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Disputa por licença de cassino de US$ 17 bilhões em Nova York impulsiona lobby recorde

Sudhanshu Ranjan
Escrito por Sudhanshu Ranjan
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

Em 2025, o estado de Nova York avançou com planos para ampliar o setor de cassinos em sua região mais populosa, desencadeando uma das disputas de desenvolvimento mais acirradas da cidade. O estado aprovou três licenças de cassino para a região conhecida como downstate (que inclui a cidade de Nova York e arredores), atraindo propostas de incorporadoras, grandes empresas e figuras políticas, com bilhões de dólares em jogo e forte pressão de lobby direcionada a legisladores e conselhos comunitários.

De acordo com o Relatório Anual do Bureau de Lobbying do Escritório do Secretário da Cidade de Nova York, supervisionado pelo consultor jurídico-geral Patrick L. Synmoie e pelo investigador-chefe Walter Carcione, a remuneração total relacionada a atividades de lobby em 2025 atingiu impressionantes US$ 144.528.351,52, um recorde histórico. Esse valor vem crescendo de forma constante: foi de US$ 121.153.557,79 em 2022, aumentou para US$ 130.962.045,71 em 2023 e chegou a US$ 138.387.171,86 em 2024. Em 2025, registros de lobistas e clientes adicionaram mais US$ 4.570.877,36 a esse montante.

Três licenças com bilhões em jogo

Quando o estado de Nova York anunciou que emitiria três licenças de cassino para a região downstate, desencadeou uma verdadeira corrida pelo mercado. Os três projetos que acabaram sendo aprovados — Metropolitan Park, em Queens; a expansão do Resorts World NYC; e o cassino Bally’s Bronx — representam juntos um investimento superior a US$ 17 bilhões, sendo que apenas o Metropolitan Park tem um custo estimado de US$ 8 bilhões. Reguladores projetam que esses cassinos poderão gerar cerca de US$ 7 bilhões em receitas fiscais provenientes de jogos e quase US$ 6 bilhões em outros impostos entre 2027 e 2036. Esses recursos seriam destinados ao financiamento de infraestrutura pública, educação e serviços essenciais.

O processo de licenciamento de cassinos em Nova York exigiu várias etapas de aprovação. Inicialmente, o Gaming Facility Location Board avaliou as propostas considerando preocupações da comunidade, planejamento urbano, impacto econômico e estabilidade financeira. Antes da concessão das licenças definitivas, a State Gaming Commission analisou a conformidade financeira e jurídica dos projetos.

Além desses órgãos reguladores, cada proposta também foi examinada por comitês consultivos comunitários, compostos por representantes locais e indicados políticos. Esses grupos avaliaram aspectos como geração de empregos, impacto no trânsito, possíveis custos sociais associados ao jogo e efeitos ambientais. A rejeição por parte desses comitês poderia encerrar um projeto. Por esse motivo, os esforços de lobby não se concentraram apenas nos reguladores estaduais, mas também em legisladores locais, conselhos comunitários e líderes cívicos.

Propostas de cassinos e o peso do lobby

Em 2025, três grandes projetos de cassino competiram por aprovação em Nova York, cada um apoiado por intensas campanhas de lobby. A Queens Future LLC, ligada ao proprietário do time de beisebol New York Mets, Steve Cohen, gastou cerca de US$ 1,68 milhão em lobby apenas em 2025 e mais de US$ 4,6 milhões ao longo de vários anos, contratando 12 empresaspara promover sua proposta do Metropolitan Park.

Já a Genting New York LLC, operadora do Resorts World NYC, buscou uma expansão de US$ 5 bilhões em sua unidade existente em Queens e investiu cerca de US$ 1,14 milhão em lobby por meio de três empresas.

Para desenvolver um resort de US$ 4 bilhões no Ferry Point Park, no Bronx, a Bally’s Corporation investiu aproximadamente US$ 830 mil em 12 firmas de lobby diferentes. O projeto enfrentou os maiores desafios, incluindo forte oposição da comunidade devido a preocupações com trânsito e impacto no bairro, além da necessidade de autorização legislativa para utilizar uma área de parque público. Esses números mostram como o lobby influenciou a disputa quase tanto quanto os próprios projetos de cassino.

