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Assista: Stablecoins estão transformando o futuro dos pagamentos

Matthew Busuttil
Escrito por Matthew Busuttil
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Conforme o mundo avança rumo a economias cada vez mais digitais, as stablecoins vêm se consolidando como a ponte essencial entre o sistema bancário tradicional e as finanças descentralizadas. Durante a SiGMA, o painel “Stablecoins e o Ecossistema de Pagamentos: Experiência do Usuário, Infraestrutura e Desafios Regulatórios” reuniu líderes do setor para discutir como as mudanças regulatórias, a experiência do usuário e o avanço da infraestrutura vêm abrindo caminho para as stablecoins se tornarem o futuro dos pagamentos.

Moderado por Julian Goffin, cofundador e CEO da Alunafi Ltd, o debate contou com James Bennett (CEO da StableMint), Jonathan Lowe (fundador e CEO da Biptap), Alexander Borowski (CEO da XREMIT.IO) e Mark Berkovich (CEO da KeaBank). Juntos, os especialistas ofereceram uma análise direta sobre o papel atual das stablecoins no ecossistema financeiro global e suas perspectivas para os próximos anos.

O desafio da experiência do usuário

Jonathan Lowe abriu a discussão abordando um dos principais obstáculos à adoção em larga escala das stablecoins: a curva de aprendizado do usuário. Segundo ele, o problema já não está na complexidade tecnológica, mas na simplicidade e familiaridade necessárias para conquistar o público.

“Os usuários não querem entender a tecnologia por trás disso”, afirmou Lowe. “Eles só querem usar seu cartão digital ou aplicativo como sempre fizeram, sem precisar aprender sobre carteiras ou mecânicas de criptoativos.”

Sua proposta é criar infraestrutura que integre blockchain e stablecoins de forma invisível às transações cotidianas. Ainda assim, Lowe alertou que o maior entrave não é técnico, e sim regulatório, especialmente no que diz respeito à conversão de cripto para moedas fiduciárias (off-ramping) e à falta de harmonização de regras de conformidade entre diferentes mercados.

Estabilidade x percepção

James Bennett aprofundou a discussão sobre o conceito de “estabilidade”, questionando se as stablecoins realmente fazem jus ao nome. Ele diferenciou os modelos algorítmicos — como o caso do Terra Luna, que abalou a confiança pública — dos colateralizados, como o DAI, que se mostraram mais resilientes. 

“Na prática, o mercado de massa não está preocupado com descentralização — ele quer certeza”, destacou Bennett. Dados citados por ele mostram que, embora o volume geral de negociação de criptoativos tenha caído quase 50% desde o último ciclo de mercado, as transações com stablecoins aumentaram entre 300% e 400%, indicando uma clara mudança de comportamento: o uso dessas moedas como instrumentos de pagamento confiáveis.

Regulação e o impacto do MiCA

Bennett também analisou as novas complexidades regulatórias trazidas pelo regulamento MiCA, da União Europeia. Embora a intenção fosse trazer clareza, a interpretação da Autoridade Bancária Europeia (EBA) — que enquadrou as stablecoins sob a Diretiva de Serviços de Pagamento (PSD2) — acabou criando novos desafios de conformidade.

“Muitas exchanges e emissores acreditavam que a licença MiCA seria suficiente”, explicou. “Mas agora precisam também se qualificar como instituições de pagamento segundo a PSD2. É um passo na direção certa, mas em um momento complicado.” Esse cruzamento regulatório aumentou a carga sobre as empresas, que agora devem buscar dupla licença para continuar operando de forma regular em 2025 e nos anos seguintes.

Infraestrutura e convergência do ecossistema

Para Mark Berkovich, o avanço das stablecoins reflete uma simbiose crescente entre bancos, fintechs e emissores. “As stablecoins deixaram de representar um risco — hoje fazem parte do ecossistema financeiro”, afirmou. Ele elogiou o setor de iGaming, destacando-o como um dos principais impulsionadores da inovação em pagamentos digitais e um campo de testes para novas tecnologias financeiras.

Berkovich também observou o aumento da competição entre emissores, citando o exemplo da Circle, cuja abordagem centrada em infraestrutura vem estabelecendo novos padrões no setor. Para ele, o futuro dos pagamentos pertence aos provedores capazes de combinar solidez estrutural e flexibilidade tecnológica.

Conectando sistemas globais

Ampliando essa visão, Lowe e Alexander Borowski exploraram como as stablecoins podem unificar redes financeiras fragmentadas. Lowe destacou o potencial de integrar sistemas internacionais de pagamento como SWIFT e SEPA, utilizando stablecoins como camada de liquidação, o que viabilizaria transações internacionais mais ágeis e baratas.

Borowski, por sua vez, ressaltou o papel das stablecoins em remessas e proteção contra inflação em mercados emergentes. “Em regiões como América Latina e África, as stablecoins oferecem uma defesa contra a desvalorização cambial”, afirmou. “Elas não são apenas ferramentas de pagamento — estão se tornando um meio de preservar valor.”

O caminho para a adoção em massa

O painel concluiu que a colaboração entre bancos e inovadores em blockchain será decisiva para a próxima fase da evolução financeira. Embora os bancos ainda concentrem a liquidez global, as stablecoins oferecem a agilidade e eficiência que os sistemas tradicionais não conseguem acompanhar. “O objetivo é que até nossas avós possam usar stablecoins com confiança, da mesma forma que usam dinheiro ou cartões hoje”, brincou Berkovich.

Apesar das fricções regulatórias e da complexidade técnica, os participantes concordaram que a revolução das stablecoins já começou — não como uma ruptura, mas como uma integração gradual ao sistema financeiro global.

Para mais análises sobre blockchain, fintech e o futuro dos pagamentos, acesse o site da SiGMA.