMA e outros parceiros internacionais transformou a AIEJA de uma associação nacional em um verdadeiro portal de entrada para investidores e operadores globais: “Criamos um caminho mais claro para o México, com informações oficiais e eventos que aproximam todos os players.” Ochoa destacou, ainda, a importância da comunicação e da promoção como ferramentas estratégicas para facilitar a entrada e a expansão de empresas no mercado mexicano, além de ampliar a influência do país na América Latina e gerar impacto até mesmo na América do Norte e na Europa.
“Hoje podemos afirmar que o México é um mercado muito estável, com grande potencial de crescimento, e essas alianças internacionais são fundamentais para consolidar essa posição regional”, afirmou.
Transformações demográficas e o novo perfil do jogador mexicano
A entrevista também revelou um dado marcante: a forte presença feminina e de pessoas mais velhas nos cassinos físicos. Segundo Ochoa: “70% do público que frequenta cassinos tem mais de 40 anos, e duas em cada três são mulheres — mulheres na casa dos 40, 50, 60 anos, chegando até os 80. Para esse público, especialmente as mulheres mais velhas, não existe outra forma de entretenimento tranquilo que ofereça tanta satisfação.” Ele descreveu os cassinos como espaços onde esse público encontra diversão, música e convivência — um tipo de sociabilidade difícil de replicar em outras opções de lazer.
O cenário contrasta com o perfil dos jogadores online, mais jovens, entre 18 e 35 anos. “O jogo online é fácil, barato e acessível. Está ali, no seu telefone, no seu iPhone, no computador. É a forma natural de entretenimento para os jovens.” Essa coexistência, segundo ele, mostra um mercado diversificado que precisa ser regulado e incentivado com uma visão integrada.
Transparência e tecnologia para uma fiscalização em tempo real
O líder do setor demonstrou orgulho nos avanços tecnológicos e fiscais implementados no México, posicionando o país como referência regulatória: “Conectamos as máquinas dos cassinos físicos em tempo real ao SAT, o sistema tributário mexicano… Isso garante controle total das transações e a identificação de operações suspeitas para prevenir lavagem de dinheiro. E alcançamos tudo isso sem sanções ou fechamentos por mais de 12 anos.”
Ele também reforçou o rigor no cumprimento das normas trabalhistas, de saúde e de prevenção ao jogo compulsivo. “O marco legal tem sido cumprido mais do que plenamente. Isso gera confiança entre investidores, autoridades e a sociedade.” Para ele, esse nível de transparência é essencial para que o setor se legitime e cresça de forma responsável.
Uma indústria estratégica e com futuro promissor
Com sinceridade, Ochoa abordou um tema que frequentemente gera debate: o aumento de impostos no setor. “Algo de que não gostamos acabou nos favorecendo, mas é a realidade: o governo e os estados elevaram a carga tributária. Isso significa que eles nos enxergam como uma fonte importante de arrecadação.” Apesar do estigma que ainda recai sobre a indústria, sua visão ressalta que esse reconhecimento implícito fortalece a sustentabilidade do setor.
Ele apresentou números precisos: “Atualmente temos 38 permissionárias autorizadas, com mais de 430 estabelecimentos no país, mais de 120 operadores legais de jogos online e um parque superior a 100 mil máquinas em cassinos. Estamos presentes em 30 das 32 entidades federativas.” Para Ochoa, o México desponta como “um mercado estável e extremamente atrativo, tanto para operadores nacionais quanto internacionais.”
As projeções são ambiciosas: “Acreditamos que podemos facilmente dobrar as visitas aos cassinos físicos, de 8 milhões para 16 milhões, e os usuários de jogos online, de 20 milhões para 40 milhões. É um potencial enorme, que não exige reformas adicionais imediatas.” Ele prevê um crescimento expressivo até 2030, quando o setor deve se consolidar como “um dos pilares econômicos e culturais mais importantes do país.”
Com um sorriso otimista, Miguel Ángel concluiu afirmando que o México está às vésperas de uma transformação profunda. Seu compromisso — e o da AIEJA — é conduzir esse futuro com uma legislação atualizada, responsabilidade social e alianças internacionais que reforcem o papel do país como referência regional e global em jogos e apostas.
Este artigo foi publicado originalmente em espanhol em 26 de novembro de 2025.
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