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AGCO do Canadá flexibiliza regras de fiscalização para terminais de loteria

Jefferson Mendoza
Escrito por Jefferson Mendoza
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Comissão de Álcool e Jogos de Ontário (Alcohol and Gaming Commission of Ontario – AGCO) alterou sua regulamentação sobre loterias, eliminando a exigência de que funcionários mantenham supervisão visual direta sobre os terminais de loteria de autoatendimento (Self-Serve Terminals – SSTs).

Desde 2 de fevereiro, os varejistas passaram a poder monitorar os SSTs por meio de câmeras de circuito fechado (CCTV) ou outros sistemas de vídeo, em vez de depender exclusivamente da observação presencial direta. Antes da mudança, a Ontario Lottery and Gaming (OLG) e os operadores varejistas eram obrigados a posicionar funcionários de modo que cada utilização de um SST fosse acompanhada pessoalmente. Com as novas regras, os vendedores podem optar entre o modelo tradicional de linha de visão direta ou o monitoramento por câmeras. A AGCO afirmou que a alteração reflete tanto a evolução do perfil de risco desses terminais quanto o objetivo do regulador de ampliar seu uso em locais operados por terceiros.

Protocolos de vigilância

Os SSTs costumam ser instalados em áreas de grande circulação, como lojas de conveniência, shoppings e centros de transporte. Os varejistas que optarem pelo monitoramento por vídeo deverão seguir protocolos rigorosos. Em primeiro lugar, as câmeras devem estar em pleno funcionamento. Os sistemas também precisam gravar e armazenar imagens em alta definição. As gravações devem capturar de forma clara o uso do SST e, por fim, os vídeos precisam ser mantidos por pelo menos sete dias — ou por um período maior, caso seja exigido pelo registrador — e disponibilizados à AGCO sempre que solicitados.

Essa alternativa permite que alguns varejistas se beneficiem da medida, já que a presença constante de funcionários próximos ao terminal nem sempre é viável. Além disso, a mudança pode reduzir custos com mão de obra e liberar os colaboradores para se dedicarem mais ao atendimento ao cliente.

Salvaguardas contra uso indevido

Os operadores também devem garantir que cada SST inclua um mecanismo de desativação. Essa proteção é especialmente importante no modelo de supervisão por linha de visão direta, pois permite que os funcionários desliguem o terminal caso uma pessoa não elegível tente utilizá-lo ou se houver suspeita de adulteração.

Embora os SSTs possibilitem compras rápidas e autônomas, sem a necessidade de esperar por um atendente ou interagir com a equipe da loja, eles também tendem a atrair grupos de risco, como jogadores compulsivos, que podem continuar tentando recuperar perdas sem interrupções.

Além disso, diferentemente de um caixa humano, uma máquina não consegue identificar facilmente pessoas alcoolizadas, perceber sinais evidentes de sofrimento emocional ou aplicar de forma consistente os limites de idade.

(Fonte: Grand View Horizon)

Parte dos esforços de modernização

A AGCO destacou que as mudanças fazem parte de sua estratégia mais ampla de modernização. Os cassinos, por exemplo, já haviam recebido exceções a essa regra. Em 2025, os SSTs foram introduzidos nos salões de jogo dos cassinos de Ontário, quando os reguladores concederam flexibilizações à exigência de linha de visão direta devido ao tamanho das áreas de jogo. Em vez de exigir que funcionários ficassem posicionados ao lado de cada máquina, os cassinos passaram a poder utilizar métodos alternativos de monitoramento.

A maioria das províncias canadenses tem adotado uma postura cautelosa em relação aos SSTs. Ainda assim, algumas restringem seu uso a programas-piloto ou continuam a depender do modelo tradicional de vendas com atendimento humano.

Na Colúmbia Britânica, não há uma implementação ampla de SSTs. As vendas de loteria continuam sendo assistidas por funcionários. Já em Alberta, os bilhetes de loteria são comercializados por meio de terminais operados por atendentes nos pontos de venda. No leste do país, Quebec é administrada pela Loto-Québec, e as vendas ocorrem principalmente por meio de varejistas com funcionários e plataformas online. As províncias do Atlântico são geridas pela Atlantic Lottery Corporation (ALC), que mantém o foco em vendas de loteria assistidas por funcionários e enfatiza o crescimento das operações digitais.

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