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Chefe da BetMGM critica jogos de prêmios em meio à escalada da disputa no setor

Jillian Dingwall
Escrito por Jillian Dingwall

O cenário de apostas nos Estados Unidos tem lembrado cada vez mais o Velho Oeste — um território em disputa onde as regras ainda estão sendo traçadas. Durante a apresentação dos resultados financeiros do segundo trimestre, o CEO da BetMGM, Adam Greenblatt, falou sem rodeios sobre os principais pontos de tensão do setor, indo desde os chamados “cassinos de prêmios”, que operam em zonas legais cinzentas, até o crescimento dos mercados de previsão como nova ameaça ao equilíbrio regulatório.

A BetMGM divulgou resultados sólidos, o que levou a empresa a revisar sua previsão de receita anual para pelo menos US$ 2,7 bilhões. Em meio a esse sucesso, Greenblatt fez questão de destacar suas preocupações com o cenário atual do setor de jogos nos EUA. Longe de serem apenas declarações institucionais, suas críticas refletem o incômodo de operadores devidamente licenciados, que seguem as regras, diante de concorrentes que parecem se beneficiar de brechas regulatórias.

Cassinos de prêmios sob forte pressão

O segmento de cassinos baseados em jogos de prêmios tem enfrentado resistência crescente ao longo de 2025. O que começou como uma interpretação criativa das leis promocionais evoluiu para uma indústria bilionária — e agora está na mira de reguladores, concorrentes e autoridades fiscais.

Essas plataformas operam com um modelo de “sem necessidade de compra”, utilizando moedas virtuais paralelas para oferecer jogos similares aos de cassino em estados onde o jogo online tradicional continua proibido.

A opinião de Greenblatt é clara: “Acreditamos que os jogos de prêmios representam uma forma ilegal de iGaming. Eles prejudicam o setor regulado, afetam a arrecadação dos estados e colocam os jogadores em risco.”

Essa visão é amplamente compartilhada. A Associação Americana de Jogos (American Gaming Association – AGA), por exemplo, tem sido uma das vozes mais críticas, estimando que operadores ilegais movimentaram cerca de US$ 109 bilhões em apostas ao longo de 2024 — o que pode ter gerado uma perda de até US$ 17,3 bilhões em receitas tributárias para o país.

Mas o problema vai além do dinheiro. A discussão gira em torno de equidade de mercado, proteção ao consumidor e a necessidade de aplicar as regras de forma justa para todos.

Os reguladores estaduais já começaram a reagir. Montana saiu na frente com uma proibição total que entra em vigor em outubro de 2025, seguida por Connecticut e Louisiana. Outros estados, como Michigan e Washington, emitiram ordens de cessação para grandes operadores. A pressão foi tamanha que a VGW Holdings, uma das maiores empresas do setor, decidiu sair de vários estados para evitar litígios.

Mercados de previsão trazem novos desafios

Enquanto os cassinos de prêmios enfrentam batalhas legais diretas, os mercados de previsão apresentam um tipo diferente de desafio regulatório. Empresas como Kalshi e Polymarket conseguiram operar sob regras federais voltadas para negociação de commodities, o que lhes permitiu oferecer contratos baseados em eventos por todo o país. Esse cenário tem causado atrito entre regulações estaduais e decisões em nível federal, enfraquecendo a autoridade local em diversos estados.

Greenblatt adotou um tom cauteloso: “Vamos deixar claro: temos capacidade técnica, mas não temos interesse em sermos os primeiros a operar nesse segmento. Nossos reguladores estaduais foram enfáticos. Nossos parceiros tribais também. Os procuradores-gerais de 34 estados disseram claramente que mercados de previsão não devem oferecer contratos esportivos, pois isso configura apostas esportivas.”

Ele argumenta que o diferencial competitivo nesse segmento não está em quem chega primeiro, mas na liquidez — o que favoreceria grandes empresas do setor financeiro, como Robinhood ou Coinbase, caso decidam entrar nesse espaço.

Os mercados de previsão se tornaram um novo campo de batalha jurídico. Procuradores-gerais de 34 estados defendem que contratos ligados a esportes devem ser considerados apostas esportivas e, portanto, regulados localmente. No entanto, cortes federais vêm dando razão às plataformas, como a Kalshi, o que cria um cenário fragmentado e inconsistente de aplicação das leis.

Evolução da indústria em meio à incerteza regulatória

O momento atual levanta questões mais amplas sobre o futuro da indústria de jogos nos EUA. Empresas estabelecidas, como a BetMGM, investiram anos para obter licenças, garantir conformidade com as regulamentações estaduais e manter sua contribuição tributária em dia. Porém, novas plataformas estão entrando no mercado por rotas alternativas, contornando boa parte dessas exigências.

Essa não é uma preocupação teórica. Em 2024, os cassinos de prêmios movimentaram cerca de US$ 8,5 bilhões — ultrapassando pela primeira vez o iGaming regulado. Os mercados de previsão também explodiram, com mais de US$ 3 bilhões apostados apenas em previsões de resultados eleitorais.

A demanda existe, e cresce. Mas a resposta regulatória segue desigual. Alguns estados agiram com firmeza, outros ainda pouco fizeram. Esse cenário desequilibrado torna cada vez mais difícil a competição para quem opera dentro da legalidade.

O rumo que a indústria de jogos tomará nos EUA vai depender de como reguladores e legisladores enfrentarão essas questões fundamentais: concorrência justa, proteção ao consumidor e equilíbrio de mercado. Pelas falas de Greenblatt, é evidente que os operadores tradicionais não pretendem assistir passivamente à reconfiguração do setor promovida por players que se aproveitam de brechas legais.

Seja por meio de mudanças legislativas, medidas regulatórias ou forças de mercado, o período atual de incertezas tende a chegar a um ponto de definição. A dúvida que permanece é: essa definição favorecerá os operadores que apostaram na regulamentação tradicional ou as plataformas inovadoras que descobriram novas formas de atender à demanda do público em meio a lacunas jurídicas?

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