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Gigantes dos mercados de previsão formam coalizão por regras federais

Neha Soni
Escrito por Neha Soni
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A Kalshi e a Crypto.com anunciaram a criação de uma nova entidade nacional do setor, a Coalition for Prediction Markets (CPM), reunindo grandes plataformas como Coinbase, Robinhood e Underdog. O objetivo é defender o acesso transparente e regulado em nível federal aos mercados de previsão em todo o território dos Estados Unidos.

A iniciativa surge em meio ao crescimento acelerado do segmento. Nos últimos 12 meses, os mercados de previsão ganharam espaço no mainstream: segundo uma pesquisa da Kalshi, quase metade dos americanos com menos de 45 anos afirma já ter utilizado algum mercado financeiro online ou mercado de previsão. Com volumes de negociação que chegaram a US$ 28 bilhões até outubro, a Kalshi sozinha registrou US$ 4,4 bilhões em transações apenas naquele mês.

Pressão por supervisão federal enquanto estados buscam ampliar controle

A coalizão sustenta que os mercados de previsão funcionam como indicadores em tempo real das expectativas do público, superando pesquisas tradicionais em cerca de 30%. Para seus defensores, essas plataformas se tornaram ferramentas centrais para interpretar mudanças políticas, econômicas e culturais, além de permitir que indivíduos monetizem seu conhecimento, ampliando o acesso à participação financeira.

No entanto, com reguladores estaduais do setor de cassinos tentando assumir o controle de um mercado historicamente regido por leis federais de commodities, o lançamento da CPM também reflete uma preocupação crescente da indústria. Segundo a coalizão, um sistema fragmentado, estado por estado, pode empurrar consumidores para operadores offshore e enfraquecer salvaguardas já existentes, criadas para prevenir uso de informação privilegiada e garantir a integridade dos mercados.

Lideranças do setor defendem padrões nacionais

“Os Estados Unidos são a maior fronteira para os mercados de previsão, e o ritmo de crescimento que estamos vendo torna uma voz unificada da indústria não apenas importante, mas essencial”, afirmou Matt David, membro do Conselho Executivo da Coalizão e presidente da Crypto.com na América do Norte, além de Diretor de Assuntos Corporativos da empresa.

Ele descreveu os mercados de previsão como “uma nova camada da infraestrutura cívica”, capaz de ajudar instituições e o público em geral a tomar decisões mais bem informadas. Já Sara Slane, da Kalshi, também integrante do Conselho Executivo da CPM, destacou que a clareza regulatória federal é fundamental diante da rápida adoção do modelo: “Os americanos merecem clareza, não 50 interpretações conflitantes. Como o primeiro mercado de previsão regulado em nível federal, a Kalshi viu de perto o quão rápido esse espaço estava crescendo — e como uma voz unificada da indústria se tornou urgente.”

Prioridades da coalizão: salvaguardas e acesso do consumidor

A CPM pretende concentrar seus esforços no fortalecimento do arcabouço federal que supervisiona os mercados de previsão. Isso inclui diretrizes nacionais para coibir o uso de informação privilegiada, práticas padronizadas de transparência e monitoramento, proteção de mercados ligados a eleições, esportes e indicadores econômicos, além de evitar excessos regulatórios em âmbito estadual.

A participação de grandes empresas de fintech reforça o alinhamento do setor com a supervisão federal. Faryar Shizad, Chief Policy Officer da Coinbase, afirmou que os mercados de previsão “democratizam a busca por fatos e pela verdade”, acrescentando que a empresa tem orgulho de integrar a Coalition for Prediction Markets.

Com o interesse do público em alta e a pressão regulatória aumentando, a CPM se posiciona como a principal voz em defesa de uma estrutura nacional coesa — capaz de preservar a inovação e, ao mesmo tempo, garantir que os mercados permaneçam seguros, em conformidade com as regras e acessíveis aos usuários.

O que está acontecendo e por que isso importa?

Os mercados de previsão permitem que usuários negociem “contratos de eventos” baseados em resultados de esportes, eleições, economia, entretenimento e outros temas. Por serem regulados em nível federal pelas normas da CFTC, essas plataformas frequentemente ultrapassam os limites tradicionais das jurisdições estaduais de jogos.

O segmento cresceu rapidamente em todo o país, atraindo tanto o varejo quanto investidores institucionais. Nos últimos dois anos, o mercado norte-americano de previsão explodiu com a entrada de novos players, como PrizePicks, Underdog, Novig e o Truth Predict, ligado ao presidente Donald Trump. Em 3 de dezembro, a Fanatics lançou sua própria plataforma em 10 estados, incluindo Delaware, Dakota do Sul e Utah. O “febre da previsão” também chegou ao Reino Unido: a Matchbook deve lançar uma nova plataforma de mercados de previsão em janeiro, marcando um movimento estratégico relevante enquanto a bolsa de apostas se prepara para competir com operadores dos EUA, como Kalshi e Polymarket.

As casas de apostas esportivas dos EUA também observam esse espaço de perto. A DraftKings avançou rumo ao lançamento da plataforma DraftKings Predictions após obter aprovações federais importantes de dois grandes reguladores. Já a rival FanDuel firmou parceria com o CME Group para criar uma joint venture voltada a contratos de eventos.

Por outro lado, reguladores estaduais de Connecticut, Massachusetts e outras jurisdições emitiram ordens de cessação e processos judiciais, argumentando que certos mercados de previsão — especialmente os ligados ao esporte — se enquadram nas leis estaduais de jogos. O lançamento da CPM ocorre justamente em meio à resistência de lobistas e reguladores do setor tradicional, que alegam que essas plataformas são ilegais ou equivalentes a apostas esportivas não licenciadas.

Tensões dentro da indústria

A criação da coalizão evidencia um racha crescente no universo dos jogos. Durante a Global Gaming Expo (G2E), em Las Vegas, o impacto dos mercados de previsão dominou os debates. Em 2025, o Venetian Expo se tornou palco de discussões sobre como plataformas como a Kalshi estão afetando as casas de apostas reguladas por estados e tribos indígenas.

O CEO da Associação Americana de Jogos (AGA), Bill Miller, fez um alerta contundente sobre a influência dessas plataformas: “A AGA e nossos associados estão se mobilizando em todas as frentes. Elas ameaçam as comunidades que atendemos, os clientes e consumidores que protegemos e os padrões que defendemos.”

Em contraste, empresas como DraftKings, FanDuel e Fanatics se desligaram de associações tradicionais do setor, como a própria AGA, à medida que avançam em seus próprios serviços de mercados de previsão. A Fanatics foi a mais recente a deixar a entidade: a empresa lançou a Fanatics Markets em 3 de dezembro de 2025 e se retirou da AGA uma semana depois, em meio a divergências relacionadas aos mercados de previsão.

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