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Setor de jogos de Malta se volta ao B2B, revela a MGA

Garance Limouzy
Escrito por Garance Limouzy
Traduzido por Thawanny de Carvalho Rodrigues

A indústria de jogos de Malta está encolhendo em termos de números absolutos de licenças, mas crescendo de forma mais sutil e estrutural. Por trás da contribuição estável para a economia e da redução no total de licenças, o equilíbrio das atividades sob a Autoridade de Jogos de Malta (Malta Gaming Authority – MGA) está migrando de forma decisiva para fornecedores B2B (business-to-business), redesenhando, na prática, o perfil do polo de jogos da ilha.

De acordo com o relatório interino da MGA referente ao primeiro semestre de 2025, os operadores B2B já representam 55,5% da base total de licenças. Entre janeiro e junho de 2025, 64,3% dos novos pedidos de licença e 87,5% das licenças efetivamente concedidas foram para empresas B2B.

Em entrevista à SiGMA News, a MGA evitou apresentar o crescimento do segmento B2B como um objetivo explícito de política regulatória. “A composição da base de licenças reflete o comportamento do mercado”, afirmou um porta-voz, destacando que a reestruturação dos operadores e as mudanças regulatórias internacionais influenciaram onde as empresas escolhem licenciar diferentes partes de seus negócios.

De marcas voltadas ao consumidor à infraestrutura

Ainda assim, o regulador não esconde o papel de suas próprias reformas em tornar Malta atraente para fornecedores. “A revisão da Lei do Jogo em 2018 e a introdução de um regime de autorização mais claro e simplificado estabeleceram as bases estruturais para que Malta se tornasse um polo natural de fornecedores B2B de alto valor”, explicou o porta-voz.

Segundo a MGA, o objetivo foi a proporcionalidade. “As reformas criaram a clareza e a proporcionalidade de que os operadores B2B precisavam para crescer de forma sustentável.”

Seis anos depois, a autoridade afirma que esse modelo está “dando resultados”. Malta já abriga a maioria das grandes marcas globais de jogos online, criando o que a MGA descreve como “um mercado integrado e imediato” para fornecedores de plataformas, jogos, serviços técnicos e infraestrutura de pagamentos. A demanda por “serviços técnicos e relacionados a plataformas continua crescendo”, reforçando ainda mais a inclinação para o B2B.

O relatório interino enquadra essa mudança sob a ótica do risco. Ele descreve a base de licenças como “progressivamente evoluindo para atividades com um perfil de risco mais baixo”, expressão que, segundo o porta-voz, se refere à natureza das operações B2B, “que não envolvem interação direta com jogadores”.

No entanto, a autoridade faz questão de enfatizar que menor risco não significa fiscalização mais branda. “As expectativas regulatórias permanecem inalteradas”, acrescentou o porta-voz. A supervisão continua focada em governança, obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo (AML/CFT), riscos de terceirização e dependência, além da resiliência operacional.

Indicadores principais da atividade regulada pela MGA. Fonte: MGA.

Menos licenças, peso econômico estável

Ao final de junho, 304 empresas detinham 312 licenças de jogo, número inferior ao de anos anteriores. Ainda assim, o impacto econômico do setor praticamente não se alterou. A MGA estima que a indústria de jogos gerou € 714,4 milhões em valor adicionado bruto (GVA) no primeiro semestre de 2025, o equivalente a 6,5% do GVA total de Malta, percentual praticamente inalterado desde 2022.

O nível de emprego também se manteve sólido. A autoridade calcula que cerca de 14.797 pessoas trabalham em Malta em empresas licenciadas pela MGA — um aumento de 3,1% em relação ao fim de 2024 e aproximadamente 5% da força de trabalho nacional. O cenário, mais uma vez, é de menos entidades corporativas, porém com equipes mais especializadas.

No relatório interino, o regulador descreve esse movimento como sinal de amadurecimento do mercado. “A redução no número total de empresas e licenças reflete a contínua consolidação de um setor em maturação e evolução”, afirmou, acrescentando que as empresas estão “priorizando cada vez mais a sustentabilidade de longo prazo e a qualidade, dentro de um ambiente regulatório internacional mais complexo”.

Essa linguagem ecoa o posicionamento mais amplo da MGA de que Malta está avançando “além de um polo focado apenas em licenciamento, tornando-se um centro de inovação, qualidade regulatória e serviços de alto valor agregado”.

O que caracteriza um pedido B2B “pronto” para aprovação

A concentração de pedidos B2B elevou o nível de exigência da MGA na fase de autorização. Questionado sobre o que diferencia um pedido que avança rapidamente no processo, o porta-voz destacou os fundamentos.

“Os pedidos que progridem com eficiência são aqueles que demonstram um modelo operacional claro, estruturas de governança bem definidas e frameworks de gestão de riscos alinhados à atividade proposta”, explicou. Os problemas evitáveis mais comuns continuam sendo “documentação incompleta ou inconsistente, planos de negócios pouco claros ou estruturas de governança que não correspondem à complexidade da atividade proposta”.

Os números indicam que a análise está mais rigorosa. Das 28 novas solicitações de licença recebidas no primeiro semestre do ano, apenas oito foram concedidas; as demais foram rejeitadas, retiradas pelos próprios requerentes ou ainda estão em análise. Vários pedidos foram encaminhados ao Comitê de Fit and Proper ou ao Conselho de Supervisão após surgirem preocupações relacionadas a informações enganosas ou incompletas.

Fiscalização e a cadeia de suprimentos invisível

Embora as empresas B2B sejam menos visíveis para os jogadores, o relatório interino destaca que a fiscalização continua sendo parte central do trabalho da MGA. Entre janeiro e junho, a autoridade emitiu 23 notificações de cessar e desistir (cease and desist), 15 advertências, 23 penalidades administrativas que totalizaram € 139.360 e cancelou uma licença.

O relatório também chama atenção para a luta paralela contra o uso indevido da marca MGA. De 75 URLs analisadas por atividade não regulamentada, 34 continham “referências fraudulentas à Autoridade ou a seus licenciados”. Na maioria dos casos, os sites alegavam falsamente possuir licença da MGA. A resposta da autoridade inclui o envio de notificações de cessar e desistir, coordenação com outros reguladores e a publicação de uma lista de URLs não autorizadas para alertar os consumidores.

Para fornecedores B2B, cujos clientes dependem da credibilidade regulatória, a proteção da reputação da licença é parte essencial da proposta de valor de Malta. Como afirma a MGA, a jurisdição se apoia em “credibilidade regulatória, um ecossistema maduro, um ambiente político e institucional favorável e uma supervisão clara baseada em risco”.

Olhando para o futuro, a autoridade diz querer que essa proposta evolua por meio de “maior agilidade regulatória”, mantendo a capacidade de resposta às mudanças do setor sem enfraquecer os padrões. Se o primeiro semestre de 2025 servir como referência, esse equilíbrio está sendo cada vez mais testado não apenas nos sites de jogos e apostas, mas também na infraestrutura profunda que os sustenta.

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