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Polymarket lança plataforma em chinês e contrata equipe fluente em mandarim

Ansh Pandey
Escrito por Ansh Pandey
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A plataforma de mercados de previsão em criptomoedas Polymarket, sediada em Nova York, lançou uma versão do seu site em língua chinesa e contratou profissionais fluentes em mandarim, deixando claro que a empresa está de olho em usuários de comunidades chinesas ao redor do mundo.

Segundo informações divulgadas, a iniciativa foi conduzida de forma discreta. A empresa abriu uma interface em chinês simplificado, disponível no endereço “/zh”, e passou a incluir contratos relacionados a eventos culturais chineses. Executivos da companhia classificam a China como uma “geografia muito importante”, embora não haja nenhum anúncio oficial sobre a entrada no mercado da China continental.

Para quem não está familiarizado, os mercados de previsão permitem que usuários comprem e vendam contratos baseados em como eventos do mundo real irão se desenrolar, com os preços variando conforme a probabilidade atribuída pelo público. Os pagamentos na plataforma são feitos em USDC, uma stablecoin atrelada ao dólar. Nos Estados Unidos, uma entidade separada chamada Polymarket US opera sob a supervisão da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), enquanto a versão internacional atende usuários fora desse regime regulatório.

Contratos com foco na China no site

De forma curiosa, a plataforma foi lançada no início do Ano-Novo Lunar de 2026 e já conta com diversos contratos ligados especificamente à China. Um exemplo foi um contrato que previa quais marcas de robôs apareceriam na gala de 2026, que gerou quase US$ 600 mil em volume de negociações. Várias empresas do setor de robótica foram corretamente apontadas como participantes do evento.

Plataforma da Polymarket em mandarim (Fonte: polymarket.com/zh)

Outro contrato perguntava se a cantora veterana Li Guyi se apresentaria. Esse mercado movimentou mais de US$ 40 mil antes de ser encerrado com resultado negativo. Ao mesmo tempo, apostas populares como as probabilidades de os Estados Unidos atacarem o Irã e se Jesus retornará ainda este ano também aparecem na plataforma.

Os temas são culturalmente específicos e indicam uma estratégia deliberada de localização, e não apenas atividade casual de usuários. Representantes da empresa afirmam que monitoram tendências de busca em língua chinesa para identificar assuntos com maior potencial de interesse.

Além dos mercados culturais, a Polymarket também oferece contratos sobre temas políticos e econômicos globais — tensões geopolíticas, variações de preços de criptomoedas, entre outros. Alguns desses mercados alcançam volumes expressivos de negociação, o que demonstra o apelo da plataforma para além de um público específico.

Contornando as regulações existentes?

O jogo é proibido na China continental, exceto nas loterias estatais. A negociação de criptomoedas também é vetada, criando um segundo obstáculo legal. O acesso a serviços financeiros estrangeiros é rigidamente controlado, e plataformas internacionais sem licença podem sofrer medidas de repressão. O site da Polymarket é bloqueado dentro da China continental, o que significa que os usuários precisariam recorrer a soluções técnicas para acessá-lo — um tema sensível dentro das regras de internet do país.

Por esse motivo, executivos enfatizam que o foco é alcançar comunidades chinesas no exterior, e não residentes dentro da China. Números exatos de usuários na China continental não são divulgados. A empresa afirma que a Ásia já responde por milhões de visitas mensais e por uma parcela significativa do volume de negociações.

Comunidades de língua chinesa sempre demonstraram forte interesse por produtos semelhantes a apostas, desde bolões esportivos até palpites informais sobre eventos culturais. Analistas apontam que a demanda por plataformas especulativas tende a se manter mesmo em ambientes altamente regulados, especialmente quando a tecnologia facilita a participação transfronteiriça.

No entanto, a legalidade da plataforma tende a ser colocada em xeque. As autoridades chinesas podem facilmente classificar os contratos de previsão como jogos de apostas, independentemente de como a empresa os apresente sob uma ótica financeira. Além disso, o uso de stablecoins lastreadas em dólar entra em choque direto com os rígidos controles de capital de Pequim e com a proibição ampla da negociação privada de criptomoedas no país.

Nenhuma atualização sobre licenciamento até o momento

Por enquanto, o lançamento em língua chinesa parece cauteloso. Não houve anúncio de licenças locais, nem abertura de escritório na China continental, e há avisos claros separando o site internacional da operação regulamentada nos Estados Unidos.

Se essa iniciativa vai se transformar em uma expansão real ou apenas em um experimento de curto prazo dependerá mais dos reguladores do que dos usuários. Observadores lembram que Pequim tem atuado de forma consistente para fechar canais que considera ameaças ao controle de capitais ou à supervisão financeira — e uma plataforma estrangeira de criptomoedas tentando atrair seus cidadãos dificilmente passará despercebida.

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