Skip to content

Deputada dos EUA Dina Titus cobra ação rápida para corrigir o imposto FAIR BET

Sudhanshu Ranjan
Escrito por Sudhanshu Ranjan
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Com uma nova regra de tributação sobre jogos de azar prevista para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2026, a deputada norte-americana Dina Titus (Partido Democrata – Nevada) — mostrada na imagem em destaque — está pressionando o Congresso dos EUA a agir com rapidez. O projeto Fair Accounting for Income from Betting Earnings and Taxation (FAIR BET) busca reverter o limite imposto à dedução de prejuízos com apostas, medida que, segundo críticos, pode afetar tanto apostadores ocasionais quanto profissionais.

O que motivou o FAIR BET Act

Durante décadas, os contribuintes dos Estados Unidos puderam deduzir integralmente as perdas com jogos em relação aos ganhos ao declarar o imposto de renda federal. Na prática, isso significava que, se uma pessoa empatasse ou tivesse prejuízo no resultado final, não pagaria imposto sobre valores que não representavam ganho real. Em resposta às mudanças recentes, a deputada Dina Titus apresentou o FAIR BET Act para restabelecer a dedução total das perdas. A proposta visa recuperar a dedução de 100% dos prejuízos com apostas, devolvendo a legislação tributária ao modelo anterior.

Em 11 de dezembro, Titus enviou uma carta ao presidente do Comitê, Jason Smith (Republicano – Missouri), e ao membro sênior Richard Neal (Democrata – Massachusetts), solicitando a realização de uma audiência acelerada sobre o FAIR BET Act. A proposta pretende restabelecer a regra que permite aos apostadores deduzirem integralmente as perdas em relação aos ganhos na declaração do imposto de renda federal.

Na carta, a deputada afirmou: “Embora a mudança possa parecer pequena, ela terá consequências significativas e prejudiciais. A medida impõe um ônus injusto tanto a jogadores profissionais quanto a apostadores ocasionais. Inevitavelmente, isso levará os jogadores a recorrerem a mercados offshore e não regulamentados, onde não há proteção ao consumidor, enfraquecendo os esforços de jogo responsável em todo o país. Espero que você trabalhe comigo para avançar com essa legislação de forma célere durante o 119º Congresso.”

O problema da tributação sobre ganhos não realizados

A One Big Beautiful Bill Act (OBBBA) introduziu um teto que limita a dedução de perdas com jogos a 90%. Na prática, se um jogador ganhar US$ 100.000 e perder US$ 100.000, apenas US$ 90.000 poderão ser deduzidos. Os US$ 10.000 restantes passam a ser considerados renda tributável, mesmo não representando um ganho real. A mudança afeta tanto apostadores profissionais quanto recreativos, que passam a pagar imposto sobre valores que, na prática, não ganharam. A nova regra obriga os jogadores a recolher tributos sobre prejuízos, tratando-os como se fossem renda. Críticos afirmam que isso desestimula o jogo em plataformas regulamentadas e pode empurrar apostadores para operadores offshore, fora da supervisão das autoridades dos EUA.

Impactos econômicos

O Joint Committee on Taxation estima que o novo teto de dedução pode gerar cerca de US$ 1 bilhão em oito anos, o equivalente a aproximadamente US$ 137,5 milhões por ano. Analistas do setor, no entanto, argumentam que qualquer ganho de arrecadação no curto prazo pode ser compensado por uma queda na atividade do mercado e por uma redução na conformidade tributária. Adam Robinson, da American Bettor’s Voice, projeta que as casas de apostas podem perder até US$ 18 bilhões em volume anual de apostas e mais de US$ 1,5 bilhão em receita bruta de jogos caso a regra permaneça em vigor.

O aumento da carga tributária nos Estados Unidos pode levar apostadores a migrarem para plataformas offshore, que operam fora da jurisdição americana e não oferecem garantias de proteção ao consumidor. Essa migração para mercados não regulamentados tende a enfraquecer iniciativas de jogo responsável, elevando os riscos de jogo problemático e prejuízos financeiros.

Obstáculos legislativos e tentativas de avanço

Uma tentativa de anexar o FAIR BET Act à Lei de Autorização de Defesa Nacional não teve sucesso, após o Comitê de Regras da Câmara rejeitar a proposta entre centenas de emendas apresentadas. Apesar do apoio bipartidário, o projeto segue parado em comissões. A deputada Dina Titus continua pressionando a liderança do Comitê de Meios e Recursos da Câmara para que uma audiência seja agendada antes de 2026. O FAIR BET Act ainda pode ser debatido antes do fim de 2025, mas, caso o ano fiscal de 2026 se inicie, o limite de 90% passará a valer automaticamente. Se o projeto for aprovado, a dedução integral de 100% das perdas será restabelecida. Caso o andamento seja adiado, os apostadores enfrentarão uma carga tributária maior e poderão buscar alternativas em plataformas offshore. Se nenhuma ação for tomada, o mercado de jogos dos Estados Unidos pode sofrer uma retração significativa em menos de um ano.

Inscreva-se AQUI no Top 10 de notícias da SiGMA e na newsletter semanal da SiGMA para ficar por dentro das principais notícias do iGaming, acompanhar análises exclusivas da maior comunidade global do setor e aproveitar benefícios exclusivos para assinantes.