A Douyin, aplicativo-irmão do TikTok na China continental, lançou uma ampla ofensiva contra atividades ilegais de jogos de azar, banindo mais de 10 mil contas por dia em meio ao reforço de sua política de fiscalização. A medida ocorre em um cenário de crescente preocupação com o uso de redes sociais para promover serviços de apostas não regulamentados, com a empresa identificando ações coordenadas de grupos criminosos para driblar seus sistemas de detecção.
Segundo reportagens do veículo chinês Jiemian News, o Douyin identificou redes que tentavam burlar ferramentas automatizadas de moderação por meio de chamadas “mensagens criptografadas”. Esses conteúdos codificados são criados justamente para evitar a detecção pelos sistemas de segurança da plataforma. Eles frequentemente redirecionam usuários para sites externos de apostas, o que levou a empresa a adotar medidas mais rígidas de fiscalização.
Crackdown em massa e reforço na moderação da plataforma
O Douyin informou que já penalizou cerca de 55 mil contas de transmissão ao vivo neste ano por permitirem a promoção indireta de jogos de azar. Além disso, aproximadamente 14 mil contas tiveram seus privilégios de livestreaming revogados permanentemente como parte da operação. A plataforma reforçou que “proíbe estritamente que usuários utilizem seus serviços para organizar apostas, recrutar apostadores ou participar de outras atividades ilegais ou criminosas”.
A empresa também alertou que conteúdos que promovam estratégias de jogo, técnicas de fraude ou ferramentas destinadas a explorar plataformas de cassino online serão removidos, com contas infratoras sujeitas a banimento.
Colaboração com autoridades policiais
Além da fiscalização interna, o Douyin intensificou a cooperação com órgãos de segurança pública para combater redes ilegais de apostas. A empresa afirmou que, desde o ano passado, as informações compartilhadas com as autoridades resultaram em 148 prisões e na desarticulação de seis grupos criminosos envolvidos em operações de jogos online.
A iniciativa faz parte de um movimento mais amplo das autoridades chinesas para reprimir atividades digitais ilícitas, especialmente aquelas direcionadas ao público mais jovem. A China já mantém há décadas uma das legislações mais rígidas do mundo contra jogos de azar, com cassinos e iGaming proibidos no território continental. Ainda assim, autoridades afirmam que a evolução dos modelos online e o crescimento de redes criminosas transnacionais exigiram uma atualização constante das estratégias de combate.
No ano passado, Pequim intensificou suas ações contra o setor, com uma série de operações de grande porte. Entre os casos mais emblemáticos está a extradição de She Zhijiang, empresário sino-cambojano acusado de operar mais de 200 plataformas de apostas online e comandar um esquema de fraude em larga escala voltado a usuários na China continental.
Uma base massiva de usuários jovens em risco
Lançado em 2016 pela ByteDance, o Douyin opera exclusivamente na China continental e segue rígidas regulamentações locais. A plataforma se tornou um dos maiores ecossistemas digitais do país, com cerca de 766 milhões de usuários ativos mensais, sendo quase o mesmo número de acessos diários. Uma parcela significativa desse público tem menos de 35 anos e vive em centros urbanos — um perfil considerado especialmente vulnerável à exposição a conteúdos relacionados a jogos de azar online.
O Douyin também funciona como uma plataforma de e-commerce integrada, permitindo que usuários comprem produtos diretamente por vídeos e transmissões ao vivo, o que aumenta ainda mais o engajamento e o tempo de permanência no aplicativo.
Repressão mais ampla ao jogo ilegal
A ofensiva ocorre em paralelo a uma intensificação global no combate a apostas ilegais. Dados recentes mostram que empresas de apostas offshore ampliaram sua presença no mercado de publicidade digital da Índia, utilizando influenciadores e criadores de conteúdo, mesmo com a lei Promotion and Regulation of Online Gaming Act 2025 (PROGA) impondo restrições rigorosas a esse tipo de promoção.
Enquanto isso, a persistência de anúncios ilegais de jogos em redes sociais levou reguladores de diversos países da Ásia a revisar a forma como grandes plataformas digitais lidam com conteúdo promocional. Governos de várias jurisdições começaram a implementar novas restrições e medidas regulatórias para fechar lacunas na fiscalização da publicidade online. Recentemente, uma investigação da publicação sem fins lucrativos Rest of World revelou que a Meta continuou veiculando anúncios de jogos de azar em suas plataformas, mesmo em países onde esse tipo de publicidade é proibido.
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