O cockfighting online, conhecido localmente como e-sabong, segue em expansão nas Filipinas em plataformas de apostas não regulamentadas, mesmo após uma proibição em nível nacional, aponta um novo estudo da empresa de pesquisa sociocultural The Fourth Wall.
“Nosso relatório mais recente mostra como jogos proibidos, como o e-sabong, permanecem facilmente acessíveis em plataformas não regulamentadas, inclusive para figuras de alto perfil, evidenciando os desafios persistentes na fiscalização”, afirmou John Brylle Bae, Diretor de Pesquisa da The Fourth Wall.
O estudo destaca que esses sites operam fora das proteções ao consumidor e dos protocolos rigorosos exigidos pela Corporação Filipina de Entretenimento e Jogos (PAGCOR), expondo os jogadores a riscos significativos.
O presidente Ferdinand Marcos Jr. ordenou a suspensão do e-sabong por meio do Executive Order No. 9, em dezembro de 2022. A medida interrompeu todas as operações de cockfighting online e proibiu apostas remotas, fora dos locais oficiais, assim como transmissões ao vivo de partidas.
Proliferação nas redes sociais
Apesar da proibição, pesquisadores constataram que plataformas não regulamentadas continuam a oferecer e-sabong, promovendo o jogo abertamente em redes sociais. Grupos no Facebook e mensagens privadas são usados para convidar jogadores a participar. Algumas plataformas exigem cadastro de contas, mas os jogos seguem sendo amplamente divulgados, mostrando tanto a demanda contínua quanto a persistência dos operadores.
A visibilidade do e-sabong voltou a ganhar atenção pública após o Discurso do Estado da Nação (SONA) do presidente Marcos, em julho, quando um congressista foi flagrado assistindo a uma transmissão de cockfighting durante a sessão.

Não Regulamentadas nas Filipinas/The Fourth Wall)
Operadores não regulamentados oferecem 5.000 jogos
O estudo analisou plataformas de apostas online reguladas e não regulamentadas, considerando oferta de jogos, promoções, programas de afiliados, sistemas de pagamento, procedimentos de KYC, medidas de segurança e atendimento ao cliente.
Os resultados mostram que operadores não regulamentados oferecem um portfólio maior de jogos, com cerca de 5.000 títulos em média, enquanto plataformas reguladas disponibilizam 2.900 jogos. Enquanto plataformas reguladas precisam de aprovação da PAGCOR e auditorias de terceiros, sites não regulamentados liberam jogos sem checagens, deixando jogadores vulneráveis a conteúdos falsos ou manipulados, alerta o estudo.
Verificação e riscos aos jogadores
As plataformas regulamentadas adotam procedimentos rigorosos de verificação. No momento do cadastro, os jogadores passam por um pop-up oficial da PAGCOR, que exige a apresentação de documentos válidos, comprovação de idade e, em alguns casos, até cruzamento de informações com registros de carteiras digitais.
Já os sites não regulamentados estabelecem exigências mínimas — muitas vezes pedem apenas um e-mail ou número de telefone. O estudo chegou a identificar casos de menores de idade acessando essas plataformas, o que, segundo Bae, reforça a necessidade de fiscalização mais efetiva e de campanhas de conscientização pública.
Sistemas de pagamento e limites de apostas
O estudo também destacou diferenças relevantes nas estruturas de pagamento. As plataformas regulamentadas aceitam métodos amplamente utilizados, como GCash, Maya, QRPH e transferências bancárias, mas aplicam limites de transação para cumprir as regras de prevenção à lavagem de dinheiro. No entanto, esse cenário deve mudar, já que o Bangko Sentral ng Pilipinas (BSP) determinou que os provedores de carteiras digitais removam todos os ícones e links relacionados a sites de apostas online. O vice-governador do BSP, Mamerto Tangonan, informou ao Comitê do Senado sobre Jogos e Diversões que o Conselho Monetário aprovou a medida para cortar as conexões entre sistemas de pagamento e plataformas de jogo.
Já os operadores não regulamentados não impõem limites de transação, permitindo que os jogadores gastem livremente.
Confiança, segurança e resolução de disputas
A confiança e os protocolos de segurança também diferem. Plataformas reguladas verificam seus jogos e oferecem canais formais para reclamações, com possibilidade de escalonamento à PAGCOR.
Já os sites não regulamentados carecem de sistemas consistentes para resolução de problemas e têm histórico de golpes, phishing e listas de jogos falsas, aumentando os riscos aos jogadores.
Marketing e promoções
Operadores regulados oferecem bônus de cadastro e cashback, normalmente entre 10% e 40%. Já plataformas não regulamentadas aplicam promoções agressivas, chegando a 108%, acompanhadas de frequentes campanhas de marketing e esquemas de retorno.
Essas práticas criam fortes incentivos para que jogadores migrem para sites não regulamentados, apesar da ausência de proteções.
Programas de afiliados
As estratégias de afiliados também mostram diferenças. Muitos sites não regulamentados oferecem comissões atrativas entre 45% e 65% do GGR, enquanto plataformas reguladas mantêm 30% a 40%, com estruturas claras de pagamento e qualificação.
O relatório conclui que as diferenças operacionais não se limitam à função das plataformas, mas impactam diretamente os riscos enfrentados pelos jogadores. “Nosso estudo mostra que as divergências entre plataformas reguladas e não regulamentadas não definem apenas seu funcionamento, mas também moldam os riscos e danos potenciais aos jogadores, especialmente em ambientes não regulamentados”, afirmou Bae.