Outro concorrente relevante foi a TSG Coney Island Entertainment Holdco, responsável pelo projeto de cassino The Coney, planejado para Coney Island. A empresa gastou cerca de US$ 1,4 milhão em lobby em 2025 e trabalhou com quatro empresas especializadas para promover sua proposta. Apesar de figurar entre os maiores gastos com lobby da cidade, o projeto acabou fracassando depois que o comitê consultivo comunitário votou contra a iniciativa.

Panorama mais amplo do lobby

Em 2025, a disputa pelas licenças de cassino em Nova York ocorreu em meio a um forte aumento nas atividades de lobby na cidade. A Kasirer LLC liderou o ranking, com mais de US$ 17 milhões em honorários, seguida pela Bolton-St. Johns LLC, com cerca de US$ 10,6 milhões, e pela Pitta Bishop & Del Giorno LLC, com quase US$ 6,8 milhões.

Outras consultorias, como Hollis Public Affairs, Constantinople & Vallone Consulting e Cozen O’Connor Public Strategies, também registraram receitas de vários milhões de dólares com atividades de lobby. O setor imobiliário dominou entre os clientes, representando quase um terço de todo o lobby realizado, enquanto organizações sem fins lucrativos e grupos de interesse público responderam por cerca de um quinto das atividades. Entre os temas mais pressionados junto às autoridades estavam o orçamento da cidade, projetos de legislação local e decisões relacionadas ao uso e definição de propriedades.

Ao todo, cerca de 630 lobistas se registraram para atuar em nome de mais de 2.200 clientes, gerando mais de US$ 200 mil em taxas. Alguns contratos chamaram atenção pelos valores envolvidos. A MADDD Equities pagou US$ 1,42 milhão à Akerman LLP, enquanto a TSG Coney Island Entertainment Holdco desembolsou mais de US$ 1,2 milhão para a Sheppard Mullin. Já a Genting New York pagou US$ 840 mil à Patrick B. Jenkins & Associates.

Organizações sem fins lucrativos também tiveram presença ativa. Grupos como Make the Road New York, Legal Services NYC e Planned Parenthood of Greater New York relataram dezenas de funcionários envolvidos em atividades de lobby. Em conjunto, esses números mostram que a corrida pelas licenças de cassino fazia parte de um ambiente muito mais amplo — e extremamente caro — de lobby político em Nova York.

Fiscalização das atividades de lobby

De acordo com o Relatório Anual do Bureau de Lobbying, o processo de licenciamento de cassinos também trouxe desafios significativos de fiscalização em 2025. O órgão publicou 69 resultados de auditorias ao longo do ano, identificando problemas como relatórios de compensação imprecisos e até erros curiosos — incluindo a inserção de nomes de crianças em registros oficiais. Entre três reclamações abertas por violação de normas, duas foram resolvidas até o início de 2026, enquanto uma ainda permanece em aberto.

Outro problema relevante foi o envio tardio de relatórios anuais: 279 relatórios de clientes foram entregues após o prazo, resultando em cerca de US$ 165 mil em multas. Além disso, lobistas foram penalizados em mais de US$ 29 mil em 2024 e 2025 por não apresentarem relatórios periódicos obrigatórios. Penalidades menores também foram aplicadas por irregularidades em relatórios de consultoria e arrecadação de fundos.

Do ponto de vista administrativo, o bureau lidou com centenas de consultas relacionadas a fiscalização e conformidade, realizou sessões de treinamento para 125 participantes e enviou quase 2.000 e-mails informativos a beneficiários de fundos. A equipe também processou mais de 1.000 novos registros e auxiliou centenas de usuários a navegar pelo sistema e-Lobbyist, evidenciando o enorme volume de atividades associadas à disputa pelas licenças de cassino.

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