A Polymarket, plataforma de mercado de previsões baseada em criptomoedas, está enfrentando acusações de ter pago influenciadores para encenar apostas e ganhos fictícios como parte de uma ampla campanha de marketing nos Estados Unidos. A prática, revelada por uma investigação do Wall Street Journal, pode atrair uma nova onda de escrutínio regulatório sobre a empresa.
Segundo a reportagem, nenhum dos aproximadamente US$ 1,9 milhão em supostos “ganhos” exibidos em mais de 1.000 vídeos analisados era autêntico. De acordo com as alegações, a Polymarket teria contratado principalmente criadores de conteúdo em idade universitária para simular apostas em sites clonados desenvolvidos para reproduzir visualmente a experiência da plataforma original.
Polymarket promete auditoria após revelações
Na terça-feira, um porta-voz da Polymarket afirmou que a empresa realizará uma “auditoria abrangente de todo o conteúdo promocional ativo para garantir que esteja em conformidade com nossos padrões internos, bem como com os requisitos regulatórios e legais aplicáveis relacionados à divulgação de informações”.
As revelações contradizem um dos principais argumentos de venda da Polymarket: a transparência das operações registradas em blockchain pública. Embora as negociações legítimas da plataforma sejam executadas na blockchain Polygon e liquidadas por meio do oráculo descentralizado da UMA, a campanha de marketing teria se baseado em apostas impossíveis de verificar, realizadas em sites falsos.
Princípios como transparência, autenticidade e divulgação adequada de informações são fundamentais para participantes de mercados de previsão. No entanto, ao apresentar ganhos inexistentes, a campanha não apenas induziu espectadores ao erro, mas também distorceu a percepção sobre a rentabilidade da plataforma, podendo ter atraído novos usuários sob premissas enganosas.
A confiança é um fator essencial para a adoção em massa desse tipo de produto. Sem ela, os mercados de previsão correm o risco de serem vistos apenas como esquemas de apostas, em vez de instrumentos financeiros legítimos.
Ganhos fabricados e vídeos enganosos
O Wall Street Journal analisou 1.105 vídeos produzidos por 10 criadores de conteúdo entre dezembro e meados de maio. Cerca de 70% dos vídeos mostravam apostas, mas nenhuma delas era real. Em um dos vídeos, um influenciador alegava ter ganhado US$ 100 mil após Donald Trump supostamente mencionar a palavra “McDonald’s” em janeiro. No entanto, as imagens utilizadas haviam sido reaproveitadas de um vídeo mais antigo, e registros públicos mostram que mais de 50 contas reais perderam dinheiro nessa aposta.
Além disso, em 118 vídeos analisados, os criadores apareciam comemorando ganhos fictícios que somavam aproximadamente US$ 900 mil. Na prática, porém, essas apostas teriam gerado perdas superiores a US$ 166 mil. A reportagem também revelou que os influenciadores teriam recebido entre US$ 2 mil e US$ 3 mil por mês e sido orientados a não divulgar a existência dos acordos comerciais. Paralelamente, uma agência de marketing foi contratada para impulsionar o alcance dos vídeos, que ultrapassaram 140 milhões de visualizações. O episódio remete a controvérsias anteriores envolvendo a resolução de mercados na plataforma, situações que já haviam contribuído para desgastar a confiança dos usuários.
Our @WSJ investigation into Polymarket’s deceptive marketing campaign in print today.
— Caitlin Ostroff (@ceostroff) June 22, 2026
Full article here: https://t.co/ZuszmSLfFN pic.twitter.com/45OzWzQf2W
Histórico regulatório e operações offshore
Os problemas regulatórios da Polymarket não são novidade. Em 2022, reguladores dos Estados Unidos multaram a empresa em US$ 1,4 milhão por operar um mercado não registrado e determinaram o encerramento de centenas de contratos considerados irregulares.
Posteriormente, a companhia transferiu suas operações para o Panamá, compartilhando espaço físico com escritórios de advocacia ligados à antiga corretora FTX, antes de conseguir uma entrada regulamentada no mercado norte-americano. Apesar disso, as campanhas com apostas simuladas teriam sido direcionadas especificamente a usuários dos Estados Unidos que acessavam a versão offshore da plataforma por meio de VPNs.
Esse contexto evidencia tanto os riscos decorrentes de ações regulatórias anteriores quanto a importância do modelo de aprovação regulatória que atualmente rege parte das operações da empresa nos EUA. Além disso, o colapso da FTX continua sendo um dos exemplos mais emblemáticos de como a falta de transparência pode destruir a confiança dos usuários. Em contraste, plataformas regulamentadas como a Kalshi buscam operar dentro das exigências de compliance e oferecer maior transparência, posicionando-se como alternativas mais seguras para investidores e participantes desse mercado.
Não fique só por dentro das notícias — antecipe o que está por vir. Inscreva-se AQUI para a newsletter com o Top 10 noticias da SiGMA e receba semanalmente as principais histórias que estão moldando o futuro do iGaming, análises exclusivas da maior comunidade global do setor e ofertas especiais reservadas para assinantes.

