Ángela Carmona Alba, presidente da Corporación de Juego Responsable do Chile, alerta que muitos jovens no país começam a apostar online a partir dos 15 anos e meio. Em uma conversa exclusiva, ela detalha estudos essenciais, os desafios reais da dependência em jogos e caminhos práticos para promover um comportamento mais saudável em toda a América Latina.
Corporación de Juego Responsable: avanços e obstáculos nas políticas de jogo no Chile
Criada há mais de uma década, a Corporación de Juego Responsable reúne empresas públicas e privadas, além de especialistas, para promover um ambiente de jogo mais seguro no país. À frente da entidade, Ángela Carmona lidera pesquisas e atua em diálogo constante com reguladores. Para compreender melhor o posicionamento do Chile no tema, revisitamos a missão da corporação ao lado de sua presidente, que destaca nuances específicas do mercado local.
Abrimos a entrevista perguntando sobre o objetivo central que guia a instituição desde a sua fundação.
SiGMA News: Como você descreve a missão principal da Corporação e os avanços na área de prevenção?
Ángela Carmona: “Desde 2012, trabalhamos para conscientizar sobre o jogo responsável. Desde o início, nossa meta tem sido construir uma cultura de responsabilidade no país, adotando medidas que reduzam riscos associados ao jogo problemático e divulgando boas práticas no setor de entretenimento”, afirma. “Estamos presentes desde 2012 e enfrentamos muitos desafios conforme eles surgiram.”
Carmona destaca ainda o diálogo contínuo com atores nacionais e os estudos de prevalência que sustentam suas análises — todos disponíveis no site da entidade.
Chile avança em transparência: Corporação reforça laços com indústria e governo
A presidente ressalta o trabalho firme para manter conversas abertas com operadores, legisladores e representantes da sociedade civil. Iniciativas como palestras em escolas e pesquisas sobre uso de telas refletem o compromisso da organização com uma abordagem baseada em evidências.
SiGMA News: Como vocês colaboram com operadores, legisladores e reguladores para estabelecer padrões de segurança?
Ángela Carmona Alba: “Sempre estivemos abertos ao diálogo e à conexão com todos. Para nós, conversar e entender perspectivas diferentes só fortalece o trabalho. Ao longo do tempo, tivemos inúmeros encontros com diversos grupos.” Além disso, a presidente destaca que a corporação busca manter relações formais e participação ativa em iniciativas que reforcem o jogo responsável.
“Realizamos palestras em escolas e centros de saúde por todo o país, participamos de comissões no Congresso e criamos vínculos com instituições de ensino — todos com excelente adesão, dada a relevância do tema e o interesse gerado pelas dúvidas e impactos envolvidos.”
Carmona também enfatiza a produção contínua de dados. Um de seus marcos recentes é o estudo ‘Telas que aprisionam: raio-X do jogo online entre jovens chilenos’, lançado em 21 de outubro. Ela destaca que o material atualiza informações essenciais sobre uso de telas e comportamentos de risco, especialmente entre adolescentes e jovens. Para Carmona, pesquisas assim são indispensáveis para compreender e enfrentar esses desafios sociais.
Iniciativas essenciais para detecção precoce e apoio psicológico
A identificação antecipada de sinais de dependência e o acesso a suporte psicológico especializado são fundamentais para lidar com os danos relacionados ao jogo. Estruturar e aprimorar fluxos adequados de encaminhamento — a rota que leva o paciente da atenção básica ao atendimento especializado, evitando atrasos ou direcionamentos inadequados — é crucial para um tratamento eficaz desse problema crescente de saúde pública.
SiGMA News: Quais programas e iniciativas reforçam a detecção precoce, o apoio psicológico e o encaminhamento de pessoas com problemas relacionados ao jogo?
Carmona destaca que a dependência em jogos exige cuidado, tempo e investimento, sendo um transtorno complexo e frequentemente negligenciado pelo Estado e pela sociedade.
Ela explica: “Assim como qualquer outra dependência, o jogo problemático é complexo e precisa de atenção, tempo e recursos. Em resumo, o ponto-chave é a pessoa reconhecer a própria adicção.”
Segundo ela, diferentemente de outras dependências, o tema ainda carece de reconhecimento social e institucional, o que dificulta acesso a tratamento e compreensão pública. Ela cita como exemplo a falta de centros especializados, à exceção da Associação de Jogadores Terapêuticos (Ajuter), e relata que muitos encaminhamentos acontecem de forma indireta — como casos de depressão que acabam revelando comportamento de jogo problemático. Há também lacunas significativas de conhecimento entre profissionais da saúde e da psiquiatria.
Carmona reforça que melhorar a detecção e o tratamento passa por ampliar a conscientização pública, envolver instituições e capacitar profissionais para reconhecer sinais e orientar corretamente os casos.
Sinergias entre a Corporação e o Grupo SiGMA para ampliar o diálogo e o desenvolvimento do setor
Representando a Corporación de Juego Responsable, Ángela Carmona destaca o compromisso permanente com o diálogo e com o jogo responsável dentro dos marcos legais vigentes.
Nesse ponto, surge uma questão natural: as conferências da SiGMA têm o objetivo de criar espaços globais de debate entre reguladores, operadores e instituições. Onde a presidente vê possibilidades de cooperação com o Grupo SiGMA — seja em conteúdo, treinamento, certificações ou eventos?
Angela Carmona Alba: “Como corporação, temos o compromisso de promover o diálogo e o jogo responsável. Sempre colocamos nosso conhecimento à disposição, dentro dos parâmetros legais e com interlocutores reconhecidos.”
Ela vê com bons olhos o esforço da SiGMA em reunir operadores, reguladores e organizações, considerando esses eventos uma oportunidade valiosa para fortalecer o setor por meio de troca de experiências e iniciativas conjuntas. Reforça, contudo, que qualquer parceria deve estar alinhada às regras e valores institucionais, especialmente no enfrentamento a práticas irregulares.
Carmona conclui que uma colaboração entre ambas poderia impulsionar significativamente o crescimento ético e responsável da indústria.
Encontros internacionais e prioridades para a América Latina
Eventos globais oferecem oportunidades únicas de troca e aprendizado para entidades dedicadas ao jogo responsável. Perguntamos sobre sua importância e quais temas deveriam ganhar destaque em futuras edições da SiGMA no Chile e na região latino-americana.
Ángela Carmona reforça o valor desses momentos: ouvir como outros países enfrentam desafios semelhantes e compartilhar a experiência construída no Chile enriquece todos os lados.
Ela desenvolve: “Compartilhar experiências nacionais e internacionais sempre agrega. Conhecer abordagens e ouvir relatos de outros países traz profundidade, e tenho certeza de que também contribuímos com eles.”
Para finalizar, Carmona comenta que esses espaços exigem adaptação à realidade global e facilitam aprendizados mútuos em um cenário cada vez mais interconectado. Para as próximas edições da SiGMA na região, ela aponta como prioridade temas relacionados a prevenção, regulamentação e promoção do jogo responsável, alinhados às especificidades do Chile e da América Latina.
Este artigo foi publicado originalmente em espanhol em 2 de dezembro de 2025.
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