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iGaming aposta em gamificação voltada à segurança do jogador

Garance Limouzy
Escrito por Garance Limouzy
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Operadores de jogos de azar no Reino Unido e na Alemanha estão adotando a linguagem e as mecânicas dos jogos para ajudar a afastar os consumidores de possíveis riscos. Novas ferramentas desenvolvidas pelo Betting and Gaming Council e pela Belgian National Lottery mostram como quizzes, painéis personalizados e indicadores de risco estão sendo usados não para incentivar o jogo, mas para desacelerar a atividade, explicar perigos e levar os consumidores a pensar duas vezes antes de apostar.

A indústria do jogo sempre recorreu ao design de jogos para manter as pessoas engajadas. Agora, no Reino Unido e na Bélgica, partes do setor estão tentando utilizar técnicas semelhantes com um objetivo diferente: prevenção de danos relacionados ao jogo.

No intervalo de apenas uma semana, duas organizações anunciaram novas ferramentas voltadas diretamente ao consumidor com o objetivo de tornar o jogo online mais seguro. No Reino Unido, o Betting and Gaming Council (BGC) lançou um quiz interativo que ensina os jogadores a identificar operadores ilegais que se passam por marcas legítimas. Já na Bélgica, a Loteria Nacional introduziu um indicador de risco com código de cores, semelhante ao Nutri-Score utilizado em embalagens de alimentos, aplicado aos seus jogos online, além de fornecer feedback mais detalhado sobre o comportamento dos jogadores.

As abordagens são diferentes, mas apontam para a mesma direção. O jogo responsável não está mais sendo apresentado apenas por meio de avisos, termos e condições ou páginas estáticas de orientação. Cada vez mais, essas informações são incorporadas a alertas visuais, sinais gráficos e experiências interativas, projetadas para chamar a atenção dos usuários da mesma forma que os próprios jogos fazem.

“Spot the Black Market”. Source: BGC.

Transformando vigilância em um quiz

O novo jogo online do BGC, chamado “Spot the Black Market”, desafia os jogadores a identificar quais sites de apostas são licenciados e quais operam de forma ilegal. A campanha responde a uma preocupação crescente dentro do setor regulamentado: sites não licenciados estão se tornando cada vez mais difíceis de distinguir das plataformas legais.

“Essa campanha busca expor os perigos ocultos do mercado ilegal”, afirmou um porta-voz do BGC. “Esses sites não regulamentados imitam deliberadamente marcas confiáveis, mas não seguem nenhuma das regras que garantem a segurança dos consumidores.”

Segundo a entidade, o exercício foi criado para demonstrar “como é fácil enganar os consumidores”, ao mesmo tempo em que reforça a importância de utilizar operadores licenciados, que precisam cumprir as regras britânicas de proteção ao cliente.

Sites ilegais de apostas podem copiar a aparência e a experiência de marcas legítimas, mas ficam fora do sistema de verificações, restrições e responsabilidades que os operadores licenciados apontam como prova de um ambiente de jogo mais seguro.

Operadores do chamado mercado ilegal, acrescentou o BGC, “não pagam impostos e não oferecem nenhuma das proteções essenciais para os clientes”. Em contraste, o setor regulamentado de apostas e jogos contribui com £6,8 bilhões por ano para a economia britânica, gera £4 bilhões em impostos e sustenta 109 mil empregos, segundo dados da organização.

Bélgica adiciona rótulos de risco aos próprios jogos

A Loteria Nacional da Bélgica optou por uma abordagem mais detalhada. Em vez de focar apenas no operador, a iniciativa concentra-se no design de cada produto individualmente.

A loteria lançou um indicador de perfil de risco para cada jogo online, utilizando uma escala de letras de A a E e um sistema de cores que permite identificar rapidamente o nível de risco. No extremo inferior estão jogos mais lentos e menos intensos. No extremo superior estão produtos com características frequentemente associadas a padrões de jogo mais problemáticos, como resultados rápidos, estímulos visuais ou sonoros mais intensos e possibilidade de jogar novamente imediatamente. 

“Com esse indicador e seu código de cores, reforçamos a transparência em relação aos nossos jogos online e oferecemos a todos um ponto de referência claro”, afirmou Jannie Haek, CEO da Loteria Nacional. “Trata-se de uma informação adicional ao sistema de proteção já existente, voltada à prevenção e à proteção dos jogadores.”

Exemplo de um Índice Nutricional (Nutri-Score) conforme exibido na embalagem de alimentos. Fonte: Garden Gourmet.
Indicador de perfil de risco. Fonte: Belgium’s National Lottery.

Segundo a operadora belga, a classificação é baseada em evidências, avaliações independentes e critérios reconhecidos, incluindo velocidade do jogo, variação de apostas, frequência de ganhos e mecânicas capazes de criar uma “ilusão de controle”. A expectativa é que a ferramenta ajude os jogadores a tomar decisões mais informadas, ao mesmo tempo em que orienta o nível de medidas de proteção aplicadas a diferentes tipos de jogos.

Essa ideia vem ganhando espaço em todo o setor. Pesquisadores e especialistas em jogo responsável têm defendido que ferramentas de design originalmente usadas para intensificar o engajamento também podem ser reaproveitadas para criar pausas, estimular reflexão e incentivar hábitos de jogo mais seguros. As iniciativas do Reino Unido e da Bélgica indicam que esse debate está deixando os painéis de conferências e começando a se transformar em produtos concretos voltados ao consumidor.

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